quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Conheça o BLONDIE e esqueça as louras das piadinhas


Há quem julgue a banda de punk, new wave ou até mesmo de powerpop. Mas verdade das verdades é que Blondie é uma das poucas bandas na história do rock que se pode chamar de "uma banda acima do bem e do mal", facilmente posta numa cabeceira ao lado de Ramones, Motorhead e Cramps, pois só os seus nomes sobrepoem-se tranquilamente a quaisquer rótulos existentes ou que algum crítico engraçadinho venha a inventar.
Aliás, você já parou para contar quantas louras surgiram no pop ocidental, da segunda metade dos anos 70 para cá? Muitas, não é mesmo?! Cindy Lauper, Madonna, Paula Toller, Gwen Stefany, Shirley Manson, Fergie e, pasmem, até mesmo a nossa xuxa tiveram a influência fortíssima de Debbie Harry!
Tudo começou mesmo na primeira metade dos anos 70, quando a senhorita Deborah Harry, uma lindíssima ex-garçonete, ex-secretária da BBC-NY e ex-coelhinha da playboy, juntou-se a uma trupe de artistas multimídia chamada "The Stilettoes", afim de fazer performances teatrais associadas a rock vanguardista transgressor (ufa!). Enfim, a proposta da trupe era até bem interessante, mas de certa forma inviável. Deu que em pouco tempo o grupo se desfêz e cada foi cuidar de sua vida. Dos ex-integrantes, três decidiram que estava mais do que na hora de formar uma banda. A princípio chamaram a junção de "Angel & The Snake", mas logo em seguida, já com Debbie à frente nos vocais, "Blondie and the Banzi Babes", que acabou ficando só como Blondie mesmo.
Capitaneada por Debbie Harry e por seu então namorado, o guitarrista Chris Stein, a banda contava ainda com Clem Burke (bateria), Jimmy Destri (teclados) e Gary Valentine (baixo) em sua primeira formação, com a qual gravou dois discos: Blondie (1976) e Plastic Letters (1977).
Mas antes de terminarem a gravação de "Plastic Letters", Valantine resolve sair da banda. Abre-se então uma vaga para a entrada de Frank Infante e Nigel Harrison, que se revezariam entre baixo e guitarra.
A banda toca por tudo quanto é lugar no EUA, principalmente no "Max's Kansas City" e no "CBGB's", dividindo por incontáveis vezes o palco com os Ramones, os Talking Heads e os New York Dolls também.
Enquanto Debbie Harry se fortalecia cada vez mais como um símbolo sexual, a banda emplacava algum hit entre os 10 mais, fosse nos EUA ou na Europa. Gravaram mais quatro discos entre 1978 e 1982: "Parallel Lines" (1978), "Eat To Beat" (1979), "Autoamerican" (1980) e "Hunger" (1982).
Mesmo tendo feito excelentes canções, talvez a maior lembrança do Blondie ainda sejam aquelas que fizeram história na disco music como "Heart Of Glass" (que no Brasil foi até trilha de novela Global: "Pai Herói" de 1979) e "Atomic" (uma pá-de-cal nessa brincadeira). "Call Me" também foi outro grande momento da banda, já que além de ter sido um sucesso avassalador na época em que saiu (comecinho dos anos 80), também marcou uma grande parceria com o produtor italiano Giorgio Moroder e foi trilha sonora do filme "Gigolô Americano", que lançou richard Gere.
Não obstante, além do sucesso que o Blondie alcançou em seus primeiros sete anos de atividade, a banda acabou se dissolvendo em 1983, quando Chris Stein foi diagnosticado com uma grave (e também misteriosa) enfermidade que o afastou do showbiz. Quanto aos demais, Debbie Harry fez carreira-solo e se lançou como atriz também, e os outros foram fazer suas vidas como músicos, produtores e executivos de gravadoras, também.
Em 1997, a banda ensaiava uma volta às atividades, mas os planos acabaram sendo em bargados por uma ação na justiça movida por Frank Infante e Nigel Harrison. Mas a lei pesou a favor do Blondie e finalmente a banda volltou em 1999 com o disco "No Exit", que além de ter a clássica "Maria" e de ter conquistado ótimas vendagens, também ajudou a criar um novo recorde: Debbie Harry foi a primeira mulher com mais de cinquênta anos a entrar de cara no topo das paradas.
Em 2004, foi lançado o disco "The Curse of Blondie", que além de seguir a linha sonora de seu antecessor, também em seu encalço uma série de apresentações televisivas e o lançamento de muito material ao vivo produzido no período.
Das atividades mais recentes, além da estrada, Debbie Harry também andou gravando com Fatboyslim o single "New York New York" e também tem participado de uma cruzada artística cuja a finalidade é arrecadar fundos para o combate à AIDS.

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Originalmente publicado no jornal Folha do Estado, dia 30 de Agosto de 2009, no caderno Folha 3

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