domingo, 19 de julho de 2009

BLACK MERDA


Há poucos dias eu andei redescobrindo uma das maravilhas que há um bom tempo não ouvia: a banda Black Merda! (É verdade, o nome é esse aí mesmo!)
Pois bem, longe do que diz o nome em português, Black Merda significa, no jeitão do gueto norte-americano, "Black Murder", o que por sua vez, traduzido, quer dizer "Chacina Negra". Seus integrantes, além de serem excelentes músicos, também foram militantes políticos e fizeram parte dos Black Panthers de Detroit. Tocaram em diversas manifestações públicas e, inclusive, dividiram o palco com os caras do MC5.

Tudo começou nos idos de 1965 quando os amigos e colegas VC L. Veasey e Tyrone Hite mais os irmão Antony e Charles Hawkins, passaram a trabalhar como músicos de aluguel para gente da cena soul de Detroit, tanto em estúdio quanto na estrada. Tocaram com muita figurinha carimbada da Motown/Brunswick, Fortune Records e Golden World Studios. A princípio chamavam-se The Soul Agents e acompanharam os cantores Edwin Starr e Ellington "Fuji" Jordan.

Como Black Merda gravaram pelo selo Chess um disco homônimo em 1970 e graças a um marketing capenga, o album acabou sendo um fracasso de vendas, mas a banda não se deixou abalar.

Após uma tour pela California, em 1971, voltam a Detroit. Entram em estúdio e gravam mais um disco: Long Burn The Fire; agora com o baterista Bob Crowder. Mais uma vez, e graças às mesmas "merdas", o disco acaba sendo um encalhe nas lojas.

Desanimados com toda essa situação, a banda se desfaz e seus integrantes voltam a ser meros músicos de estúdio, até sua redescoberta em 2004...



The Folks From Mother's Mixer

Black Merda 2009

Em 2004, ambos os discos da banda foram remasterizados e relançados como um único cedê: The Folks From Mother's Mixer! E como em 2004 o compartilhamento de músicas pela web ganhava as primeiras páginas dos jornais (vide o caso Audiogalaxy e a briga Metallica X Napster), não demorou para o mundo redescobrir essa maravilha sonora. Graças a isso, a banda se reuniu e voltou para a estrada. Nos últimos 5 anos têm se apresentado regularmente pelos mais diversos cantos da américa do Norte, Europa, Australia e Japão. Lançaram mais alguns discos: Psych-funk of Black Merda (2006, coletânea que só saiu em vinil), Renaissance (2006), Take a Little Time (2009, single) e mais recentemente, Force of Nature (2009).

Muita gente os considera mais viscerais que Jimi Hendrix (!!!), mas isso é uma opinião muito pessoal e que varia de fã para fã.
Este mesmo que vos escreve, descobriu essa banda não faz muito tempo (coisa de 3 ou 4 anos) e pode certamente dizer que seu som quebra tudo! É um prato cheio para quem curte Jimi Hendrix, MC5, Parliament Funkadellic e The Stooges também! Ademais, quero dedicar esse review em primeira pessoa à memória do meu amigo e mestre Cleiton Lucas Santigo (22/03/77 - 30/05/09) que, se bem me lembro, quando ouvia o disco do Black Merda, costumava dizer: "PQP! Esse disco é tão bom que me dá ainda mais orgulho de ser negão".

Um grande abraço a todos e até a próxima.

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Artigo originalmente publicado no Jornal Folha do Estado, Cuiabá-MT, domingo, 19/07/2009.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

VOCÊ CONHECE INDO-ROCK?!

The Javalins


Indo-Rock foi uma das mais enigmáticas e explosivas cenas da história. Ocorreu no curto período de cinco anos (de 1959 a 1964), na Holanda e foi encabeça por bandas literalmente doidas por música, formadas em sua maioria por jovens imigrantes indonésios.

Embora sua história comece nos idos de 1945, quando a então colônia holandesa da Indonésia conquista sua independência, culminando em uma emigração massiva para a Holanda, a paixão dos indonésios pelos instrumentos de corda remonta ao século XVI, quando tal qual as origens de nossa viola-de-cocho, exploradores portugueses e espanhóis introduziram por aquelas paragens o gosto pela sonoridade de alaúdes e violões, o que originou um gênero de música popular chamado chamado "krontjong", marcado principalmente pelo "diálogo instintivo" entre os instrumentos. Além do que, já no século XX, também nutriam uma forte predileção por música hawaiana e sucessos da música norte americana difundidos por rádios instaladas em bases nas Filipinas e na Austrália.

The Tielman Brothers


Mas voltando à Holanda... a cena indo-rock surgiu de fato graças a esses jovens que imprimiam suas tão peculiares características culturais a sons tão característicamente ocidentais como o jazz, o country e o blues. Indubitavelmente, o maior nome do cena indo-rock é o dos Thielman Brothers, que quando crianças já tocavam pelos clubes de Jacarta e tão logo se mudaram para os Países Baixos, tornaram-se um dos nomes mais selvagens e incógnitos da história do rock.

No período, só a Holanda já contava com cerca de 300 bandas de indo-rock (catalogadas). Além dos já citados Tielman Brothers, bandas como The Javalins, The Crazy Rockers, The Black Dynamites, The Hep-Cats, incendiavam os bailes e as vitrolas daquele minúsculo país europeu.


The Black Dynamites


Como o mercado holandês já se encontrava bastante saturado, muitas dessas bandas foram tentar a sorte na Alemanha, principalmente nos pubs portuários da mesma Hamburgo que lançara o Beatles, de onde sempre voltavam com os bolsos abarrotados de dinheiro.

Uma das caracteríticas principais das bandas, além de serem formadas por indonésios, era sua configuração física, pois além de terem uma bateria e um baixo, eram marcadas pela presença média de três guitarristas, os quais costumavam deixar a platéia em polvorosa com suas guitarras "customizadas" ao seu gosto. Uma das marcas mais usadas então era a alemã Höfner.

Em 1964 a cena indo-rock perde sua força, pois a invasão britânica também tomou conta da Holanda. Não obstante e buscando se reinventar, as já sacramentadas bandas se desfazem e o talento de seus músicos acaba sendo absorvido pela então nascente e visceral cena Nederbeat, mas isso já é assunto para outra ocasião. Um grande abraço a todos e até a próxima semana.

The Hap-Cats


Electric Johnny & The Sky Rockets
( vai pro trono ou não vai?! )

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Artigo originalmente publicado no Jornal Folha do Estado, Cuiabá-MT, domingo, 12/07/2009.

Videos de INDOROCK!!!!

domingo, 12 de julho de 2009

STRAY CATS + SLIM JIM PHANTOM

UM POUCO SOBRE STRAY CATS



Surigida na região de Long Island, EUA, em 1980, Stray Cats é/foi uma das bandas que mais fez história nas décadas de 80 e 90. Sua maior inovação foi "desenterrar" clássicos dos primódios do rock e reinventá-los de modo simples e pulsante. Tão logo começaram, não deram em nada em sua terra natal. Sua grande chance veio mesmo quando decidiram se mudar "de mala e cuia" para a Inglaterra e por lá consolidarem um estilo que até então era restrito a círculos: o neo-rockabilly.

É fato, o Reino Unido sempre contou com grandes nomes na cena como Buzz & The Flyers, The Polecats, Paul "Meteors" Fenech e o veterano Gorgon "Crazy" Cavan, mas foram os Stray Cats quem alçaram o estilo a um patamar mais alto.

Formada por Brian Setzer (guitarra), Lee Rocker (rabecão) e Slim Jim Phantom (bateria), essa trupe fez e continua fazendo muito barulho. Em '89 vieram para o Brasil e suas apresentações são lembradas até hoje por todos que presenciaram. Inclusive, a própria TV Gazeta de São Paulo veiculava à exaustão o clipe de "Stray Cat Strut".

Em quase trinta aonos de banda, esses caras já encararam inúmeros fins e retornos. enquanto Brian Setzer levava seus trabalhos solo, Slim Jim Phantom e Lee Rocker juntavam-se a Earl Slick, o famoso guitarrista de David Bowie e que também tocou um montão com John Lennon, para formarem o Phantom, Rocker & Slick, mas esse é pano para uma outra manga...

Na metade dos anos 90, a banda se desfez novamente. De seus integrantes, foi cada um pro seu quadrado... tanto Brian Setzer quanto Slim Jim Phantom ganharam notoriedade por conseguirem concatenar em seus discos, figurinhas carimbadas do rock, como Brian Wilson, Robert Plant, Lemmy Kilminster e muitos outros, enquanto que Lee Rocker manteve-se também igualmente fiel à sonoridade dos Cats. Brian Setzer comandou o "swing revival" e a volta das big bands com sua Brian Setzer Orchestra, ao passo que Lee Rocker lançou bons discos, mas não com tanta expressão, já Slim Jim Phantom é um caso à parte, graças à sua capacidade de sempre juntrar a Nata para os melhores espetáculos.

Aliás, no que tange esses artístas, tudo quanto é disco deles é certeza de bom material, seja com Stray Cats, ou com seus trabalhos adjacentes.

SLIM JIM PHANTOM NO BRASIL
e impressões acerca do show de Brasília



Como não é todo dia que chega alguma figura lendária por terras brasileiras, tivemos a oportunidade única de ver um desses heróis de perto. Afinal, tratava-se do show de Slim Jim Phantom Trio, formado pelo supracitado na bateria e vocais, Jimmy Rip (músico de apoio de Jerry Lee Lewis, Mick Jagger, Blondie, Television etc) na guitarra e vocais, e mais o argentino Nicolas "Nixxx" Valle (Historia Del Crimen, Motoramas etc) no rabecão. Enfim, uma super banda ao que tudo indicava.

Com shows pelas principais capitais do país, a capital Federal fora a escolhida para representar o centro-oeste. O show aconteceu na noite de 3 de Julho, no Mercado Alternativo. Não obstante, poder-se-ia dizer que, de um show como este seria preciso esperar ao menos uma semana para se recuperar, entretanto, podia ter sido uma festa melhor, não fosse a banda ter tocado pouco menos que 60 minutos, um fã ensandecido ter tentado beijar SJP na boca e a forma como absolutamente ninguém - dentre as bandas de abertura, imprensa e fãs - pode ter qualquer acesso ao ídolo rocker.

Mas assim mesmo, foi uma ótima noite, pois as bandas de abertura - Perigoso & Seus Dinamites e Sapatos Bicolores - deram o melhor de si, como se fossem abrir um show dos Stray Cats propriamente, e caíram nas graças do público. Nicolas Valle, o baixista da banda de SJP também foi um show à parte, pois além de ter sido o único cara empolgado naquele palco, fez as honras da casa ao se misturar com a platéia e conversar com todo mundo, como se morasse há tempos por aqui (aliás, há quem diga que o sujeito é brasileiro por natureza e porteño por acaso), contudo Slim Jim continua sendo um baterista brilhante por sua simplicidade e destreza ao tocar aquele minúsculo drumkit.

Enfim, se você deseja conhecer um pouco mais sobre os Stray Cats, eis aqui alguns endereços úteis:



Stray Cats


Brian Setzer


Slim Jim Phantom


Lee Rocker

Conheça também as bandas


MOTORAMA (banda Argentina do baixista Nicolas Valle)


SAPATOS BICOLORES


PERIGOSO & SEUS DINAMITES

Alguns vídeos do Slim Jim e dos Stray Cats

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Agradecimentos: Ana Paula Dantas, Fernando Rosa, Nicolas Valle.

Matéria originalmente publicada no Jornal Folha do Estado, Cuiabá-MT, domingo, 05/07/2009.