segunda-feira, 25 de maio de 2009

O ROCK À SOMBRA DE HANK MARVIN



Quem dos leitores saberia dizer qual é o maior guitarrista do rock clássico britânico? Nomes certamente não faltam nessa lista: John Lennon, George Harrison, Brian Jones, Peter Townshend, Eric Clapton, Jeff Beck, Jimmy Page, Richie Blackmore, Tony Iommi, Brian May, Mark Knopfler e por aí vai...
Com certeza é bem difícil definir qual é o melhor dentre tantos monstros sagrados. Mas fato é que nehum deles se tornaria o que se tornou se não fosse um sujeitinho magrela, desengonçado e que usa um óculos imenso, chamado Hank Marvin!



Fundada em 1958 por Hank Marvin e o amigo Bruce Welch, a banda The Shadows começou sob o nome de The Drifters, um conjunto de acompanhamento para um astro de renome, o hoje Sir. Cliff Richard (uma espécie de Roberto Carlos inglês). A parceria deu certo e eles, além de serem a banda de estrada do ídolo, também passaram a andar com suas próprias pernas.
No âmbito britânico, eles são uma instituição nacional, tão forte quanto Beatles ou The Who, e o mais impressionante de tudo é que ainda figuram na listas TOP 10 de vendas na Inglaterra, mesmo em tempos de downloads.



Seu ápice entretanto aconteceu no decorrer da década de 60, quando lançaram clássicos inesquecíveis do rock instrumental como: "Apache", "Wonderful Land", "Atlantis", "FBI", "Gerônimo", "The Rise And Fall Of Flingel Bunt" etc.
Contudo, sua influência não se limitou apenas às Ilhas Britânicas, mas tomou o mundo de assalto. Anualmente, em algum canto do planeta promove-se algum tipo tipo de encontro de fãs e shows-tributo. No Brasil mesmo, músicas de Hank Marvin e seus Shadows se tornaram uma constante no repertório de 9 entre 10 bandas da jovem guarda (basta ouvir discos antigos dos Incríveis, Jet Blacks, The Jordans etc). O próprio Rei Roberto Carlos (uma espécie de Cliff Richard tupiniquim) exigia que seus músicos seguissem o estilo The Shadows de tocar. Para tal, basta ouvir os discos que o rei gravou entre 1962 e 1966, onde as referências são gritantes.



Em 1996 foi lançado o cd "Twang!", um mais do que merecido tributo a Hank Marvin & The shadows, ao qual podemos ouvir reverências e mais reverências a tão importante referência do rock universal. Bem, o que dizer então de Ritchie Blackmore tocando "Apache" ou de Tony Iommy "riffando" o clássico "Wonderful Land", ou quem sabe, Brian May arregaçando a guitarra ao som de "FBI"? Imagine então juntar em um mesmo disco esses caras mais um monte de gente da envergadura de Mark Knopfler, Neil Young & Randy Buchman, Steve Stevens, Peter Frampton, The Police e tantos outros mais. Pois bem, o disco é isso!
Para se conhecer The Shadows, não é difícil! Basta ir a qualquer loja de cedês e pegar qualquer uma dessas coletâneas que, mesmo sendo aquelas picaretagens de gravadora, ainda sim são ótimas, pois dos Shadows não existe música ruim!



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Max Merege, além de ser fã de Shadows, ama bom rock instrumental e odeia picaretagens pretenciosas.

LEMINSKI BASHO AQUI




Paulo Leminski Filho nasceu em Curitiba, no dia 24 de Agosto de 1944. Descendente de imigrantes polacos por parte de pai e de uma brasilidade "típica de Gilberto Freire" por parte de mãe, Leminski sempre se orgulhou muito de sua origem.
Na adolescência, foi seminarista da ordem dos beneditinos, tendo ido estudar no Mosteiro São Bento, em São Paulo, onde iniciou seus estudos em latim e grego. Nos anos 60 estudou judô e acabou se tornando um entusiasta da cultura oriental. Não obstante, aprendeu japonês e fez-se também como o maior discipulo brasileiro da obra de Bashô.
Em 1963, participou da Semana Nacional da Poesia Concreta, em Belo Horizonte. Lá foi o seu "debut" literário e passou a ser sempre bem lembrado pelos mestres do concretismo Haroldo e Augusto de Campos e Décio Pignatari, não pelo físico de judoca, mas pela malandragem com que tecia seus versos, sendo que muitos dos quais passaram a figurar, em 64, na revista INVENÇÃO, a casa dos poetas concretos.
Leminski curtiu ser um "beatnik caboclo", largou a faculdade na metade dos cursos de Direito e Letras. Teve um "casamento" aos 17, aos 18 conheceu a também poetisa Alice Ruiz, com quem foi morar num "squat" junto com sua ex-namorada e o atual namorado dela. Teve com Alice, além de uma grande parceria poética, três filhos: Miguel Ângelo (falecido aos 10 anos, vítima de câncer), Áurea e Estrela.


Com a escritora Alice Ruiz, sua eterna companheira

Entre os anos 70 e 80 trablhou árduamente como professor de História e de Redação em cursinhos pré-vestibular. Foi um dos maiores redatores e diretores de criação da propaganda paranaense. Publicou varios livros de poesia, entre os quais destacam-se: "Caprichos e Relaxos", "Distraídos Venceremos" e "La Vie En Close". Escreveu também ensaios biográficos sobre figurinhas carimbadas da história como Jesus Cristo, Cruz e Souza, Edgar Allan Poe, Bashô, Trotski etc. Nos anos 80, foi um dos colaboradores mais solicitados do jornalismo brasileiro, tendo escrito uma infinidade de artigos para a Folha de São Paulo e para a Veja, principalmente.


ERRA UMA VEZ

Nunca cometo o mesmo erro duas vezes
Já cometo duas três quatro cinco seis
Até esse erro aprender que só o erro tem vez.
sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora
calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa
você está tão longe
que às vezes penso
que nem existo
nem fale em amor
que amor é isto



Escritor de plantão, traduziu (transcriou) para o portugues obras como "Pergunte Ao Pó" de John Fante, "Mallone Morre" de Samuel Beckett, "Um Atrapalho no Trabalho" de John Lennon, "Satiricon" de Petrônio, Sol e Aço, de Yukio Mishima, O Supermacho, de Alfred Jarry, e Giácomo Joyce, de James Joyce.
Filósofo prático, destrinchou Renée Descartes e o pôs em cheque na obra "O Catatau", de 1975, que fala sobre a vinda de Maurício de Nassau ao Recife, que trazia em sua missão o filósofo Renatus Cartesius, que haveria de confrontar seus valores com a realidade onírica do Brasil seissentista.
Mesmo nunca tendo acabado uma faculdade de letras, Leminski foi escola para muitos professores. Em 1984, seu então novo romance, "Agora É que São Elas", causa reboliço pelos meios acadêmicos e literários, pois o autor usava ninguém menos que a figura de Vladmir Propp, um formalista russo que "estabeleceu" as 31 regras que regem o conto fantástico, em um livro que relata um psiquiatra que se vê no direito de aplicar as mesmas regras literárias de seu homônimo russo no exercício da psiquiatria. (sitaução esta que lembra um pouco a idéia do filme "Dead Man", de jim Jarmush, no qual Johnny Depp vive um representante comercial que é socorrido por um índio letrado, só porque se chama william Blake)
Inventivo, Paulo Leminski usava e abusava da "polissemia" e sacaneava formidavelmente com as regras do bom português:


Meu professor de análise sintática era o tipo do
sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida
regular como um paradigma da 1a conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi feliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.



Quem ousou ou seria capaz de bagunçar o coreto das boas maneiras da língua como ele, no Brasil de hoje? Poucos ... ou talvez ninguém!
Defendeu, em um curso de produção poética por ele ministrado, em meados dos anos 80, na Fundação Armando Alvares Penteado, em São Paulo, a idéia de que a arte, a poesia e a música não passam de meros "inutensílios" no mundo prático, e expõe todas as suas convicções - escancaradamente irônico - sob a forma de dois ensaios que contam que ante à tecnocracia, os sentimentos, as artes, a música e os valores humanos, não servem para nada, pois são mero "inutensílio".

materesmofo
temaserfomo
termosfameo
tremesfooma
metrofasemo
mortemesafo
amorfotemes
emarometesf
eramosfetom
fetomormesa
mesamorfeto
efatormesom
maefortosem
saotemorfem
termosefoma
faseortomem
motormefase
matermofeso
metamorfose


poema "metaformose"



Paulo Leminski entre Caetano Velloso e Moraes Moreira
Além de poeta, ensaísta, tradutor e judoca, Leminski também foi um grande compositor, pois acreditava na música como um excelente veículo propagador de suas idéias, uma vez que, em sua concepção, a poesia era o único instrumento que não sofrera ação do sistema e que poderia ser usada como forte arma para propagação de seus ideais, principalmente através da canção como veículo. Fez parceria com muita gente: Blindagem, Morais Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Caetano Veloso, A Cor do Som, Edvaldo Santana, Guilherme Arantes e mais uma carrada de caras que musicaram muitos de seus poemas.
É bom lembrar que, apesar de suas letras serem maravilhasamente fora do comum, e de contarem com intérpretes (quase) à altura, musicadas, sofreram com as "comodidades tecnológicas" da época. É bom que não se espere muita coisa. Afinal, nos anos 80, as técnicas de gravação e as formas de arranjar na música brasileira eram incrivelmente precárias e terrivelmente contaminadas pelas maravilhas modernosas que tiravam o brilho de qualquer grande obra.
Segundo a Professora Leyla Perrone Moisés: "Leminski ganha a aposta do poema, ora por um golpe de espada, ora por um jogo de cintura. Tão rápido que nos pega de surpresa; quando menos se espera, o poema já está ali. E então o golpe ou a ginga que o produziu parece tão simples que é quase um desaforo."
No dia 7 de junho de 1989, após noites a fio não dormidas, regadas a vinho barato ao pé de sua máquina de escrever, e depois de muitas perambulações pelas mesas do Bife Sujo e também do Lino's (por que não?!), Paulo Leminski, aos 44 anos, morre de cirrose etílica (uma morte irônicamente identica à de Fernando Pessoa), mas deixa, além de uma vasta e diversificada obra, um legado indelével a perdurar para sempre nos anais da língua portuguesa:

moinho de versos
movido a vento
em noites de boemia
vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia

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Max Merege, pesquisador Cuiabano, estudou Letras em Curitiba e tornou-se apreciador compulsivo da obra desse bandido que falava Latin. ++++++++++++++++ Publicado no Caderno FOLHA 3, do Jornal FOLHA DO ESTADO (Cuiabá/MT , no dia 24/Maio/2009


Comentários de Ivan Justen de Santana:
Vou comentar nessa [matéria] pra cumprir meu papel de chato da galáxia:
Chamar de "squat" a "comunidade alternativa" do edifício São Bernardo foi uma transluciferação-hippie-to-punk muito engraçada, mas me vejo forçado a retificar alguns pingos nos teus is sobre Leminski:
. ele conheceu pessoalmente a Alice Ruiz no dia 24/08/1968, noite de seu (dele) aniversário de 24 anos (não aos 18 - e é escusado chamá-la de "poeta", não de "poetisa", que segundo a própria tem uma conotação meio infantilizante...).
. Leminski trabalhou, sim, arduamente, como professor em cursinhos pré-vestibular, mas nos anos 60 (64/69 no Abreu) e 70 (71/72 no Bardhal).
. Trabalhou muito, também, como redator publicitário, mas nunca chegou a ter, oficialmente, o cargo de diretor de criação - ele foi principalmente um redator freelancer.
. as biografias que escreveu foram de Cruz e Sousa, Bashô, Jesus Cristo e Trótski (publicadas primeiro separademente, e depois agrupadas no livro "Vida") - sobre Edgar Allan Poe ele escreveu um breve ensaio crítico-biográfico.
. entre as traduções, não consta o "On the Road", de Jack Kerouac (o beat que Leminski traduziu foi o Ferlinghetti, para a antologia "Vida sem fim", da qual participaram mais três tradutores: Nelson Ascher, Paulo Henriques Britto e Marcos Ribeiro). Quanto ao mais, seu texto está mais que correto, porque transparece de admiração e entusiasmo totalmente merecidos pelo irrefragável polacolocopaca. Valeu?

++++++++++++++++++++++++++++++

Ivan Justen de Santana, além de ser um grande poetista curitibano, também é um pesquisador incansável da obra de Leminski (suas teses acadêmicas sempre giram em torno da obra Leminskiana), frequentador do Lino's e leitor voraz de tudo que engrandeça a alma e passe o seu recado. Mantém há mais de cinco anos o
blogue "O SURTADO: UM SIM EM SI".

sábado, 23 de maio de 2009

OS INFLEXOS (Moçambique, 1968)


Pessoalmente, confesso que fiquei bem impressionado com essa descoberta...
Tudo bem que nos 4 cedês PORTUGUESE NUGGETS ( série sobre a "jovem guarda lusitâna" ) aparecem uma ou outra música desses caras, mas nunca imaginei que eles fossem de tão mais longe ainda... no caso, da cidade de Lourenço Marques (atual Maputo), capital Moçambicana!

Sim, Os Inflexos foram uma banda de rock no continente africano. Aliás, o que não faltava por lá era rockeiro bom, mas isso na África do Sul, que além de contar com talentos da estirpe de Dan Hill, The Bats, The A-Cads, The Invaders etc, também exportou muita gente de peso como Manfred Mann, Johnny Kongos, Sharon Tandy (que já aportou por esta coluna) e o produtor Frank Fenter, décadas antes da estonteante Charlize Theron e do insosso Dave Mathews ganharem o mundo dos famosos.

Mas voltando ao Moçambique...
Uma curiosidade sobre as bandas de lá é que por conta dos recursos limitados dos estúdios locais e da deficiente distribuição (isso, mesmo sendo um então território portugues), os artístas se apoiavam de fato na boa estrutura dos estúdios sul-africanos que, à revelia de um stablishment racista e ultra-conservador, investiam forte no rock'n'roll, propagando sobremaneira os ecos da música negra norte-americana. Logo, o presente disco d'Os Inflexos, apesar de ter sido todo composto em Moçambique, foi gravado e teve sua distribuição feita a partir de Johanesbourgo, na África do Sul.

Ano passado, várias dessas músicas foram lançadas em uma série portuguesa chamada CAZUMBI, dedicada inteiramente à produção roqueira no continente africano durante os anos 60 e começo dos 70, mas isso aí já é assunto para um outro dia...

Os INFLEXOS eram : Carlos Nelson (voz), Helder Matias (viola), Jorge Montenegro (órgao), Chico (baixo) e Carlos Alberto (bateria). Em 1969 gravaram apenas um epê, com as faixas: "Verdes Anos" (versão lusa para "Ob-la-di-Ob-la-da" dos Beatles), "Furtivo Olhar", "Uma Velha Foi À Feira" (flertando naturalmente com a tropicália!) e "Let Me Live My Life".

Não demorou para que divergências internas se acirrassem e provocassem a cisão da trupe. Para um lado, seguiu-se o vocalista Carlos Nelson, que gravou um single sob o nome Carlos Nelson & Os Inflexos, e por outro lado, seguiram-se os demais integrantes que rebatizaram a banda de Os Impacto. Carlos Nelson rumou para uma vertente mais folk-lissérgica enquanto que Os Impacto assumiam uma faceta mais blues-garageira. Contudo, ambos os lados mantiveram-se fiéis à sonoridade do epê, provando que mesmo as diferenças mais gritantes existentes entre si não podiam separá-los do que faziam melhor: boa música, com identidade própria!

Agora, como trata-se de material raro e impossível de se encontrar pelas vias comerciais regulares, uma boa dica para adquiri-lo é baixar pelo Soulseek ( o melhor dos programas P2P ) o epê d'OS INFLEXOS e a série Portuguese Nuggets.

Por enquanto é isso meus caros. Um grande abraço e até a próxima!

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Eu sou Max Merege, um incansável pesquisador de bons sons, e dedico a coluna de hoje aos amigos e mestres Labi, Dalila e João Batalha, que além de apostarem em mim, muito me ensinaram sobre Moçambique e Portugal.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

MEIO SÉCULO DE ROCK

MEIO SÉCULO DE ROCK

De colunas do max


Ser cotada pelo GUINNESS BOOK como a banda de rock mais ativa da história não é para qualquer um. Afinal, trata-se de uma trajetória de 50 ininterruptos anos na estrada, longe de tournées caça-níqueis e de revivals oportunistas, apenas fazendo o que de melhor sabe fazer: Rock'N'Roll!

Filhos de um ator coadjuvante de chanchadas e de uma ex-cantora da Rádio Nacional, os irmão Barros - Renato, Paulo Cezar e Ed Wilson - iniciaram sua carreira nos idos de 59, fazendo mímicas em um famoso programa da extinta rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro, sob o nome de "Os Bacaninhas do Rock da Piedade". Saíram-se terrivelmente mal!...

Transtornados com a situação, trancaram-se por um bom tempo em casa para aprenderem a tocar devidamente os instrumentos. E assim aprenderam!




Voltaram logo à rádio! O pessoal da produção ficou tão abismado com a persistencia dos meninos que enfim os deixou tocar por lá.

A nova banda se chamava "Renato & Seus Blue Caps", que além dos 3 irmãos, contava também com a presença de dois amigos seus: Euclides (guitarra) e Gelson (bateria), que também tocariam com a banda Luizinho & Seus Dinamites. Fizeram um grande sucesso!....

Entretanto, naqueles dias, Renato, o irmão mais velho, frequentemente era visto nos escritórios das gravadoras do Rio, já que ainda não tinham gravado nada e procuravam por um selo que os aceitasse. Contudo, foi pela Ciclone, uma pequena gravadora carioca, que conseguiram lançar dois discos de 78 rpm: um, acompanhando o conjunto vocal "Os Adolescentes" e outro, acompanhando um cantor chamado Toni Billy.

Depois das gravações "menores", surgiu a oportunidade da gravadora Copacabana, pela qual lançam entre 61 e 63, dois LPs e alguns single em 78rpm. Neste meio tempo, Ed Wilson deixa a banda para seguir carreira solo, entrando para o seu lugar um cantor que então se lançava: Erasmo Carlos, o legítimo Rei! Nessa fase, gravam um bom disco (63) com a famosa "Lobo Mau", versão para "The Wanderer" de Dion DiMucci.




Pouco tempo depois, Erasmo também deixa a banda para seguir carreira solo... mas a grande chance mesmo vem quando um amigo, o então novato Roberto Carlos os chama para lhe acompanharem em "Splish Splash". O disco foi um "estouro", a banda acabou faturando um contrato com a CBS e, de quebra, Renato & Seus Blue Caps acabaram se tornando a "banda da casa".

De 1964 a 69, os vocais ficaram por conta de Paulo Cezar e Cid. O próprio Renato cantava pouco, mas em compensação, sua guitarra ressoava firme e forte em todas as gravações da banda. Aliás, tido como um dos primeiros "guitar heroes" do rock nacional, Renato Barros também foi um dos primeiros a apostar em moduladores de efeito e a usar sabiamente os distorcedores.

Durante esse período, além das inúmeras composições próprias, a banda se notabilizou por excelentes versões para sucessos internacionais, já que em grande parte dos casos as versões de Renato superavam por aqui nas vendas, as "matrizes" em seus países de origem. Destaque especial para versões de Beatles como "Menina Linda" (I should have known better) e "Feche Os Olhos" (All my loving). Gravaram também muitos clássicos garageiros como "Vivo Só" ("For Your Love", dos Yardbirds), "Você Não Soube amar" ("It's Gonna Be Alright", dos Gants), "Não Posso Me Controlar" e "Tem que Ser Você" ("I can't control myself" e "With a girl like you" dos Troggs), entre outra tantas.

De colunas do max


De suas participações como banda de acompanhamento, cabem vários discos de Wanderlea, Jerry Adriani, Os Jovens, Rossini Pinto, Márcio Greick e um clássico dentre os clássicos, "Roberto Carlos Em Ritmo de Aventura"; isso sem falar nos inúmeros LPs gravados como "banda fantasma" só com sucessos internacionais.

Renato Barros, além de acompanhar grandes nomes da jovem guarda à frente da banda, também foi (e continua sendo) um exímio produtor, pois junto com Raul Seixas, entre 67 e 74, encabeçou muito material da dupla Leno & Lilian e de Jerry Adriani.

Apesar dos espaçados intervalos entre um disco e outro - que se tornaram mais frequentes a partir dos anos 80 - a banda mantém-se ativa e tocando por tudo quanto é canto do Brasil. Hoje, além do próprio Renato, a banda também conta com Cid (sax e vocais) e Gelson (bateria) mais um time renovável de bons músicos para o baixo e os teclados.

Dos demais integrantes, os irmãos Ed Wilson e Paulo Cezar seguem na estrada - junto com antigos integrantes dos Fevers - com o grupo The Originals, tocando velhos clássicos e resgatando tesouros do lado B.

Agora é bom salientar - como um desabafo deste colunista - que Renato & Seus Blue Caps não é "entretenimento de tiozinho", mas Patrimônio Legítimo do Rock Nacional, merecedor de todas as glórias e reverências possíveis.

De colunas do max


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Max Merege é um pesquisador que valoriza muito a jovem guarda e que tem cacife sufuciente para dar lição em muito entertainer fanfarrão que tem por aí à solta.

MAX MEREGE APRESENTA: Rogério Sganzerla – o abismo da marginalia cinematográfica - por Cleiner Micceno


No final dos anos 40 e durante os anos 50 bem no período pós guerra a Itália se reconstruía social e culturalmente com o neorrealismo de Rossellini e Vittorio de Sica, com filmes que usavam como cenário a própria realidade, assim como atores amadores e pessoas do povo. E com inspiração nessa estética e nesses preceitos alguns cineastas como Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Rui Guerra, Carlos Diegues, entre outros, na década de 60, começam a tomar essas idéias e colocá-las em pratica com o velho bordão do Glauber Rocha “uma idéia na cabeça e uma câmera na mão” começa ai saga do cinema novo no Brasil, com obras como “Os Fuzis”, marco inicial de Rui Guerra, e "Deus e o Diabo na Terra do Sol" de Glauber Rocha, um cinema de esquerda, contestatório, adaptado a realidade brasileira, mas mesmo assim ainda cheio de ranços e de cineastas que com o passar dos anos virariam a casaca, os ideais e suas raízes.

No final dos anos 60 alguns diretores que até então tinham simpatia (ou saíram direto do berço do cinema novo), começaram a contestar a lei estética vigente, tendo como pais espirituais Ozualdo Candeias com seu grande filme “ a margem” de 1967 e o agressivo José Mojica Marins com o genial “a meia noite levarei sua alma”.diferentes do cinema novo com uma estética seminal e agressiva, beirando o surreal, um cinema cru, filosoficamente muito distante do ufanismo intelectual engajado dos cinemanovistas, nascia ai a base do cinema marginal.

A boca do lixo, no centro velho de são Paulo o quadrilátero delimitado pela Duque de Caxias, Timbiras, São João e Protestantes (região da sta Ifigênia e praça da republica) foi o berço do cinema marginal que foi pejorativamente chamado de Udigrudi por Glauber Rocha uma corruptela abrasileirada de UNDERGROUND, a boca que contava com a maior concentração por metro quadrado de prostitutas e bandidos e escroques de todos os tipos, devido a estação de trem ali próxima e onde vieram parar um sem numero de produtoras de filmes, que viabilizou vários diretores iniciantes a começarem suas obras nesse espaço maldito, regado a sexo e malandragem.

E dessa mesma boca saem vários diretores que viriam a formar a nova estética, rompendo com o cinema novo, trazendo um cinema irônico, urbano, e libertário sintonizado com a contracultura e as vezes pagando caro por isso, com obras com dificuldade de serem exibidas, de prejuízos e até mesmo impossibilidade de apresentação de trabalhos prontos por muitos anos, seja pela censura ou não fazer parte de um establishment imposto pelos distribuidores e por puro boicote da censura oficial assim como de certas pessoas descontentes.

É dessa realidade que vem uma leva de novos cineastas como Carlos Reichenbach, Andrea Tonacci e logicamente Rogério Sganzerla.

Sganzerla é um cineasta sui generis, dono de uma estética forte com influencias de vários cineastas como Samuel fuller , Godard e Orson Welles, em sua obra inicial “ O bandido Da Luz Vermelha” de 1968, ele tem uma relação de amor e ódio ao cinema novo, a quebra da estética formal de narrativa para fazer um filme urbano, mas imerso na cultura nacional, outsider por definição, a primeira frase que se ouve do bandido no filme “quem sou eu” complementada depois por “...quando a gente não pode fazer nada a a gente avacalha, avacalha e se esculhamba”reflete essa idéia de estar fora de uma posição definida dentro de um conceito pré concebido, uma pergunta existencialista que permeia toda obra desse cineasta que sempre esteve contra a maré mas se mantendo sempre fiel a seus ideais estéticos e filosóficos.

Eu acho que o cinema é uma atividade produtiva: manter a língua, a imagem do nosso país” diria sganzerla pouco antes de falecer em 2004, e ele fez isso com maestria no bandido. Usando a linguagem coloquial espontânea dos personagens que surgem desse submundo das entranhas de são Paulo dos anos 60

as frases que marcam o filme são afirmações metafóricas sobre a realidade social e política brasileira a beira do recrudescimento da censura “... o terceiro mundo vai explodir e quem tiver de sapato não sobra” é repetido a exaustão, o mosaico que o bandido forma com, políticos coronelistas , pela força repressiva policial, pela fauna que circula pela metrópole suja, fazem parte desse microcosmo social brasileiro sem muita perspectiva, que é agravada pela imprensa sensacionalista marcada pela narração renitente, que se desenvolve durante o filme, uma relação anárquica com os valores instituídos, dando destaque a marginalia e a vida no fio da navalha.

Sganzerla continua a saga dos desvalidos e amorais em “ a mulher de todos” filme, que ele depois de inteiro editado teve de recorrer a restos de cenas pra conseguir que o filme atingisse o tempo necessário de um longa metragem. O filme tem sua mulher Helena Ignez no papel principal de Ângela carne e osso a inimiga numero um dos homens, sganzerla vai fundo na sátira aos valores burgueses e vazios da sociedade em plena decadência, com suas relações efêmeras e o vazio atrás das mascaras sociais.

Já em 1970 ele vai para o rio onde com Julio Bressane formam a bel-air filmes , dessa época datam “sem essa aranha” , “betty bomba, a exibicionista” e o “Copacabana mon amour” que tem a desglamourização da imagem carioca de cartão postal como seu principal tema, o que Sganzerla faz com uma ironia certeira

o cineasta passa por uma fase complicada ficando sem lançar nenhum longa de 1971 até 1977 quando termina o “abismu” filme enigmático feito com recursos próprios, com Norma Bengell, José Mojica Marins, wilson grey e Jorge loredo, o filme passa por uma maratona para poder ser lançado, norma bengell vendeu um apartamento para que fosse concretizada a produção do filme de sganzerla que sofre uma espécie de repressão velada por parte dos exibidores, ele fala sobre isso em 1981 quando o filme já teria conseguido aval da censura mas não conseguia salas de exibição:

o que fazer diante do arbítrio de incompetência treinada? Eu, que não sou burro, sempre soube que existe um boicote contra meus filmes. Falei demais? Saibam que por idealismo nunca calei-me diante do fato de intuir precocemente as coisas. Serei tão importante e ameaçador assim? Se fui considerado dos mais criativos realizadores do País, por que cuidadosamente não deixam ir às telas... ou seja tenho filmes arquivados há dez anos... que tal ? Não seria um boicote armado pelos intelectuais de araque?”

Esse não seria o ultimo embate de sganzerla com dificuldades de lançar um trabalho.

A obsessão pessoal de sganzerla pela vinda de Orson Welles ao Brasil em 1942 para gravar “it´s all true (é tudo verdade)” rendeu uma série de trabalhos sobre o tema , a garimpagem sobre isso começa ainda em 1980 e tem como resultado: “nem tudo é verdade” de 1986, “A linguagem de Orson Welles” curta de 1989 e “É Tudo Brasil” de 1997 e o ultimo trabalho de sganzerla, já fragilizado com um tumor no cérebro, “o signo do caos” de 2003 um anti-filme, com questionamentos profundos sobre o fazer cinema no Brasil, com mistura de drama e thriller policial e ainda as ultimas partes sobre welles, foi mais uma maratona árdua para conseguir apoio e lançar o filme depois de pronto. Concretizado o tão esperado lançamento e conseguiu o premio candango de ouro por seu filme no 36° festival de cinema de Brasília mas por estar debilitado não conseguiu ir até a premiação.

Morreu no dia 9 de Janeiro de 2004, vítima de um tumor no cerébro e deixando na cultura nacional um vácuo difícil de ser preenchido.


Quem tiver de sapato não sobra






Filmografia de rogério sganzerla


domingo, 10 de maio de 2009

BACHARACH




Se a população ocidental cresceu a olhos vistos entre as décadas de 60 e 70, muito disso se deve a Burt Bacharach... E não é nenhum exagero afirmar isso, pois muita gente foi gerada ao som de muitos de seus incendiários hits românticos como: "Raindrops Keep Fallin' On My Head" (BJ Thomas), "The Look Of Love" (Dusty springfield), "Close to You" (The Carpenters), "Walk On By" (Isaac Hayes), "What's New, Pussycat" (Tom Jones), "What the World Needs Now is Love" (Jackie DeShannon), "I Say A Little Prayer" (Aretha Franklin), "My Little Red Book" (Manfred Mann), Casino Royale (Herb Alpert & Tijuana Brass), "Baby, It's You" (The Beatles), "Any Day Now" (Elvis Presley) e "Wives and Lovers" (Frank Sinatra) e inúmeros tantos mais...
Filho de pais judeus, Burt Bacharach nasceu no sul dos EUA em 1928. Estudou música em grandes conservatórios e universidades, serviu nas forças armadas e também tocou piano em muitos e muitos bares dessa vida.
Mestre nas ambientações, assim como Phil Spector, Frank Zappa e Brian Wilson, Bacharach ganhou notoriedade como um maestro da easy listening music (música de fácil audição), mesmo com toda complexidade envolvida em suas composições. Compôs músicais para a broadway e fez inúmeras trilhas sonoras para filmes hollywoodianos, mas foi mesmo na (re)criação do pop que seu nome de fato se fixou.
Fã confesso da mpb, não poupa elogios (e também algumas críticas) a astros como Ivan Lins, Milton Nascimento e Djavan, isso sem falar na forte ligação com Sérgio Mendes, possibilitada pelo amigo comum Herb Albert.
Entre o final dos anos 50 e começo dos 60, ele foi o maestro da diva Marlene Dietrich e com ela emplacou inesquecíveis hits, principalmente versões germânicas para muitos sucessos da lingua inglesa. Aliás, de encontro ao que dizem as más línguas, Burt Bacharah nunca namorou a estrela alemã, mas sim, fora um grande amigo e discípulo seu.
Como um bom superstar, em sua vida casamentos não faltaram. Afinal, o cara se casou umas 4 vezes em 50 anos. De suas ex-esposas, figuram musas dos cinema nas décadas de 50 e 60 como Paula Stewart e Angie Dickinson.
Dentre seu maiores parceiros e interpretes, nomes como o do letrista Hal David e da cantora Dionne Warwick são presenças costantes em tudo o que lhe diz respeito, haja vista que, segundo o próprio, se suas música tem palavras, são as de Hal David; e, se têm uma voz, é a voz de Dionne Warwick. Precisa dizer mais?
Agora, por que escrever sobre Burt Bacharah? Porque ele simplesmente é um dos maiores mitos do pop ainda vivos ( 80 anos! ) que está em tour pelo Brasil. Tem aparecido em inúmeros programas de entrevistas e jornais pelo país. Várias das publicaçõe musicais também têm prestado sua reverência a esse semi-deus da cultura ocidental contemporânea, e para nós, da Folha do Estado, não poderia ser diferente.

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Max Merege, além de entusiasta da boa música, não nega a possibilidade de também ter sido concebido ao som de "Raindrops Keep Fallin' On My Head".



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19 de Abril de 2009
Coluna ENROLANDO O ROCK / Caderno FOLHA 3
Jornal FOLHA DO ESTADO
Cuiaba - Mato Grosso

PSYCHOBILLY + CRAMPS

Paternidade de um estilo bastardo

Até hoje sua origem provoca discussões acaloradas, pois enquanto para alguns, surgiu nos EUA, em 1975, com a banda The Cramps; para outros, a coisa nasceu mesmo na Inglaterra, em 1980, com a banda The Meteors. Fato é que um bom psychobilly pode se resumir a um aguçado senso de humor-negro, combinado com frases musicais pra lá de manjadas de country e blues, mas com uma dose cavalar de malandragem que estilo nenhum poderia propiciar. Enfim, trata-se do estilo que melhor funde rock'n'roll e demência!
A configuração dos instrumentos é a mais básica possível: uma guitarra semi-acústica, um contrabaixo acústico do tipo rabecão e uma bateria com meia-dúzia de peças para se tocar de pé. Simples, porém incrivelmente eficaz!
Dentre suas maiores influências, podemos citar muita música demente dos anos 50 e 60 (principalmente!), filmes de terror e quadrinhos também.

Lux Interior & Poison Ivy, THE CRAMPS - banda marco zero!


Segundo os Cramps, a banda "marco zero" do estilo, suas referências musicais se apresentam em três pincipais eixos: rockabilly, surf music e 60's garage.
Quanto aos filmes, quanto mais barato e medonho, melhor! Recomenda-se muita coisa de Roger Corman, Ed Wood, Russ Meyer, H.G. Lewis, Zé do Caixão, George Romero, Tobe Hopper e o Psicose de Hitchcock também. Daí em diante as coisas evoluem para melhor como faroeste italiano, kung-fu chinês, exploitation, superman turco, batman indiano etc. Enfim, tudo em nome de uma boa diversão.




O Epicentro Europeu



"THE METEORS - Reis do psychobilly europeu"

Apesar da influência nitidamente norte-americana, o psychobilly aconteceu mesmo na Europa, a começar pelo lendário Klub Foot de Londres, que além de receber nomes locais como os Meteors, Guana Batz, Sharks, Coffin Nails, King Kurt, Restles e Frantic Flintstones, recebia também muitas bandas vindas de outros cantos da Europa, como era o caso da holandesa Batmobile ou das alemãs P.O.X. e Sunny Domestoez.

Hoje, no lugar do Klub Foot existe uma estação de trem, mas isso não significou o fim dos shows, pois de um jeito ou de outro a coisa continuou bombando pela Europa. Na Dinamarca os Nekromantix já apavoravam com sua combinação insana de psychobilly e speed metal; na Alemanha, o Mad Sin já quebrava tudo e ilhas britânicas, Demented Are Go! (Gales) e Klingonz (Irlanda) literalmente bagunçavam o coreto!



Brasil

Hulkabilly (centro) e seus KÃES VADIUS, formação 2009

Quanto ao Brasil, no ABC paulista a banda Kães Vadius abria o caminho para outros conterrâneos como o S.A.R. e os K-Billy's, e para os cariocas d'A Grande Trepada (a.k.a. Big Trep). Em '89 foi lançada a coletânea Devil Party, a primeira compilação do gênero por aqui. No mesmo período, o finado selo Stiletto lançava os discos "Sewertime Blues" dos Meteors, e "Live Over London" dos Guana Batz, que também vieram tocar no Brasil, bem como as memoráveis apresentações dos Stray Cats.

Paraná


De colunas do max


Nos anos 90, enquanto a Europa era sacudida por uma enxurrada de bandas psycho, Curitiba se tornava o principal centro do gênero no continente americano. Começou com os Missionários, seguiu com os Cervejas, Os Krápulas e Ovos Presley, e teve seu ápice com os Catalépticos, entre '97 e '06.

A cena curitibana ganhou renome internacional não só com o sucesso d'Os Catalépticos em terras européias, mas também por meio de dois grandes festivais: o Psycho Carnival, que abrange os dias do carnaval; e o Psycho Fest, que rola geralmente entre julho e setembro. Ambos contam, todos os anos, com a presença de algumas bandas gringas de renome, e tudo isso, contando com um público oriundo de todas as partes do Brasil e do mundo.




Cartaz PSYCHO CARNIVAL 2009



De lá pra cá, uma fortíssima cena desenvolveu-se em Londrina e as únicas bandas curitibanas do primeiro "boom" que sobreviveram foram Krápulas e Ovos Presley. Muitas outras grandes bandas surgiram depois, mas isso já é um assunto para a gente comentar outro dia.


Oportunidade em Cuiabá

Peter G.Vögeli, fundador dos CENOBITES (Rotterdan - NL)


Aliás, como Curitiba terá um Psycho Carnival nos dias 19 e 20, os holandeses do Cenobites, aproveitando a passagem pelo Brasil, tocarão em Cuiabá também, na sexta-feira, dia 20 de Fevereiro. De fato é uma pena que as bandas de abertura sejam muito aquém ao que sua estrada e talento de fato exigem. Enfim, para curtir um bom show de power-psychobilly, vale qualquer esforço... até mesmo aguentar um porre de bandas indigestas. Por hoje é isso. Semana que vem tem mais!

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Max Merege é um sujeito de Cuiabá que conhece e curte psychobilly há mais de 20 anos!

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THE CRAMPS

Bem que esta matéria poderia ser sobre a guitarrista Poison Ivy Rorschach (que no dia 20 completa 56 anos) ou também um belo review sobre o centenário de Carmen Miranda, mas a coluna de hoje vai para um sujeito incrivelmente fora desta dimensão e que, além de ser uma influência pessoal deste colunista ao longo de duas décadas, também passou a exercer influência pungente no mundo roqueiro desde 1973. Ele se chamava Erik Lee Purhiser, mas que também era conhecido por Lux Interior, o cantor dos CRAMPS, que na quarta-feira, dia 06 de Fevereiro, morreu aos 62, de problemas cardiácos.


Lux Interior e Poison Ivy Rorschach (Kristy Marlana Wallace) se conheceram em 1972, na lissérgica Califórnia. Ele, um ex-aspirante a monge budista, fã de Elvis e curtidor de filmes-B; ela, uma menina interiorana com ares hippies, que estava aprendendo a tocar guitarra, sob influência de Link Wray, Duane Eddy e Dick Dale. Apaixonaram-se e passaram a morar juntos. Seguiram para Ohio, conheceram o guitarrista Brian Gregory e formaram a banda THE CRAMPS, que em seguida se mudaria para New York, para tocar direto no famigerado CBGB's. Lançaram uma série de singles que mais tarde sairiam reunidos nos lps "Off The Bone" e "Bad Music For Bad People" (83/84), sob a tutela de Alex Chilton.



Por 12 anos, não usaram baixo em suas músicas, apenas "paredões" formados por duas ou mais guitarras.
Apesar de serem norte-americanos, tornaram-se cult na Europa e suas tournées pelo velho continente também viraram uma constante.
Fiéis aos seus princípios, mantiveram exatamente a mesma atitude e sonoridade ao longo de 35 anos de estrada, comparável apenas aos Ramones (in memorian) e ao Motörhead.
Criaram de fato o Psychobilly (vide Enrolando O Rock, 08/02/09) e o Garage Punk. Dentro da cultura pop, foram os primeiros a transformar o trash em cult, em dimensões jamais alcançadas. Lançaram uma média de 15 discos oficiais e também puderam contar com milhares de bootlegs ao redor do mundo. Isso tudo sem falar nos vários tributos que também foram feitos em sua homenagem.


Apesar de terem colecionado clássicos atrás de clássicos (mesmo sendo estes "resgates" de tesouros obscuros do rock), os Cramps só ganharam mesmo notoriedade a partir do disco "Stay Sick" (90), o que alçou sua carreira para outro patamar, sem que precisassem deixar de ser os Cramps que sempre foram.
De sua formação original, só restara mesmo o casal, sendo que pela banda já haviam passado uns 30 músicos diferentes ao longo dos anos.
Energia, paixão e entrega! assim eram os shows dos Cramps, que mesmo nunca tendo vindo tocar no Brasil, deixaram um belo legado sonoro e visual de shows, que podem ser muito bem achados no youtube.

Para Lux Interior, que faça muita fuzzarca, onde quer que esteja! E para Poison Ivy, nossas sinceras condolências. Afinal, vai demorar muito para aparecer outro Lux na face da Terra.

Discografia Básica: Gravest Hits (1979); Songs The Lord Taught Us (1980); Psychedellic Jungle (1981); Off The Bone (1983); Smell Of Female (1983); A Date With Elvis (1986); Rockin n Reelin in Auckland New Zealand (1987); Stay Sick (1990); Look Mom No Head (1991); Flamejob (1994); Big Beat From Badsville (1997); Fiends In Dope Island (2003);

Coletâneas: Bad Music For Bad People (1984); How To Make A Monster (2004); The Secret Life Of The Cramps (2006)

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Max Merege aprendeu realmente a apreciar um bom rock com Cramps e Ramones, também.

Publicado no caderno Folha 3, Jornal Folha do Estado, Cuiabá-MT - 08 e 15 de Fevereiro de 2009