terça-feira, 8 de dezembro de 2009

TOM WAITS for me and you...


A coluna de hoje bem que poderia falar sobre o mítico dia 8 de dezembro, no qual nasceram David Caradine (1933), Jim Morrison (1943), Kim Bassinger (1953) e Marty Friedman (1963),e morreram caras como John Lennon (1980) Tom Jobim (1994) e Dimebag Darrell (2004); entretanto, é sobre uma figura pra lá de carimbada, que neste dia 7 completa exatos 60 anos e que há muito queríamos que caísse pelos cantos desta coluna: Tom Waits.

Com sua voz rouca e grossa, enxarcada de álcool e cigarros, Waits nos transporta para um mundo povoado por antiheróis que, de um jeito ou de outro, fazem de seus dias histórias memoráveis.

Thomas Alan Waits, ou simplesmene Tom Waits, nasceu na cidade de Pomona, na California, no dia 7 de dezembro de 1949. Filho de uma mãe noroeguesa e de um pai irlandes, desde cedo aprendeu a apreciar a boa música, pois além das influências folk de berço, seu aprendizado foi marcado pelas viagens que fazia com o pai para o México, onde aprendeu a apreciar as canções dos mariachis. Começou a tocar por conta própria, fuçando os instrumentos da vizinhança: violões, harmônicas e pianos.

Em meados da década de 60, resolveu que deveria formar uma banda. Contudo, nada do que se produzia então lhe agradava aos ouvidos. Somente em 1972, após inúmeras tentativas frustradas de gravar algo é que Waits finalmente assina com a Asylum Records e consegue fazer o seu primeiro disco: "Closing Time"; lançado só ano seguinte. A crítica não deu muita bola, mas o álbum chamou a atenção de gente como Tim Buckley, que regravou "Martha" em seu disco "Sefronia", e The Eagles, que apresentou uma interpretação muito particular de "Ol' '55".

Eis que o artista ganha uma projeção cada vez maior e marca a década de 70 com uma série pérolas como: "The Heart of Saturday Night" (1974), "Nighthawks at the Diner" (1975), "Small Change" (1976), "Foreign Affairs" (1977) e "Blue Valentine" (1978); obras nas quais destilaria toda sua veia de contador de histórias de amor, ódio, violência, paixão, nirvanas e perversões, e onde as influências de blues, jazz e vauldeville o fariam muito mais punk que os punks de então.

A década de 80 começa com o disco "Heartattack and Vine", que vem com a clássica "Jersey Girl", marcando sua saída da Asylum. Ainda em 1980, Waits começa uma grande parceria com Francis Ford Copolla, atuando e gravando a trilha sonora para o filme "Do Fundo do Coração", ao lado da cantora Crystal Gayle, e onde, além de uma trilha sonora cotada para o Grammy, conquista o coração de Kathleen Brenan, sua musa, produtora e companheira até hoje.

Sainddo da Asylum, Tom Waits assina com a Island, e a partir de então lança uma trilogia no melhor estilo Kurt Weil, formada por: "Swordfishtrombones" (1983), "Rain Dogs" (1985) e "Frank's wild Years" (1986). Essa série contou com importantes contribuições, de caras como Marc Ribot, Robert Quine e Keith Richards. Seu maior sucesso foi a música "Downtown Train", que inclusive foi regravada por Rod Stewart. Ainda em 1986, Waits participa do filme "Down By Low", de Jim Jarmush, e de quebra ainda toca piano e canta da música "Sleep Tonight", do album "Dirty Work" dos Rolling Stones.

Nos anos 90, participou de diversas trilhas para musicais. Com os discos "Bone Machine" (1992), "The Black Rider" (1993) e "Mule Variations" (1999) seu nome atingiu status há muito esperado. De um temos "I Don't Wanna Grow Up", de outro "It Ain't No Sin", honrada pela presença do escritor William Borroughs, e por fim a comovente "Hold On". Em 1994 contou com uma regravação de Johnny Cash para "Down Here By The Train" e, no ano seguinte, foi homenageado pelos Ramones com uma interpretação muito própria para "I Don't Want To Grow Up". Em 1992 e 1999 ganha o Grammy.

Nos anos 2000, sua aura cult ganhou novos contornos e Waits lançou várias maravilhas como "Alice" e "Blood Money" (lançados simultaneamente em 2002), "Real Gone" (2004), uma coletânea tripla de lados b "Orphans: Brawlers, Bawlers & Bastards" (2006), e mais recentemente, a coletânea dupla ao vivo "Glitter And Doom" (2009).

Ano passado, a atriz Scarlett Johanson gravou "Anywhere I Lay My Head", um cedê só com músicas de Waits, e para completar, o paranaense Carlos Careqa também fez "À Espera de Tom", só com releituras em portugues para a obra do mestre. Em São Paulo, a pianista Cida Moreira, em parceria com o ator André Frateschi, tem apresentado um belo show apenas com músicas de Tom Waits.

Muitos tentaram, mas poucos conseguiram relatar tão fidedignamente o universo dos derrotados - Leonard Cohen e Bob Dylan ainda são os principais nomes; contudo, Waits se destaca por tornar tudo clássico, coisas sujas e belas, limpas e horríveis, andando por meios onde sequer os mais malditos ousaram circular.
Aliás, quem foi que disse que o bom poeta é aquele que só fala das coisas boas e belas da vida? Pois bem, verdade das verdades é que Tom Waits não é um bom poeta, mas um poeta de verdade que canta todos os lados da vida humana, seja na tragédia, seja na comédia.


Conheça a discografia comentada por Cleiner Micceno, no blog STALKER SHOTS

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Originalmente publicado no caderno Folha 3, jornal Folha do Estado, Cuiaba-MT, dia 06/12/2009

VÍDEOS DE TOM WAITS

domingo, 15 de novembro de 2009

THE SPECIALS_DOIS_TONS_E_UM_SOM


The Specials começaram em 1977, na cidade inglesa de Coventry. Combinando elementos do mod inglês e do ska jamaicano, revolucionaram o pop ao criarem um novo estilo, conhecido por 2 tone, tocado por jovens de origem humilde, a maioria de jamaicanos e britânicos de “segunda”.

Ficaram famosos mais por seus singles do que por álbuns propriamente, como "Ghost Town", "Too Much Too Young", “Rudy, A Message To You” e sua estréia com "Gangsters".

Logo depois de ser formado em 1977 por Jerry Dammers, Lynval Golding e Gentleman, a banda começou a tocar em pequenos shows sob o nome de The Coventry Automatics e depois como The Special AKA. Joe Strummer, lider do The Clash, após ir a um de seus shows, convidou-os para abrir para sua banda durante a turnê No Parole UK Tour, o que lhes rendeu um nível de exposição nacional importante, passando a serem agenciados pelos mesmos empresários do Clash.

Em 1979, Dammers decidiu fundar seu próprio selo: a 2-Tone Records; pela qual lançaram o compacto "Gangsters", uma versão para “Al Capone” de Prince Buster, entrando assim para a parada de sucessos. O grupo então adotou o estilo mod em seu visual, bem como outros elementos da moda sessentista britânica.

Seu LP de estréia, Specials, foi produzido por Elvis Costello e a música "Too Much Too Young" ficou em primeiro lugar nas paradas britânicas, apesar de ter sido banida pela BBC por seus versos que falavam de aborto.

Uma presença muito importante na banda foi a do trombonista jamaicano Rico Rodriguez, que fez o clássico riff de “Rudy, A Message To You”, a mais popular regravação para a pérola de Dandy Livingstone.

Seu segundo álbum, More Specials, não teve uma vendagem tão boa quanto os anteriores. A banda tinha praticamente abandonado o ska, apesar de ter sido a principal responsável por seu ressurgimento e popularide no Reino Unido, preferindo uma aproximação mais ambígua e experimental com a música. More Specials trazia vários estilos musicais diferentes, a maioria sem uma definição classificável, mas com traços aparentes de pop e new wave. A banda também experimentou com o que poderia ser chamado de uma versão mais obscura, quase psicodélica do reggae. Devido a sua fama prévia como a banda de ska mais importante de todos os tempos, seus fãs originais ficaram desapontados com a debandada do gênero. Apesar disso, um lado-B do álbum, "Ghost Town", ficou na primeira colocação das paradas.

Mesmo assim, a 2Tone estava com sérios problemas. Staple, Golding e Hall abandonavam o barco. Dammers, por sua vez, convidou Stan Campbell e começou a trabalhar sob o nome Special A.K.A. O resultado, In The Studio, de certa forma foi encarado como um fracasso, embora "Racist Friend" e "Free Nelson Mandela" tenham se tornado sucessos. Dammers então dissolveu o grupo e passou a trabalhar com ativismo.

A banda The (English) Beat, de Birmingham, colaborou em faixas como "Free Nelson Mandela" e mais tarde juntaria-se a integrantes do The Specials para formar no começo dos anos 90 o Special Beat.

Após o final dos Specials, particularmente nos anos 80, Terry Hall continuou uma bem-sucedida carreira com sua banda de new wave Fun Boy Three, ao lado de seus velhos companheiros Neville Staple e Lynval Golding, partindo em seguida para o projeto The Colourfield.

Mais recentemente, apareceram na série de vídeo-game Dance Dance Revolution e na trilha sonora dos filmes Snatch: Porcos e Diamantes e Todo Mundo Quase Morto.

Retorno

No primeiro semestre de 2009, a formação original, menos Jerry Dammers, se reuniu para uma séries de shows em comemoração ao trigésimo aniversário de lançamento de seu primeiro elepê, inclusive na lendária Brixton Academy.


Legado

E a influência dos Specials se espalha pelo mundo e no tempo...

Exemplo é que na própria Inglaterra, a famigerada Amy Winehouse é tão devota deles que inclusive os homenageou na capa do single You're Wondering Now”, faixa “coverizada” a partir da versão dos Specials. , o que lhe rendeu participação mais que especial cantando junto com os veteranos. (e sóbria, pasmem!). Tamanho é o carisma da banda, que foram justamente homenageados pela grife britânica Fred Perry com uma linha especial de roupas esportivas que levam o seu nome.

Particularmente, no rock brasileiro, The Specials exerceram uma influência fortíssima sobre muitos dos expoentes da década de oitenta, como Ultraje A Rigor (que inclusive regravou "You're Wondering Now") Titãs ("Homem Primata"), Legião Urbana ("O Reggae") e, principalmente, os Paralamas do Sucesso, que literalmente “clonaram” seu estilo nos primeiros discos, mas isso já é assunto para um outro dia.

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VÍDEOS DOS SPECIALS

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

HUM ANO DE COLUNA DO MAX

É verdade, meus caros!
Hoje a COLUNA DO MAX completa um ano e acreditem: é uma alegria imensa poder compartilhar isso com todos!
Começou timidamente sob o nome de "Enrolando O Rock", afim de homenagear o pontapé inicial no rock brasileiro, pois tratava-se não apenas de uma coluna mas também do pontapé inicial de uma nova era em nosso jornalismo cultural, capitaneada por nossa querida editora, a jornalista Lidiane Barros, que soube como ninguém apostar nos melhores nomes para fazer do Folha 3 o maior caderno de Cultura de Mato Grosso.
A primeira "matéria" publicada foi uma modesta notinha sobre a participação do nosso Branco Ou Tinto em um importante prêmio (à época a banda acabou não levando o caneco, mas há poucas semanas atrás faturou um prêmio bem mais emblemático e significativo). Com menos de um mês em atividade, tivemos um "boom" evolutivo e a então humilde coluna tornou-se um espaço para se falar da história do rock e daqueles que deram seu sangue para transformar o mundo através da música jovem.

nosso Branco Ou Tinto


Muito se escreveu aqui sobre a vida e a obra desse menino cinquentão chamado rock'n'roll e muito também foi possível "desenterrarmos" preciosidades que, mesmo a grande mídia tendo afastado de nosso convívio ao longo de anos, a internet nos presenteou por meio de maravilhas como blogs, programas P2P e de comunidades virtuais onde muitos desses mistérios acabam sendo desvendados.
Bem sabemos que nossa amada Cuiabá, apesar de suas incontáveis virtudes e do povo mais querido do mundo, ainda nutre uma forte resistência a tudo que carregue o nome "rock". Contudo todo esforço sempre valerá a pena, já que o rock em nossa cidade tem se encorpado a cada dia, ainda mais quando modismos são suprimidos em prol da criação de algo maior que vença as barreiras do tempo e espaço, não necessariamente com a qualidade de um "produto fonográfico", mas como uma força transformadora e um meio seguro de expressão.
Digam o que quiserem, mas verdade das verdades é que o rock ainda é a melhor forma que existe para o jovem ingressar na música, seja como músico propriamente ou apenas um apreciador exigente, pois é na onda desse embalo que muitas outras iguarias sonoras acabam pegando carona: mpb, reggae, brega, samba, blues, jazz, forró, canções folclóricas, música sertaneja etc; afinal, se o jovem aprende a apreciar música através do rock, certamente aprenderá a apreciar outras tantas coisas mais, sem que para tanto precise se prender a tendências ditadas por gravadoras e propagadas por nossa paupérrima teleradiodifusão.
O que fazemos aqui ainda é um trabalho ínfimo se comparado à vastidão da internet e de toda informação que podemos adquirir. Entretanto, de nada adianta a informação infinita se não soubermos como usá-la e é justamente com esta finalidade que levamos nosso trabalho tão a sério, compatilhando com nosso leitor toda informação a que tivemos o privilégio ter o acesso.

Dengue Fever: khmer-rock made in USA;
citado pela primeira vez no Brasil
através da Coluna do Max.



Agora digam: qual veículo no Brasil, por exemplo, ousou falar sobre rock asiático com o mesmo fervor que outros grandes gastam para exaltar frivolidades do momento, sem contar com um níquel de "jabá"? Ou melhor, qual veículo compartilha prazerozamente com seus leitores maravilhas do underground como se fossem as bandas do bairro? Nenhum! Apenas a Folha do Estado! E para Mim (em primeira pessoa) é um orgulho gigantesco poder escrever para um jornal que mesmo "preso" à forma física de outros tantos, ainda assim sobressai-se na disposição nada ortodoxa de seus conteúdos cujos efeitos são percebidos em tempo integral na forma de agir e de pensar de seus leitores.

Um grande abraço a todos e até a próxima.
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Max Merege, é um orgulhoso colaborador do Caderno Folha 3 há exatos 12 meses.

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Originalmente publicado dia 25 de Outubro de 2009, no caderno Folha 3 do jornal Folha do Estado, Cuiabá-MT

O Barco dos Piratas do Rock



Houve um tempo, ainda no século XX, em que o termo "pirataria" se associava facilmente à idéia de trangressão do sistema vigente, cujo único lucro era a alegria de poder derrubá-lo. Surgia o "bootleg", mais conhecido como "disco pirata", feito a partir das sobras de estúdio ou de shows não-oficiais que as gravadoras faziam questão de manter fora do alcance do público, pois comprometeria imagem do artísta. Existia também a idéia da "rádio pirata" que, longe do que se tornou hoje em dia, funcionava como um instrumento libertário e tocava tudo o que as rádios oficiais não tocavam.
O filme "Os Piratas do Rock" (The Boat That Rocked) traz à tona justamente esse assunto, já que mesmo sendo uma história fictícia, apresenta-nos todo um contexto do que existia naqueles tempos, não apenas na Europa, mas em todo mundo. O rock em um de seus melhores momentos, o advento da pílula contraceptiva e o amor livre, o prenúncio de mudanças profundas no mundo...
Ambientado em 1966, sua história gira em torno duma rádio pirata instalada em um navio pesqueiro ancorado no Mar do Norte, Grã Bretanha. Enquanto a principal rádio inglesa, a BBC, dedicava apenas 45 minutos de sua programação diária para tocar rock e música pop, a Rádio Rock surgia como a melhor das alternativas, com 24 horas dedicadas à veiculação do som rebelde da juventude, sob o comando de 8 djs remanescentes da geração beat, numa clara homenagem às rádios que lubrificaram o rock na Europa: Caroline, Essex, CNBC e Sutch (Reino Unido), Veronika e Noordzee (Países Baixos).
Além de um excepcional elenco recheado de astros shakespeareanos - Bill Nighy, Kenneth Branagh, Philip Seymour Hoffman, Nick Frost, Rhys Ifans etc; o filme também conta com uma ótima fotografia e um enredo muito bem traçado. Entretanto, a obra traz como sua "cerejinha de bolo" uma trilha sonora escolhida a dedo, com os maiores nomes do rock da época: Rolling Stones, Yardbirds, The Who, Beach Boys, Easybeats, Ronettes, the Four Tops, Jimi Hendrix, Arthur Brown etc etc etc.
Curiosamente, mesmo tendo sido lançado em maio na Iglaterra e d'o lançamento no Brasil oscilar entre outubro de 2009 e fevereiro de 2010 (mistério corporativo que só a Universal saberia explicar), as cópias que se encontram à nossa disposição são piratas. Isso mesmo! Como o filme já saiu em dvd lá fora e os arquivos da internet já tem uma fonte segura que não as salas de cinema, este já se tornou uma figurinha fácil de se achar por aí.
Enfim, "Os Piratas do Rock" é um filme que vale ser assistido de qualquer jeito, ao menos até o lançamento de um dvd oficial, recheado de extras e tudo mais que venha para o deleite dos fãs.

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Originalmente publicado dia 18 de Outubro de 2009, no caderno Folha 3 do jornal Folha do Estado, Cuiabá-MT

FUZZTONES


Nada mais comum que torcer o nariz quando se fala em banda cover, afinal (quase) todas se acomodam à vidinha de tocar as mesmices do rádio ou roquinhos pra lá de manjados (e que em nosso cuiabazão, exemplos não faltam). Outra coisa também são os plagiadores do lugar comum, cujas referências figuram no top da moda, pois para tal basta ver a quantidade de bandinhas que vendem a imagem de "autoral", mas que não passam de cópia discarada e chinelenta de pretensos "cults" que rodam à exaustão em inúmeros veículos de projeção comercial.
The Fuzztones não é uma banda de Cuiabá, mas bem que poderia ser, pois funciona como uma perfeita lição de que para se apresentar boa música, não precisa apenas compor bem, mas ter o feeling para saber o que é bom e o que que não é para se tocar.
A banda surgiu no finzinho dos anos 70, quando o cantor e guitarrista Rudi Protrudi (que inclusive fora baixista dos Dead Boys) desfez sua banda de punk rock, o Tina Peel, para iniciar uma empreitada ousada: desenterrar pérolas obscuras do rock garageiro e apresentá-las a um público ávido por bons sons, numa época em que ninguém sonhava em baixar músicas.
Algo perfeitamente plausível, uma vez que mesmo o rock tendo sido revigorado pelo punk nos anos 70, os 80 começavam de modo bizarro já que com o surgimento da alegre new wave, muitos zumbis da cena progressiva reapareciam na carona (Yes, Alan Parsons etc) e o synthpop, por sua vez, saia do armário. Logo, nada mais justo que uma nova turma voltar a chacoalhar as estruturas viciadas. Aparece o garage revival que, junto com os Cramps e o britânico Billy Childish, teve (e ainda tem) em Rudi Protrudi e seus Fuzztones, o seu maior expoente!
O nome é uma homenagem ao Fuzztone, primeiro pedal de distorção para guitarra fabricado em escala industrial nos anos 60. Ao longo de três décadas, a banda teve inúmeras formações mas sempre se mantendo fiel ao seu ideário sonoro. Sua discografia conta com aproximadamente vinte elepês e incontáveis singles lançados a toda hora pela europa, sua base de fãs.
Aliás, como na época de seu nascmento o mar não estava para peixe nos EUA, a banda foi tentar a sorte pela Europa com uma tour de três meses, abrindo shows do Damned, e o saldo foi positivo, pois assim como o Iron Maiden conquistou a maior parte de seus fãs no Brasil, com os fuzztones aconteceu exatamente a mesma coisa, só que no continete europeu.
Apesar de ser completamente ignorada no mainstream, Fuzztones é figurinha vip no mundo roqueiro, pois além de terem feito um disco com Shal Tammy (que produziu The Who, Kinks e Easybeats entre outros), gravaram um epê ao vivo com a lenda do voodoo blues Screamin' Jay Hawkins, mandaram ver com a voz Ian Astburry (The Cult, The Doors) no clássico "Down On The Street" dos Stooges e também tocaram com Marky Ramone.
E você, ainda acha que conhece rock? Então vá ouvir Fuzztones e repensar seus conceitos!

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CEDÊS

RELESPÚBLICA - Efeito moral


Quinto cedê do powerpop-trio paranaense que, em vinte anos de história, mostra-se mais firme, maduro e afinado do que nunca. Além da conhecidíssima "Homem Bomba", faixa de trabalho videoclipada por Fábio Biondo, o disco todo vale muitas e boas ouvidas. Tem participações fortes que vão desde super músicos locais a Samuel Rosa (Skank), em "Tudo o Que Eu Preciso". Enfim, um grande disco de uma grande banda de rapazes capazes de tudo. http://www.relespublica.com/




MOTORAMA - Crisis

Sam (Guitarra e Voz), Nicolas (rabecão e Voz) e Lulo (bateria e Voz) botam pra quebrar com um som pulsante entre o psychobilly e o neorockabilly, nitimente marcado por composições forjadas à perfeição. "Crisis" é quase todo cantado em espanhol, a não ser pela excelente regravação de "Do Anything You Wanna Do" (Eddie & the Hotrods) cantada pelo alemão Campino, do Die toten Hosen. Quem foi que disse que a Argentina só serve para exportar chouriço, frente fria e gripe suína?! http://myspace.com/motoramarock


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Originalmente publicado dia 20 de Setembro de 2009, no caderno Folha 3 do jornal Folha do Estado, Cuiabá-MT


VÍDEOS DOS FUZZTONES

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

EASYBEATS


A Australia sempre foi um campo muito fértil em termos de rock'n'roll e de boa música em geral. Poderiamos gastar linhas e mais linhas contando o legado sonoro dessa distante terra, já que muitos nomes são tão corriqueiros em nosso dia a dia: AC/DC, Bee Gees, Olivia Newton-John, Kylee Minogue, INXS, Hooddoo Gurus, John Paul Young, Man At Work, Midnight Oil, Nick Cave, The Saints, Jet, Silverchair, The Living End etc etc etc; logo, nada mais adequado que comentarmos aqui sobre um dos nomes mais importantes dessa cena e, por que não, de toda a história do rock também.


UMA BANDA DO MUNDO

The Easybeats nasceu em 1964, quando uma turma de meninos se juntou para tocar clássicos do rock e do rhythm'n'blues que vinham do outro lado do mundo (EUA). Até aí, nada de anormal... a não ser pelo fato d'essa turma já ser em si o reflexo de uma pungente produção cultural australiana que florescia a partir dos imigrantes estrangeiros, uma vez que, de todos os integrantes d banda, mesmo sendo cidadãos australianos, nenhum deles era de fato nascido em solo Aussie. A saber: Stevie Wright (vocais) é ingles, George Young (guitarra) e Snowy (bateria) são escocêses, Harry Vanda (guitarra) e Dick Diamonde (baixo) são holandeses. Estranho? Imagina só! O que acontecia por lá não era muito diferente do que sempre aconteceu em um determinado cantinho do nosso centroeste, pois tomemos como o exemplo o rock de Brasilia, já que a maior parte das bandas que fizeram a cena acontecer eram, em sua maioria, formadas por garotos vindos do Rio de Janeiro, de São Paulo, Minas Gerais e muitos outros lugares do Brasil.


FRIDAY ON MY MIND

Como cada canto do mundo tinha sua banda Beatles, naqueles longínquos meados da década de 60, com a Australia não podia ser diferente e justamente aos Easybeats cabia essa missão.
Em 1965 já eram a banda mais popular de toda a ilha e no ano seguinte, de uma viagem à inglaterra, gravaram o disco "Friday On My Mind" nos estúdios Abbey Road com Shel Tammy, o mesmo sujeito que produziu os maiores sucessos do The Who e dos Kinks. Ainda longe de casa, aproveitaram para excurcionar pela Europa e América do Norte com os Rolling Stones.
Dentre clássicos como "Sorry", "She's So Fine", "Good Times", "Heaven And Hell" e outros tantos mais, "Friday On My Mind" foi certamente o maior sucesso dessa super banda. Inúmeros outros grandes artistas a regravaram e exemplos não faltam: The Tages, David Bowie, Peter Framptom, Gary Moore, Earth Quake, Vanessa Amorosi & Lee Kernaghan, Os Sunshines (na jovem guarda, como Por Você Tudo Faria) etc etc etc.


ENTRE PICOS E VALES

Contudo, em 1968, a banda enfrenta sérias crises, já que o vocalista Stevie Wright torna-se um junkie enveterado e a dupla de compositores Young & Vanda demonstra claros sinais de esgotamento, pois além da banda, eles também eram produtores bastante requisitados.
Mas foi tudo uma questão de tempo até as coisas tomarem outros rumos... a banda já não tinha mais condições de sobreviver, Stevie Wright tentava uma carreira solo, surigam novos artistas pela austrália, e nessa onda, os irmãos mais novos de George - Angus e Malcolm - começavam com o AC/DC. Aliás, foi George Young e Harry Vanda que puseram para trabalhar e mandarem ver com uma banda que recém surgia (até hoje a dupla Young & Vanda produz o AC/DC!) e pasmem, compuseram até o clássico das discotecas "Love Is In The Air".

Por enquanto é isso, caros amigos. Semana que vem tem mais!

Discografia básica
"Easy" (1965), "It's 2 Easy" (1966); "Volume 3" (1966); "Friday On My Mind" (1967); "Vigil" (1968); "Friends" (1969); "The Shame Just Drained" (outubro de 1977)

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Originalmente publicado no jornal Folha do Estado, dia 13 de Setembro de 2009, no caderno Folha 3

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

PLUNCT! PLACT! ZUM!




Não vai a lugar nenhum...

Como 12 de Outubro é Dia da Padroeira do Brasil e sobretudo Dia das Crianças, nada mais justo que escrever sobre algo que marcou não apenas a infância deste que vos escreve, mas toda uma geração, já que naqueles tempos, pelo fato d'a tevê não dispor da infinidade de opções como hoje, a criação de programas especiais respeitava à risca todo um "código" de composição e realização que seguramente lhes conferia a pecha de "obras de arte", mesmo que menores, mas ainda sim mais influentes que o cinema propriamente (com excessão dos filmes dos Trapalhões que eram sempre diversão e tiradas memoráveis garantidas). Esta época, aliás, foi um período excelente em termos de especiais infantis, já que tinhamos "A Arca de Noé" (1 e 2), com releituras da obra de Vinícius de Moraes para crianças, e "Pirlimpimpim", uma super homenagem da mpb ao legado de Monteiro Lobato no imaginário infanto-juvenil.
Nos idos de 1983 e 1984 ia ao ar pela Rede Globo um especial dividido em duas partes chamado PLUNCT! PLACT! ZUM!
Este contou com uma equipe de feras da televisão, encabeçada por Augusto Cesar Vanucci, e teve duas partes distintas: a primeira, que tratava das descobertas da infância e advertia as crianças para o universo de obstáculos que se faria cada vez mais presente no decorrer de suas vidas, e uma segunda parte, sobre a vida de um grupo de filhos de pais separados, que descobrem ter muito mais em comum do que simplesmente morarem em um mesmo condomínio.
Sua trilha sonora, além de ter sido feita sob medida para o especial, sob a direção do maestro Guto Graça Mello, teve a participação de um time de artísta do mais alto gabarito, como Raul Seixas, Erasmo Carlos, Leo Jaime, Eduardo Duzek, Zé Rodrix, Gang 90 & Absurdettes, Sérgio Sá, Blitz, Barão Vermelho, Fafá de Belém, Maria Betânia, Jô Soares, Marília Pera, Marco Nanini, Vanusa, Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães, José Vasconcelos e tantos outros mais. Pecando apenas pelo excesso de sintetizadores, o que mesmo após vinte e tantos anos, não tira seu brilho.
É certo que apesar de hoje ser completamente desonhecido daqueles que nasceram depois de 1985, PLUNCT! PLACT! ZUM! foi um marco na infância daqueles que testemunharam o fim de uma era ditatorial em que a censura dava seus últimos suspiros na apresentação do "Caso Verdade" e em que a liberdade de expressão aparecia de modo responsável, mesmo porque ainda não existia a absurda barreira estéticamente hipócrita do politicamente correto que assola nossos dias.
Certeza das certezas é que se muitos de nós tivessem encarado com maior atenção as mensagens contidas nas letras, muitos tropeços teríamos deixados de dar.
E para hoje, segue um manifesto de advertência à burocracia universal, profetizado por Raul Seixas, em 1983:

Carimbador Maluco

5... 4... 3... 2...
- Parem! Esperem aí.
Onde é que vocês pensam que vão?

Plunct Plact Zum
Não vai a lugar nenhum!!
Plunct Plact Zum
Não vai a lugar nenhum!!
Tem que ser selado, registrado, carimbado
Avaliado, rotulado se quiser voar!
Se quiser voar....

Pra Lua: a taxa é alta,
Pro Sol: identidade
Mas já pro seu foguete viajar pelo universo
É preciso meu carimbo dando o sim, sim, sim, sim.

O seu Plunct Plact Zum
Não vai a lugar nenhum!
Plunct Plact Zum
Não vai a lugar nenhum!

( ... )

Mas ora, vejam só, já estou gostando de vocês
Aventura como essa eu nunca experimentei!
O que eu queria mesmo era ir com vocês
Mas já que eu não posso:
Boa viagem, até outra vez.

Agora...
O Plunct Plact Zum
Pode partir sem problema algum
Plunct Plact Zum
Pode partir sem problema algum

Boa viagem, meninos. Boa viagem.


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Originalmente publicado no jornal Folha do Estado, dia 11 de Outubro de 2009, no caderno Folha 3

VÍDEOS DO PLUNCT, PLACT, ZUM

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pelo AMOR de ARTHUR LEE


Muito se fala em Woodstock, principalmente agora quando o evento completa 40 anos. Flower Power, amor livre, viva a sociedade alternativa etc e coisa e tal...
Entretanto, uma figura que não poderia ficar de fora de todo esse balaio é o grandioso Arthur Lee. Conhece?!
Pois bem, ele foi o lider de uma banda muito importante na segunda metade dos anos 60 chamada LOVE, mas antes disso ele foi o primeiro cara a apostar de fato em um jovem guitarrista chamado Jimi Hendrix, isso porque antes de tocar com Lee, Hendrix ganhava a vida apenas tocando como um músico de apoio de Little Richard e de vários figurões de soul.
Mas voltando a Arthur Lee, este gravou muita coisa à frente de sua banda LOVE, mas o destaque maior vai por conta dos três primeiros discos: "Love" (1965), "Da Capo" (1966) e "Forever Changes" (1967); este último, o mais importante de todos!
Tanto "Love" quanto "Da Capo" contêm clássicões como "7 and 7 Is", "Orange Skies", "Hey Joe" entre outros, mas foi em "Forever Changes" que o LOVE atingiu seu ápice em termos de perfeição sonora. Apenas para se situar, o que houve na cena roqueria entre EUA e Inglaterra, de 1966 a 1968, foi uma verdadeira rivalidade sadia, pois sempre que um lado criava um disco perfeito, o outro lado aparecia com uma resposta à altura. A saber: "Rubber Soul" dos Beatles (1965) motivou a gravação de "Pet sounds" dos Beach Boys (1966) que por sua vez serviu de inspiaração para "Sgt. Peppers..." dos Beatles, o que também foi inspiração para os clássicos "Odysey and Oracles" dos Zombies e o supracitado "Forever Changes" do LOVE.


Uma curiosidade sobre "Forever Changes" é que apesar de se tratar de um disco do LOVE, este foi inteiramente gravado por Arthur Lee com a base instrumental tocada pelo Wrecking Crew (o mesmo pessoal que gravou Pet Sounds com Brain Wilson e os Beach Boys e que também gravava com Phil Spector, Henry Mancini e Lalo Schifrin). Fez um sucesso estrondoso na época em que saiu e até hoje é uma obra cultuada, mas como após o todo topo vem sempre uma ladeira, a banda por sua vez despencou feio...
Desavenças internas provocaram o fim da primeira grande encarnação do LOVE. Arthur Lee, dono do nome, reformulou o grupo como pode, gravou alguns discos razoáveis, mas sem o mesmo pique e a vitalidade dos três primeiros.
Já nos anos 80, após tantas idas e vindas, Lee resolveu trocar a vida louca da California por suas raízes no Tenensee, quando volta à sua terra natal para cuidar de seu pai que se encontrava enfermo por conta do câncer. Nesse meio tempo, muitas coletâneas foram lançadas, muitos artístas regravavam suas músicas e o nome LOVE ainda continuava na boca do povo.
Em 1996, Lee é preso sob a acusação de porte ilegal de arma de fogo. Na cadeia, recusava visitas de quem quer que aparecesse e para completar essa maré de azar, Bryan MacLean e Ken Forssi, seus dois companheiros da formação clássica do LOVE, morreram na mesma época em que ele andou enjaulado.
Um sopro de alívio foi a inclusão de duas canções do LOVE - "My Little Red Book" e "Always See Your Face" - no filme "Alta Fidelidade" de John Cusak, uma vez que "7 and 7 Is" já havia figurado em "Caçadores de Emoção" e no vídeo de skate da Plan B, além de ter sido regravada pelos Ramones e um montão de gente.
Em 2001, deixa a cadeia e decide que é hora de sacudir a poeira e voltar com força total. Surge uma nova encarnação do LOVE que resulta em um dvd lançado em 2003, comemorativo aos 35 anos de "Forever Changes".
O sucesso do material rendeu, além de ótimas críticas a Lee, uma série de tournées pela América do Norte, Europa e Austrália, mas tais tours também ocasionaram um desgaste monstruoso ao velho ídolo. Em abril 2006 fora diagnosticado com leucemia, mas todos os tratamentos foram em vão já que no dia 23 de junho, Lee passou desta para uma outra dimensão, aos 60 anos de idade.
Em pouco tempo, pela internet a fora começaram a pipocar sites e mais sites de fãs ansiosos por promover seu legado. Hoje, graças em grande parte à web, a obra de Arthur Lee continua mais viva do que nunca.

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Originalmente publicado no jornal Folha do Estado, dia 04 de Outubro de 2009, no caderno Folha 3


VÍDEOS DE ARTHUR LEE & LOVE

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Valêncio Xavier & a grippe


Enfrentamos agora uma pandemia calcada no medo, que assola o mundo inteiro e que tem suas dimensões incrivelmente distorcidas por conta de um sistema que de um jeito ou de outro precisa funcionar, mesmo que em cima da desgraça alheia.

Em 1980, um escritor paulista radicado em Curitiba radicalizou quando, simultaneamente, soube recontar uma situação ocorrida havia mais de seis décadas e também ao prever com precisão milimétrica algo que haveria de acontecer quase 30 anos mais tarde à publicação de seu livro.

"O mez da grippe" é um compêndio de fatos e imagens relacionados aos meses de outubro e novembro de de 1918, época da Primeira Guerra Mundial e da disceminação da gripe espanhola.

O livro em si consiste em um mosaico de colagens - artigos, receitas de bolo, obtuários, cartões postais, notas, anúncios, comunicados oficiais etc - feitas a partir de jornais curitibanos, da época, mais uma gama depoimentos e citações e até poemas e poemetos.

Tal qual a realidade virtual, a obra é capaz de transportar o leitor para 1918, já que mesmo o livro sendo concebido para que sua leitura trancorra tal qual a de um jornal, o leitor pode escolher a ordem em que quer desfrutar da obra, sem que isso interfira no andamento da leitura ou apague a empolgação de se explorar um período que é, ao mesmo tempo, tão longe e tão perto.

Fofocar sobre a sociedade, contar fatos sobre a Guerra na Europa, esculhambar alemães e relatar as mortes, consistem apenas em uma das constantes da época, e que a imprensa, no cumprimento de seu nobre dever, não deixava de então relatar, transparecendo no edcorrer de todo o livro.

Entretanto, o mais contundente de tudo é que o livro em si, apesar de já ter uns trinta anos e de contar coisas de noventa anos atrás, consegue ser absurdamente atual, pois tudo o que ali lê-se sobre o estado de alerta de uma população, faz-se absolutamente fidedigno ao que vivemos hoje. Pouquíssimos livros conseguem se manter tão atuais como este!

Valêncio Xavier Niculitcheff nasceu em São Paulo, em 1933, mas radicou-se de fato em Curitiba. Sua maior característica é destrinchar os signos e fazer o que bem entender com eles, principalmente ao casar imagem e texto. Escreveu para inúmeras publicações e tornou-se também figurinha pra lá de carimbada nos cadernos de cultura dos maiores jornais do Brasil. Cineasta de renome, foi um dos pais da Cinemateca de Curitiba. Constantemente citado por Décio Pignatari, VX é tema recorrente em teses acadêmicas (principalmente de semiótica). Foi colaborador da Folha de São Paulo, da Gazeta do Povo (PR), da Revista da USP e muitos outros tantos veículos. Muito do que saiu em livros, é fruto de tais colaborações. Morreu em dezembro de 2008, na companhia de amigos e familiares.

VX entre os cineatas Pedro Merege e Beto Carminatti


Livros indispensáveis...


O mez da grippe & Outros Livros (Companhia das Letras, 1998)
Reunião da supracitada obra com mais quatro livros em um único volume: Maciste no inferno, O minotauro, O mistério da prostituta japonesa & Mimi-Nashi-Oishi e 13 mistérios + O mistério da porta aberta. A partir deste livro nasceram os filmes "O mistério da japonesa" (2005) e "Mysterio" (2008), pelas mãos dos cineastas Pedro Merege e Beto Carminatti, e a peça teatral "o mez da grippe", pela Pausa Companhia.



Minha mãe morrendo e o menino mentido (Companhia das Letras, 2001)
Reunião de duas obras em um único tomo, mantendo VX em sua posição de "arauto da surpresa", como diria o escritor José Castello.




Remembranças Da Menina De Rua Morta Nua (Companhia das Letras, 2005)
E eis que o Frankenstein de Curitiba ataca novamente! Não obstante, temas como a morte e o humor bizarro fazem-se presentes também nesta coletânea, a começar por uma curiosa "homenagem" ao finado telejornal "Aqui-Agora".



Crimes à moda antiga (Publifolha, 2003)
Contos que relatam crimes bizarros clássicos que ocorreram durante as três primeiras décadas do século XX, originalmente publicados na revista curitibana "Atenção", no final dos anos setenta.

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Originalmente publicado no jornal Folha do Estado, dia 06 de Setembro de 2009, no caderno Folha 3

Conheça o BLONDIE e esqueça as louras das piadinhas


Há quem julgue a banda de punk, new wave ou até mesmo de powerpop. Mas verdade das verdades é que Blondie é uma das poucas bandas na história do rock que se pode chamar de "uma banda acima do bem e do mal", facilmente posta numa cabeceira ao lado de Ramones, Motorhead e Cramps, pois só os seus nomes sobrepoem-se tranquilamente a quaisquer rótulos existentes ou que algum crítico engraçadinho venha a inventar.
Aliás, você já parou para contar quantas louras surgiram no pop ocidental, da segunda metade dos anos 70 para cá? Muitas, não é mesmo?! Cindy Lauper, Madonna, Paula Toller, Gwen Stefany, Shirley Manson, Fergie e, pasmem, até mesmo a nossa xuxa tiveram a influência fortíssima de Debbie Harry!
Tudo começou mesmo na primeira metade dos anos 70, quando a senhorita Deborah Harry, uma lindíssima ex-garçonete, ex-secretária da BBC-NY e ex-coelhinha da playboy, juntou-se a uma trupe de artistas multimídia chamada "The Stilettoes", afim de fazer performances teatrais associadas a rock vanguardista transgressor (ufa!). Enfim, a proposta da trupe era até bem interessante, mas de certa forma inviável. Deu que em pouco tempo o grupo se desfêz e cada foi cuidar de sua vida. Dos ex-integrantes, três decidiram que estava mais do que na hora de formar uma banda. A princípio chamaram a junção de "Angel & The Snake", mas logo em seguida, já com Debbie à frente nos vocais, "Blondie and the Banzi Babes", que acabou ficando só como Blondie mesmo.
Capitaneada por Debbie Harry e por seu então namorado, o guitarrista Chris Stein, a banda contava ainda com Clem Burke (bateria), Jimmy Destri (teclados) e Gary Valentine (baixo) em sua primeira formação, com a qual gravou dois discos: Blondie (1976) e Plastic Letters (1977).
Mas antes de terminarem a gravação de "Plastic Letters", Valantine resolve sair da banda. Abre-se então uma vaga para a entrada de Frank Infante e Nigel Harrison, que se revezariam entre baixo e guitarra.
A banda toca por tudo quanto é lugar no EUA, principalmente no "Max's Kansas City" e no "CBGB's", dividindo por incontáveis vezes o palco com os Ramones, os Talking Heads e os New York Dolls também.
Enquanto Debbie Harry se fortalecia cada vez mais como um símbolo sexual, a banda emplacava algum hit entre os 10 mais, fosse nos EUA ou na Europa. Gravaram mais quatro discos entre 1978 e 1982: "Parallel Lines" (1978), "Eat To Beat" (1979), "Autoamerican" (1980) e "Hunger" (1982).
Mesmo tendo feito excelentes canções, talvez a maior lembrança do Blondie ainda sejam aquelas que fizeram história na disco music como "Heart Of Glass" (que no Brasil foi até trilha de novela Global: "Pai Herói" de 1979) e "Atomic" (uma pá-de-cal nessa brincadeira). "Call Me" também foi outro grande momento da banda, já que além de ter sido um sucesso avassalador na época em que saiu (comecinho dos anos 80), também marcou uma grande parceria com o produtor italiano Giorgio Moroder e foi trilha sonora do filme "Gigolô Americano", que lançou richard Gere.
Não obstante, além do sucesso que o Blondie alcançou em seus primeiros sete anos de atividade, a banda acabou se dissolvendo em 1983, quando Chris Stein foi diagnosticado com uma grave (e também misteriosa) enfermidade que o afastou do showbiz. Quanto aos demais, Debbie Harry fez carreira-solo e se lançou como atriz também, e os outros foram fazer suas vidas como músicos, produtores e executivos de gravadoras, também.
Em 1997, a banda ensaiava uma volta às atividades, mas os planos acabaram sendo em bargados por uma ação na justiça movida por Frank Infante e Nigel Harrison. Mas a lei pesou a favor do Blondie e finalmente a banda volltou em 1999 com o disco "No Exit", que além de ter a clássica "Maria" e de ter conquistado ótimas vendagens, também ajudou a criar um novo recorde: Debbie Harry foi a primeira mulher com mais de cinquênta anos a entrar de cara no topo das paradas.
Em 2004, foi lançado o disco "The Curse of Blondie", que além de seguir a linha sonora de seu antecessor, também em seu encalço uma série de apresentações televisivas e o lançamento de muito material ao vivo produzido no período.
Das atividades mais recentes, além da estrada, Debbie Harry também andou gravando com Fatboyslim o single "New York New York" e também tem participado de uma cruzada artística cuja a finalidade é arrecadar fundos para o combate à AIDS.

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Originalmente publicado no jornal Folha do Estado, dia 30 de Agosto de 2009, no caderno Folha 3

sábado, 19 de setembro de 2009

DAMNED, DAMNED, DAMNED




The Damned, eis um nome memorável em termos de pauleira bem feita, ainda mais se ouvido com toda atenção nos dias de hoje, já que hoje muito se exalta cabedal técnico, poses e tudo o mais que é supérfluo, em detrimento ao verdadeiro talento.
A banda marcou seu nome na história justamente por ter conseguido ser original, mesmo com um repertório entupido de covers (ou releituras, se é o caso) de clássicos do rock anteriores à sua existência.
Começaram mesmo em junho de '76 (coincidência à parte, mes e ano do nascimento deste que vos escreve!), com Brian James (guitarra), Captain Sensible (baixo), Rat Scabies (bateria) e Dave Vanian (vocais). Fizeram sua primeira apresentação no mes seguinte, abrindo um gig para os Sex Pistols no 100 Club, de Londres. Fora isso, é deles a primeira gravação do punk britânico: o single "New Rose".
Seus dois primeiros discos, "Damned, Damned, Damned" (fevereiro de 1977) e "Music for Pleasure" (novembro de 1977), ainda contavam com a assinatura do guitarrista Brian James em todas suas faixas. Tudo ia muito bem, até o dia em que as coisas escureceram na vida dos meninos... James saiu da banda e ainda segurou consigo o nome Damned, durante todo o ano de 1978. Mas como show que é show não pode parar, durante aquele ano Captain Sensible assumiu a guitarra, e para o baixo, uma participação mais que especial: Lemmy Kilminster (exatamente! O mesmo feioso do Motorhead!); só que desta vez sob o nome de The Doomed.
Em 79, tão logo conseguiram de volta o direito de usar o nome "Damned", lançaram o disco "Machine Gun Etiquette", que trazia consigo clássicos como "Smash It Up", "I Just Can Be Happy Today" e "Love Song".
A década de 80 começou com a banda flertando fortemente com a new wave. O disco "The Black Album" (1980) e o epê "Friday 13th" (1981) são obras emblemáticas do período, já a partir daí inaugura-se um novo ciclo, uma fase que muitos chamam de "gótica" e outros, "death rock" mesmo.
Dave Vanian, que antes se caracterizava de Drácula, no melhor estilo Bela Lugosi, passava a adotar um visual mais próximo ao dos vampiros de Anne Rice. Desse tempo, podemos destacar a trilogia dark da banda: "Strawberries" (1982), "Phantasmagoria" (1985) e "Anything" (1986).
Entre '86 e '95 a banda não lançou mais nada de material inédito, apenas meiaduzia de bons discos ao vivo e coletâneas a rodo. Sua volta aos estúdios deu-se com o disco "Not of This Earth" (1995), sucedido seis anos mais tarde por "Grave Disorder".
Enfim, mesmo sem lançar material inédito com tanta frequência, o Damned se mantém firme e forte como uma das bandas mais cultuadas entre o punk e pós-punk, que muitos tentam imitar mas ninguém consegue causar tanto impacto. Já foram regravados por muita gente importante, a saber: Guns'N'Roses, Die Toten Hosen, Hellacopters, Offspring etc. Podem até tentar copiar as linhas de bateria de Rat Scabies ou as guitarras de Captain Sensible (e o visual também! Vide o "novo" Supla!), mas não há quem cante como Dave Vanian, um híbrido "goth-punk" de Frank Sinatra e Jim Morrison. É ouvir para crer!
Por hoje é isso. Um gande abraço a todos e até a próxima!


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Originalmente publicado no jornal Folha do Estado, dia 23 de Agosto de 2009, no caderno Folha 3

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O histórico MISFITS




A ERA ESTÁTICA

O que fazer quando se vive, ao mesmo tempo, tão longe e tão perto de uma das maiores cidades do mundo?! Pois bem, enquanto as coisas "pipocam na capital", o interior segue sua bela pacata e rotina, e os jovens, além de irem à escola, curtem filmes baratos - desses feitos para rodar nos cinemas interioranos - e formam bandas de rock!
É fato! Uma rapaziada do interior, influenciada pelo que é "demodê" nos grandes centros - rock das décadas passadas e muitos filmes B - acabam por se tornar a mais nova sensação nos inferninhos do underground da capital.
Uma dessas bandas (e talvez o maior exemplo disso) é o MiSFiTS, que nasceu em 1977, na minúscula cidade de Lodi, um pedacinho da Itália nos arredores de New York, EUA, com os colegas de escola Glenn Anzalone e Gerald Caiafa. Glenn adotou o nome artístico de Danzig e Gerald passou a se chamar Jerry Only. Gravaram um modesto compacto com duas faixa: "Cough Cool" e "She"; no qual Glenn cantava e tocava um piano elétrico e Jerry, o baixo.
A experiência deu tão certo que eles recrutaram mais dois amigos da vizinhança - Francesco Licata e Mr. Jim - para gravar o disco "Static Age", no começo de '78, disco este que só acabaria saindo 20 anos mais tarde, pois na época fora "esquartejado" em vários compactos. Nesse mesmo período somaram-se à banda o guitarrista Bobby Steele e o baterista Arthur Googy, com os quais se repete a mesma história no decorrer de dois anos: um album feito em vários compactos, também!
Neste caso, trata-se do disco "12 Hits From Hell". Seu lançamento estava previsto para 2000, mas desta vez a empreitada da gravadora fora embargada por Glenn Danzig e Jerry Only, pois tanto a mixagem quanto a parte gráfica não satifizeram a ambos. É bom lembrar que o disco todo apaerece em pedaços nos albuns: "Collection I", "Collection II", "Legacy Of Brutality" e "Walk Among Us".
Não obstante, Bobby Steele deixa a banda para formar o Undead, e Paul, o irmão mais novo de Jerry, assume a guitarra e passa a pegar a estrada com a banda. Em estúdio, ajuda a completar as gravações do que já havia sido feito e assim debutar no disco "Walk Among Us". Por ser alto, magro e carrancudo, Paul recebe o apelido de Doyle Von Frankenstein, ou simplesmente Doyle.
MiSFiTS não nasceu para ser uma banda punk, mas foi perfeitamente absorvido pela cena novaiorquina que então explodia para o mundo, por meio dos Ramones e do Blondie. Os MiSFiTS, sob clara influência de Stooges e The Doors, e tais quais os ingleses do Damned, foram os criadores do chamado "death rock", um estilo cuja principal característica é o humor negro nas letras e voz empostada no melhor estilo estilo Elvis. Enquanto o Damned aproximava-se mais do ultra-romantismo Vitoriano, os MiSFiTS imprimiam elegância ao "pastelão", por meio de críticas cáusticas e irônicas ao establishment e à crescente banalização da violência. Entre 77 e 83, todas as composições da banda são atribuídas a Glenn Danzig
Em termos visuais, a banda também inovou ao lançar o DEVILOK, um penteado cuja idéia era criar um "chifre" com o cabelo, que caia pela testa.
Em '82 lançaram três epês cuja linha sonora tendia mais para o hardcore e o speedmetal: "Earth A.D.", "Wolf's Blood" e "Die, Die, My Darling"; desta vez com o apoio do colombiano Roberto "Robo" Valverde, na bateria. Segundo muitos - e até mesmo os caras do Metallica - foi ali que começou o que viria a ser chamado de trashmetal. E falando nisso, é muito comum nos depararmos com o Metallica tocando músicas dos MiSFiTS, mas isso é só um detalhe perante a áura cult que se formou em torno da banda nos anos seguintes.


O PRIMEIRO FIM

Após lançarem as sementes do que mais tarde viria a ser o metal, as relações entre Glenn e Jerry andavam bastante desgastadas e isso acabou por ocasionar o fim da banda. O nome MiSFiTS manteve-se na erraticidade por conta uma longa disputa na justiça. De um lado, Glenn Danzig, que vendera todo o catálogo da banda à gravadora Caroline Records, e de outro, Jerry Only, que seguir na estrada com a banda. A disputa durou 12 anos. Glenn continuou como dono das músicas feitas entre 77 e 83, enquanto Jerry Only ganhou o direito de usar o nome MiSFiTS como melhor lhe aprouvesse.
Nos anos em que ocorreu a disputa, muita coisa aconteceu... Glenn Danzig juntou-se a Eerie Von e Stevie Zing, dois antigos membros de apoio dos MiSFiTS, e formou o SAMHAIN, que posteriormente se tornaria apenas DANZIG. Já Jerry Only, ao lado de seu irmão, Doyle, formou o KRYST THE CONQEROR, que apesar das origens punk, flertava fortemente com o metal épico.


MiSFiTS II: a Ressurreição na Era Only



Em '95, os irmãos Caiafa, Jerry e Doyle, reformulam o MiSFiTS, mas desta vez com o baterista Dr. Chud e o crooner Michaele Graves. com esta formação lançaram 3 cedês entre 1997 e 2000: "American Psycho", "Famous Monsters" e "Cuts From The Crypt". Em '98 vieram pela primeira vez ao Brasil. Sem Graves, mas com Mike Hideous, um gótico que, aliás, representou muito bem o misencene da banda.
Em 2000, Graves e Chud deixam a banda. Jerry e Doyle juntam a uma dupla de peso: Robo (baterista que tocou com o MiSFiTS em 82/83) e o guitarrista Dez Cadena; ambos ex-membros do histórico Black Flag. Até aí, tudo bem e perfeitamente compreensível, mas o problema é o que viria depois, a partir da saída de Doyle...

Chud, Graves, Doyle e Only


Então aconteceu o "pior': Doyle se estranhou com o irmão e foi tocar com Glenn Danzig, apenas clássicos do MiSFiTS antigo, ao passo que Jerry Only entra em sucessivas roubadas, dentre as quais, ter Marky Ramone como baterista convidado de seu MiSFiTS e contar com o apoio de uma versão combalida de Dez Cadena na guitarra e vocal. Em 2008, de modo mais digno, voltam a tocar no Brasil, mas com Jerry Only, Dez Cadena e Robo.

Glenn Danzig & Doyle

Enfim, o que resta a nós, fãs, é apreciar tudo o que foi feito de bom em seu passado, longe das cópias mal-feitas que aparecem todos os dias sob o estúpido rótulo de "horror punk" e de pândegos projetos de seus ex-integrantes (por exemplo, a lamentável versão de Bobby Steele para "12 Hits From Hell").
Uma boa dica para se conhecer bem esta banda é o boxset de 4 cds, que abrange (quase) tudo de seus áureos anos ou buscar internet à fora a coletânea virtual "Caustic Age", que compila perfeitamente todas as suas fases de '77 a '83.

Por enquanto isso. Um grande abraço a todos e até a próxima!

tic-tac... tic-tac... tic-tac...

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Originalmente publicado no jornal Folha do Estado, dia 09 de Agosto de 2009, no caderno Folha 3

O QUE SERIA DO MUNDO SEM A GUITARRA ELÉTRICA?


Les Paul: Guitarras, Guitarras e mais Guitarras

Comecemos com uma breve lista de artístas: George Harrison, Paul McCartney, Jimmy Page, Eric Clapton, Jeff Beck, Peter Frampton, Gary Moore, Pete Townshend (the Who), Steve Howe (Yes), Ace Frehley (Kiss), Tommy Thayer (Kiss), Joe Perry (Aerosmith), Adrian Smith (Iron Maiden), Duane Allman (Allman Brothers), Gary Rossington (Lynyrd Skynyrd), Daron Malakian (System Of a Down), Phil Campbell (Motorhead), John Fogerty (Creedenace C.R.), Slash (Guns'N'Roses), Zakk Wylde (Ozzy Osbourne), Noel Gallagher (Oasis), David Gilmour (Pink Floyd), Dave Grohl (Foo Fighters), Kirk Hammett (Metallica), Marcus Siepen (Blind Guardian), Jay Jay French (Twisted Sister), Billie Joe (Green Day) e Mark Knopfler (Dire Straits)

O que todos têm em comum?! Todos, de um jeito ou de outro, prestam seu tributo a Les Paul!
Aos que desconhecem e também aos que adoram praguejar contra a música eletricamente amplificada ou ao rock propriamente dito, o sr. Lester William Polsfuss - mais conhecido como Les Paul - deu ao mundo das artes uma das maiores invenções desde a máquina fotográfica: a guitarra elétrica!
Les Paul entrou para a história como o "Thomas Edson da indústria musical", pois além de inventar a guitarra elétrica, também revolucionou a forma de gravar música, quando possibilitou a gravação de todos os instrumentos em canais avulsos.
Nascido em 1915, no norte dos Estados Unidos, começou a tocar profissionalmente aos 13 em um restaurante perto de sua casa. Autodidata, começou sua vida de músico com uma simples harmônica, imitando artistas de country que tocavam no rádio. Aprendeu um pouco de piano por conta própria, aventurou-se a tocar banjo e em seguida foi a vez do violão. Ainda aos 13, afim de se fazer mais audível para seu público, descobriu que com uma agulha de gramofone e um autofalante de rádio podia amplificar o som de sua guitarra.
Aos 17 anos lagou a escola e foi seguir o caminho da música. Mudou-se de mala e cuia para Chicago, onde caiu nas graças do mundo do rádio e tornou-se uma espécie de rei da música country por aqueles prados. No final dos anos 30, juntou-se ao contrabaixista Ernie Newton e ao guitarrista Jimmy Atkins (irmão de Chet Atkins) para formar o Les Paul Trio. Mudaram-se para Nova Iorque e lá passaram a trabalhar direto com figurinhas carimbadas da música popular e do jazz, como Fred Waring, Louis Armstrong, Art Tatum, Ben Webster, Stuff Smith e Charlie Christian. Em 1941 criou, enfim, a guitarra elétrica, a partir de um corpo semelhante ao de um violão, mas feito de madeira maciça e com capitação elétrica dos sons. Les Paul passou a chamar o instrumento de "the Log" e, depois disso, o mundo nunca mais seria o mesmo...
Foi casado com a cantora Mary Ford, entre 1949 e 1963. Teve três filhos e uma filha adotiva.
Com Mary Ford produziu, além de filhos, inúmeros sucessos durante os anos 50. O próprio Paul McCartney relata que em suas primeiras apresentações, à frente dos Quarrymen (banda pré-Beatles que teve com John Lennon nos idos de 1957), tocava muitas e muitas músicas da dupla Les Paul & Mary Ford.


com Mary Ford, sua eterna parceira

Apesar de já ter sido indicado simultaneamente a inúmeros prêmios e "Halls of Fame", Les Paul só sentiu as "pernas tremerem" de fato em 2006, quando ganhou o Grammy por seu disco "Les Paul & Friends: American Made World Played". Sua saúde ficou fagilizada com tanta emoção e desde então redobraram-se os cuidados.
No decorrer de sua vida, por inúmeras vezes, Les Paul encarou a morte nos olhos, mas somente na quinta-feira, 13 de agosto de 2009, aos 94 anos, morreu de pneumonia, no White Plains Hospital, em Nova Iorque, ao lado da familia e de amigos.
Ao saberem da morte do mestre, diversos artistas prestaram suas homenagens pelos mais variados canais de tv, rádio e web: Slash, Trey Anastasio, Joe Satriani, Tom Morello, Ace Frehley, Brian "Head" Welch, Tad Kubler e Keith Richards.
Esta coluna é dedicada à memória e ao legado desta figura ímpar que revolucionou a música no século XX e com quem o mundo tem uma dívida de gratidão.

Um grande abraço a todos e até a próxima.


o bom e velho Les Paul

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Artigo originalmente publicado no Jornal Folha do Estado, Cuiabá-MT, domingo, 16/08/2009.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Yardbirds



For your Love

Sim, há muito essa coluna pedia um review sobre o monstro mais sagrado do rock inglês. Exagero? Absolutamente não!

Pois bem, ao lado de bandas como Shadows, Beatles, Rolling Stones, Animals e The Who, os Yardbirds figuaram como um dos nomes mais importantes de toda a história do rock, não apenas por terem sido a casa de três dos maiores guitarristas da história segundo a (verdadeira) revista Rolling Stone: Eric Clapton (#4), Jimmy Page (#9) e Jeff Beck (#14); mas por ser uma das primeiras a investir pesado em experimentações sonoras sem parecer prolixa e pedante como as bandas de progressivo e, obviamente, por fazer músicas que literalmente colam em nossas mentes e corações.

Surgidos em 1963, nos subúrbios londrinos, os Yardbirds começaram tocando clássicos do blues de Chicago (Bo Didley, Howlling Wolf, Elmore James, Sony Boy Williamson II, Muddy Watters etc) e contavam com Keith Relf (vocais e harmônica), Jimmy McCarty (bateria), Chris Dreja (guitarra) e Paul Samwell-Smith (baixo). Não demorou e juntou-se à banda o jovem Eric Clapton (guitarra).

Nesta formação seguiram até fevereiro de 1965. Gravavaram ótimos singles, até o dia em que "For Your Love" e "Heart full Of Soul" estouraram nas paradas.

Apesar de concebida para sere um blues, "For Your Love" foi muito mais além e alçou a banda para um sucesso quase instantâneo e que os integrantes sequer haviam imaginado. Clapton, vendo que aquilo não tinha nada a ver com suas convicções pessoais e artísticas, arrumou as malas, deixou a banda e foi tocar com John Mayall e em seguida formar o Cream. Para o seu lugar entrou Jeff Beck, um músico igualmente excepcional que ajudou os Yardbirds a terem as características com que seriam para sempre lembrados.

Não obstante, o baixista Paul Samwell-Smith também foi embora, abrindo vaga para um rapaz conhecidíssimo dos estúdios de Londres, chamado Jimmy Page; e dessa forma a banda seguiu até o final de 1966, quando Jeff Beck também saiu.


The New Yardbirds

Com a formação mais "enxuta", a turma continuou tocando, mas desta vez era comandada por Jimmy Page, que do baixo migrara para a guitarra.

Em julho de 1968, a banda tem seu fim. Mas não contente com essa situação, e com o nome "Yardbirds" às moscas, Jimmy Page resolve retomar as atividades, e recrutar para a nova encarnação do grupo o crooner Robert Plant, o baixista John Paul Jones e o baterista John Bohan. A nova banda se chamou, por um mes apenas, The New Yardbirds, mas graças à sugestão do amigo Keith Moon (baterista do The Who) adotaram o nome de Led Zeppelin, mas isso é assunto para outro dia.


Pós-Yardbirds

Eric Clapton, além de ter formado o Cream, fez uma brilhante carreira-solo e, assim como Jeff Beck e Jimmy Page, tornou-se uma referência universal em termos de guitarra.

Keith Relf partiu para a carreira-solo e formou um grupo de folk rock chamado Renascence. Morreu electrecutado, em 1976, enquanto tocava uma guitarra mal aterrada.
Jimmy McCarty, com a ajuda de Paul Samwell-Smith, juntou-se a Keith Relf para formar o Renascence, e Cris Dreja seguiu a carreira de fotografo de rock.


Reuniões...

Em meados dos anos 80, os Yardbirds remanescentes esboçaram uma reunião sob o nome de The Box Of Froggs. Gravaram dois elepês, alguns poucos singles, e a coisa parou por aí, ao menos até 1992...

Em 1992, os Yardbirds se reunem de fato para para o seu ingresso no "Rock'n'Roll Hall of Fame", uma espécie de "Oscar pelo conjunto da obra", aplicado aos serviços prestados ao rock. Com excessão de Eric Clapton, que na época estava em tournée com seu disco acústico, e do falecido Keith Relf, representado por viúva e filho, todos compareceram.

Neste ensejo, o guitarrista Chris Dreja e o baterista Jimmy McCarty recrutam mais uma boa turma de músicos para acompanhá-los nessa estrada. Saíram-se muito bem, diga-se de passagem, pois em 2003, os mesmos fundadores juntaram-se a Jeff Beck e mais uma série de convidados ilustres para gravarem o disco "Birdland". Desses convidados, alguns são bem conhecidos nossos: Brian May, Slash, Joe Satriani, Steve Vai entre outros.

O que vale lembrar é que os Yardbirds foram (e continuarão sendo) uma dessas poucas bandas que ouvimos com ouvidos e corações abertos, em qualquer época da vida.

Um grande abraço a todos e até a próxima.


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Artigo originalmente publicado no caderno Folha 3, jornal Folha do Estado, Cuiabá-MT, domingo, 09/08/2009.


VÍDEOS DOS YARDBIRDS

domingo, 19 de julho de 2009

BLACK MERDA


Há poucos dias eu andei redescobrindo uma das maravilhas que há um bom tempo não ouvia: a banda Black Merda! (É verdade, o nome é esse aí mesmo!)
Pois bem, longe do que diz o nome em português, Black Merda significa, no jeitão do gueto norte-americano, "Black Murder", o que por sua vez, traduzido, quer dizer "Chacina Negra". Seus integrantes, além de serem excelentes músicos, também foram militantes políticos e fizeram parte dos Black Panthers de Detroit. Tocaram em diversas manifestações públicas e, inclusive, dividiram o palco com os caras do MC5.

Tudo começou nos idos de 1965 quando os amigos e colegas VC L. Veasey e Tyrone Hite mais os irmão Antony e Charles Hawkins, passaram a trabalhar como músicos de aluguel para gente da cena soul de Detroit, tanto em estúdio quanto na estrada. Tocaram com muita figurinha carimbada da Motown/Brunswick, Fortune Records e Golden World Studios. A princípio chamavam-se The Soul Agents e acompanharam os cantores Edwin Starr e Ellington "Fuji" Jordan.

Como Black Merda gravaram pelo selo Chess um disco homônimo em 1970 e graças a um marketing capenga, o album acabou sendo um fracasso de vendas, mas a banda não se deixou abalar.

Após uma tour pela California, em 1971, voltam a Detroit. Entram em estúdio e gravam mais um disco: Long Burn The Fire; agora com o baterista Bob Crowder. Mais uma vez, e graças às mesmas "merdas", o disco acaba sendo um encalhe nas lojas.

Desanimados com toda essa situação, a banda se desfaz e seus integrantes voltam a ser meros músicos de estúdio, até sua redescoberta em 2004...



The Folks From Mother's Mixer

Black Merda 2009

Em 2004, ambos os discos da banda foram remasterizados e relançados como um único cedê: The Folks From Mother's Mixer! E como em 2004 o compartilhamento de músicas pela web ganhava as primeiras páginas dos jornais (vide o caso Audiogalaxy e a briga Metallica X Napster), não demorou para o mundo redescobrir essa maravilha sonora. Graças a isso, a banda se reuniu e voltou para a estrada. Nos últimos 5 anos têm se apresentado regularmente pelos mais diversos cantos da américa do Norte, Europa, Australia e Japão. Lançaram mais alguns discos: Psych-funk of Black Merda (2006, coletânea que só saiu em vinil), Renaissance (2006), Take a Little Time (2009, single) e mais recentemente, Force of Nature (2009).

Muita gente os considera mais viscerais que Jimi Hendrix (!!!), mas isso é uma opinião muito pessoal e que varia de fã para fã.
Este mesmo que vos escreve, descobriu essa banda não faz muito tempo (coisa de 3 ou 4 anos) e pode certamente dizer que seu som quebra tudo! É um prato cheio para quem curte Jimi Hendrix, MC5, Parliament Funkadellic e The Stooges também! Ademais, quero dedicar esse review em primeira pessoa à memória do meu amigo e mestre Cleiton Lucas Santigo (22/03/77 - 30/05/09) que, se bem me lembro, quando ouvia o disco do Black Merda, costumava dizer: "PQP! Esse disco é tão bom que me dá ainda mais orgulho de ser negão".

Um grande abraço a todos e até a próxima.

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Artigo originalmente publicado no Jornal Folha do Estado, Cuiabá-MT, domingo, 19/07/2009.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

VOCÊ CONHECE INDO-ROCK?!

The Javalins


Indo-Rock foi uma das mais enigmáticas e explosivas cenas da história. Ocorreu no curto período de cinco anos (de 1959 a 1964), na Holanda e foi encabeça por bandas literalmente doidas por música, formadas em sua maioria por jovens imigrantes indonésios.

Embora sua história comece nos idos de 1945, quando a então colônia holandesa da Indonésia conquista sua independência, culminando em uma emigração massiva para a Holanda, a paixão dos indonésios pelos instrumentos de corda remonta ao século XVI, quando tal qual as origens de nossa viola-de-cocho, exploradores portugueses e espanhóis introduziram por aquelas paragens o gosto pela sonoridade de alaúdes e violões, o que originou um gênero de música popular chamado chamado "krontjong", marcado principalmente pelo "diálogo instintivo" entre os instrumentos. Além do que, já no século XX, também nutriam uma forte predileção por música hawaiana e sucessos da música norte americana difundidos por rádios instaladas em bases nas Filipinas e na Austrália.

The Tielman Brothers


Mas voltando à Holanda... a cena indo-rock surgiu de fato graças a esses jovens que imprimiam suas tão peculiares características culturais a sons tão característicamente ocidentais como o jazz, o country e o blues. Indubitavelmente, o maior nome do cena indo-rock é o dos Thielman Brothers, que quando crianças já tocavam pelos clubes de Jacarta e tão logo se mudaram para os Países Baixos, tornaram-se um dos nomes mais selvagens e incógnitos da história do rock.

No período, só a Holanda já contava com cerca de 300 bandas de indo-rock (catalogadas). Além dos já citados Tielman Brothers, bandas como The Javalins, The Crazy Rockers, The Black Dynamites, The Hep-Cats, incendiavam os bailes e as vitrolas daquele minúsculo país europeu.


The Black Dynamites


Como o mercado holandês já se encontrava bastante saturado, muitas dessas bandas foram tentar a sorte na Alemanha, principalmente nos pubs portuários da mesma Hamburgo que lançara o Beatles, de onde sempre voltavam com os bolsos abarrotados de dinheiro.

Uma das caracteríticas principais das bandas, além de serem formadas por indonésios, era sua configuração física, pois além de terem uma bateria e um baixo, eram marcadas pela presença média de três guitarristas, os quais costumavam deixar a platéia em polvorosa com suas guitarras "customizadas" ao seu gosto. Uma das marcas mais usadas então era a alemã Höfner.

Em 1964 a cena indo-rock perde sua força, pois a invasão britânica também tomou conta da Holanda. Não obstante e buscando se reinventar, as já sacramentadas bandas se desfazem e o talento de seus músicos acaba sendo absorvido pela então nascente e visceral cena Nederbeat, mas isso já é assunto para outra ocasião. Um grande abraço a todos e até a próxima semana.

The Hap-Cats


Electric Johnny & The Sky Rockets
( vai pro trono ou não vai?! )

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Artigo originalmente publicado no Jornal Folha do Estado, Cuiabá-MT, domingo, 12/07/2009.

Videos de INDOROCK!!!!

domingo, 12 de julho de 2009

STRAY CATS + SLIM JIM PHANTOM

UM POUCO SOBRE STRAY CATS



Surigida na região de Long Island, EUA, em 1980, Stray Cats é/foi uma das bandas que mais fez história nas décadas de 80 e 90. Sua maior inovação foi "desenterrar" clássicos dos primódios do rock e reinventá-los de modo simples e pulsante. Tão logo começaram, não deram em nada em sua terra natal. Sua grande chance veio mesmo quando decidiram se mudar "de mala e cuia" para a Inglaterra e por lá consolidarem um estilo que até então era restrito a círculos: o neo-rockabilly.

É fato, o Reino Unido sempre contou com grandes nomes na cena como Buzz & The Flyers, The Polecats, Paul "Meteors" Fenech e o veterano Gorgon "Crazy" Cavan, mas foram os Stray Cats quem alçaram o estilo a um patamar mais alto.

Formada por Brian Setzer (guitarra), Lee Rocker (rabecão) e Slim Jim Phantom (bateria), essa trupe fez e continua fazendo muito barulho. Em '89 vieram para o Brasil e suas apresentações são lembradas até hoje por todos que presenciaram. Inclusive, a própria TV Gazeta de São Paulo veiculava à exaustão o clipe de "Stray Cat Strut".

Em quase trinta aonos de banda, esses caras já encararam inúmeros fins e retornos. enquanto Brian Setzer levava seus trabalhos solo, Slim Jim Phantom e Lee Rocker juntavam-se a Earl Slick, o famoso guitarrista de David Bowie e que também tocou um montão com John Lennon, para formarem o Phantom, Rocker & Slick, mas esse é pano para uma outra manga...

Na metade dos anos 90, a banda se desfez novamente. De seus integrantes, foi cada um pro seu quadrado... tanto Brian Setzer quanto Slim Jim Phantom ganharam notoriedade por conseguirem concatenar em seus discos, figurinhas carimbadas do rock, como Brian Wilson, Robert Plant, Lemmy Kilminster e muitos outros, enquanto que Lee Rocker manteve-se também igualmente fiel à sonoridade dos Cats. Brian Setzer comandou o "swing revival" e a volta das big bands com sua Brian Setzer Orchestra, ao passo que Lee Rocker lançou bons discos, mas não com tanta expressão, já Slim Jim Phantom é um caso à parte, graças à sua capacidade de sempre juntrar a Nata para os melhores espetáculos.

Aliás, no que tange esses artístas, tudo quanto é disco deles é certeza de bom material, seja com Stray Cats, ou com seus trabalhos adjacentes.

SLIM JIM PHANTOM NO BRASIL
e impressões acerca do show de Brasília



Como não é todo dia que chega alguma figura lendária por terras brasileiras, tivemos a oportunidade única de ver um desses heróis de perto. Afinal, tratava-se do show de Slim Jim Phantom Trio, formado pelo supracitado na bateria e vocais, Jimmy Rip (músico de apoio de Jerry Lee Lewis, Mick Jagger, Blondie, Television etc) na guitarra e vocais, e mais o argentino Nicolas "Nixxx" Valle (Historia Del Crimen, Motoramas etc) no rabecão. Enfim, uma super banda ao que tudo indicava.

Com shows pelas principais capitais do país, a capital Federal fora a escolhida para representar o centro-oeste. O show aconteceu na noite de 3 de Julho, no Mercado Alternativo. Não obstante, poder-se-ia dizer que, de um show como este seria preciso esperar ao menos uma semana para se recuperar, entretanto, podia ter sido uma festa melhor, não fosse a banda ter tocado pouco menos que 60 minutos, um fã ensandecido ter tentado beijar SJP na boca e a forma como absolutamente ninguém - dentre as bandas de abertura, imprensa e fãs - pode ter qualquer acesso ao ídolo rocker.

Mas assim mesmo, foi uma ótima noite, pois as bandas de abertura - Perigoso & Seus Dinamites e Sapatos Bicolores - deram o melhor de si, como se fossem abrir um show dos Stray Cats propriamente, e caíram nas graças do público. Nicolas Valle, o baixista da banda de SJP também foi um show à parte, pois além de ter sido o único cara empolgado naquele palco, fez as honras da casa ao se misturar com a platéia e conversar com todo mundo, como se morasse há tempos por aqui (aliás, há quem diga que o sujeito é brasileiro por natureza e porteño por acaso), contudo Slim Jim continua sendo um baterista brilhante por sua simplicidade e destreza ao tocar aquele minúsculo drumkit.

Enfim, se você deseja conhecer um pouco mais sobre os Stray Cats, eis aqui alguns endereços úteis:



Stray Cats


Brian Setzer


Slim Jim Phantom


Lee Rocker

Conheça também as bandas


MOTORAMA (banda Argentina do baixista Nicolas Valle)


SAPATOS BICOLORES


PERIGOSO & SEUS DINAMITES

Alguns vídeos do Slim Jim e dos Stray Cats

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Agradecimentos: Ana Paula Dantas, Fernando Rosa, Nicolas Valle.

Matéria originalmente publicada no Jornal Folha do Estado, Cuiabá-MT, domingo, 05/07/2009.