
quarta-feira, 14 de abril de 2010
ABBA

domingo, 7 de março de 2010
POR QUE TARANTINO É FODINHA ???!!!

Tanto em “Amor...” quanto em “Assassinos...”, Q.T. sentiuse um tanto quanto “desvirtuado”, mas ainda assim podíamos sentir pungentes suas referências sonoras e culturais, como o predileção da Alabama (Patricia Arquette) por Phill Spector e o Elvis (Val Kilmer) de Clarence (Christian Slater) a dar-lhe conselhos, ou até mesmo a saga de Mick e Mallory (Woody Harelson e Juliette Lewis) permeada por canções do disco “The Future” de Leonard Cohen.
Assim, tanto “Cães de Aluguel” como “Jackie Brown” fazem sua clara homenagem aos seventies. Em “Cães...” podemos destacar o nederbeat pulsante da George Baker Selection tocando “Little Green Bag”, o folk rock dos escoceses do Stealers Wheel com “Stuck In the Middle With You” e a bela “Coconut” de Harry Nilson. Em “Jackie Brown”, além da protagonista vivida pela musa black, Pam Grier, podemos ouvir pérolas como clássicos dos DelPhonics, The Association até mesmo do homem de preto, Johnny Cash.
Passados seis anos, em 2003 Q.T. volta à ativa como diretor e roteirista em Kill Bill 1 e 2, onde faz uma clara homenagem ao faroeste italiano de nossas inesquecíveis Sessões da Tarde (Leone, Fulcci, Corbucci etc), bem como aos antológicos filmes de kungfu e samurais da Shaw Brothers e dos estúdios Toey, que costumávamos assistir toda terça feira no Poltrona R (“O Clan da Lótus Branca”, “Os Cinco Dedos da Morte”, “O Guerreiro de Um Só Braço Contra O Mestre da Guilhotina Voadora”, “The Original Street Fighter”, “O Jogo da Morte”, “Lady Snowblood” etc). A trilha sonora não ficava atrás, já que podíamos ouvir de tudo um pouco; desde pérolas do spaghetti western (Morricone, Ortolani, Bacalov, Micallizzi etc) até hip-hops furiosos (Wu-Tang Clan), passando por maravilhas da black music instrumental (Isaac Hayes), relíquias do kraut alemão (Neu!), delícias do pop sessentista inglês (The Zombies) e rockabillies e hillbillies também (Charlie Feathers, Johnny Cash etc).
Em 2006, foi lançado lá fora o filme “À Prova de Morte” (Death Proof), uma clara homenagem ao clássico “Faster Pussycat, Kill!!! Kill!!!”, de Russ Meyer, e cuja trilha sonora também é permeada por acepipes sonoros do naipe de “Hold Tight”, da banda Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick & Tich, e de “The Love You Save”, de Joe Tex. Como este filme (por razões completamente misteriosas) até agora não saiu no Brasil, apenas os fãs mais aficcionados tiveram acesso, principalmente via internet.
Pois bem, o que acontece é que há pouquíssimo tempo (na segunda metade do ano passado) Tarantino lançou mais um clássico do divertimento familiar: “Os Bastardos Inglórios” (The Inglorious Basterds); que no esteio dos demais, presta uma bela homenagem ao cinema em si, seja pelo enredo claramente inspirado em filmes como “Os Doze Condenados” e “A Cruz de Ferro”, seja pela trilha sonora. Aliás, é bom lembrar que Q.T. convidou Ennio Morricone para compor sua trilha, mas por incompatibilidade de agenda, o Maestro achou melhor declinar do convite. Mas isso não foi problema, já que muitas de suas composições e de outros grandes nomes, como David Bowie mesmo, também figuram nas cenas deste filme que hoje concorre a oito Oscars.

Agora, respondendo à pergunta do título, Quentin Tarantino é F**A simplesmente porque, como ninguém, consegue resgatar e sintetizar magistralmente peças cruciais do intrincado quebracabeças que está em nossa formação cultural e que os pudores estéticos da crítica dita especializada e da ditadura do politicamente correto sempre fizeram questão de rechaçar. Ademais, o lance hoje é grudar a cara na tevê e torcer para que este filme fature muitos e muitos bonequinhos!
Max Merege, além de roqueiro, ama e respeita cinema bem mais que muito cineasta de nariz empinado.
segunda-feira, 1 de março de 2010
CHRIS MURRAY: SIMPLES ATÉ A MEDULA

Ah, sim, Chris Murray já acompanhou muita gente de peso nos palcos, como Lloyd Knibb e Lloyd Brevett, dos Skatalites, Prince Buster, The Specials etc. E acaso ele se gaba disso?! Que nada! Tem muito orgulho, sim, e sente-se profundamente honrado por ter trabalhado com caras tão importantes, mas isso não o torna um esnobe ou qualquer tipo de estrelinha. Aliás, o ponto mais forte de tudo é que sua simplicidade, tanto como músico quanto uma pessoa comum, vão totalmente de encontro a este mundo formado por celebridades instantâneas e de glamour artificial que a cada dia tem-se feito mais e mais pungente; e, é claro, opõe-se também a esta ditadura que reza que para se fazer um bom trabalho, o músico precisa manter o "nariz empinado" e desgastar-se em um universo de técnicas inúteis. Tal qual sua obra, o supracitado artísta também é simples, pulsante e direto! Não faz muito, em dezembro do ano passado, enquanto passava uns dias em Curitiba, pude testemunhar isso. Eu já sabia que o tal do Chris Murray ia tocar por lá. Ouvira pouca coisa até então, o suficiente para saber que seria um bom divertimento, ainda mais porque o que eu e meu irmão queríamos mesmo era ver a banda de abertura: Rocksteady City Firm; encabeçada por meu velho amigo, o cantor Rodrigo Rodrigues. A banda estava maravilhosa! Tão boa que eu até me senti no Maranhão! Mas quando entrou Chris Murray, meus caros, aí sim o lugar pegou fogo! Configuração de palco, a mais simples possível: o próprio Chris Murray tocando violão e cantando, mais dois músicos brasileiros: Rodrigo Cerqueira (Firebug e Skuba) na bateria e Edu Sattajah (Leões de Israel e Brasilites) no upright-bass. Em poucas palavras, um legítimo powertrio! Sim, foi o show que faltava eu assistir para fechar 2009 com chave de ouro e certamente refletir mais acerca de se ter uma banda. Será que é preciso tanto equipamento, tanta técnica, tanto glamour e tanta pose para ser um astro?! Chris Murray, do modo mais simples possível, provou que não! Basta apenas saber o que quer tocar e tocar o ferro na boneca!
com King Apparatus: Loud Party (1989), King Apparatus (1991), Hospital Waiting Room (1992), Marbles (1993); em carreira solo: 4-Trackaganza! (2001), Raw (2002), 4-Track Adventures of Venice Shoreline Chris (2003), One Everything (2005), Slackness (2005, parceria com a banda The Slackers)
Videos de CHRIS MURRAY
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
ANTÔNIO ARNAUD RODRIGUES
Na última quarta feira de cinzas, o humor, a dramaturgia e a mpb, acordaram órfãos de um de seus maiores talentos nos últimos 50 anos: a morte de Arnaud Rodrigues! Foi na noite de terça feira ainda, quando o barco em que ele viajava com a esposa e dois netos, no Tocantins, naufragou. Seus familiares conseguiram ser salvos, mas ele não.

Vô batê pá tú
(Chico Anisio e Arnaud Rodrigues)
Falou, é isso aí malandro
Tem que se ligar aí nesse som, tá sabendo...
Eu vou bate pá tú, pá tu bate pá tua patota
Vou batê pá tu bate pá tú
Pá tú batê...
Pá amanhã a pá não me dizer
Que eu não bati pá tú
Pá tú pode batê
O caso é esse
Dizem que falam que não sei o que
Tá pá pintá ou tá pá acontecer
É papo de altas transações
Deduração, um cara louco
Que dançou com tudo
Entregação com dedo de veludo
Com quem não tenho grandes ligações
Vou batê pá tu bate pá tú...
Tá falado, tu tem que se ligar....
É isso aí, falou
Vou batê pá tu bate pá tú...
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
O REI do Samba

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
surfando em Oz com THE ATLANTICS
Todos já estamos cansados de saber que a Austrália é aquele imenso país, que, além de ter quase o mesmo tamanho do Brasil, também goza das mesmas condições climáticas que a nossa terra e, apesar de ser culturalmente ocidental, fisicamente ainda pertence ao oriente. Em termos musicais, também temos uma das mais fortes e produtivas cenas do mundo, extendendo-se do country-folk ancestral de Tex Morton e Slim Dusty até modernidades como Silverchair e The Jet, passando pelo rockabilly de Johnny O'Keefe, o mod dos Easybeats, Missing Links e Bee Gees, o hardrock de AC/DC e Rose Tattoo, o punk do The Saints e Roaring Jack, o romantismo de caras como John-Paul Young e Nick Cave e musas adoráveis como Olivia Newton-John, Nicolle Kidman e Kelly Minogue.
Paraíso dos Surfistas, não é à toa que a terra dos aussies tem uma praia chamada Surfer's Paradise. O problema é que dos anos 70 para cá, muita coisa tem se confundido nas informações que têm nos chegado sobre esse caldeirão cultural, e inúmeras publicações históricas do surf, passaram a apresentar como surf, qualquer tipo de som que fosse australiano. Exemplo disso são bandas como Australian Crawl, Men At Work, Midnight Oil, Gang Gajang etc serem tidas como surf-music só pelo fato de serem australianas. Bem, sem tirar-lhes o mérito, é válido lembrar que já rezava a velha máxima "cada macaco no seu galho", logo, o galho deles é pura e simplesmente a música pop e pronto! Eles são ótimos para o que se propõem a fazer e a coisa pára por aí!
Mas voltando a falar de surf-music, The Atlantics é o exemplo máximo do estilo na terra de Oz!
Começaram em Sidney, em 1961. Seu nome apareceu como uma homenagem a uma famosa marca de combustíveis, já que sempre fizeram rock de alta octanagem.
Bastante influenciados por Shadows, Ventures e nomes locais como The Joy Boys, Jimmy D. , The Telstars, The Midnighters etc, ganharam espaço pela originalidade, pois enquanto os demais se limitavam a copiar os já citados Ventures e Shadows, os Atlantics compunham suas próprias canções, uma vez que todos os integrantes já carregavam consigo toda uma bagagem cultural que lhes dava subsídios para a criação de peças absolutamente inovadoras, pois eram imigrantes que vieram muito pequenos para a Austrália, oriundos das mais diversas culturas do mundo. Isto lhes rendeu uma atenção muito especial por parte do pessoal da CBS australiana. Gravaram vários LPs e alguns muitos singles e EPs pela gravadora. Flertaram com a psicodelia e com o garage-punk. Em 1967 criaram o primeiro selo independente da Austrália, o Ramrod, e nos anos 70 fomentaram o aussie folk rock, sem nunca terem de fato se desviado de seu caminho.
Nos anos 70 e 80 mantiveram-se como sócios em vários negócios, mas só na década de 90 é que vieram a ressuscitar a banda, estando desde então na ativa até hoje!
Apesar de serem donos de inúmeros clássicos do surf-instro, seu maior hit ainda é "Bombora", e também, graças ao boom do gênero a partir de 1994, consquistaram um status muito maior e o respeito universal, há muito almejado.
Por hoje é isso, caríssimos. Semana que vem tem mais.
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Originalmente publicado no Caderno Folha 3, jornal Folha do Estado, 7 de fevereiro de 2010, Cuiabá-MT.
VIDEOS
domingo, 31 de janeiro de 2010
ERA UMA VEZ NO CENTRO-OESTE
Esses dias, ao msn, falando com uma querida amiga que está lá em Curitiba, contei que passei o dia me alucinando com um dvd do Ennio Morricone ("Morricone Por Morricone").
_Morricone?! Não conheço.
_É o famoso Maestro italiano que compôs inúmeras trilhas para o cinema.
Logo, mandei-lhe alguns videos do Maestro regendo as orquestras e passados quinze minutos de silêncio absoluto deste lado, ela teceu uma breve crítica:
_Sabe quando você come um chocolate bem bom??? Ou quando faz exercício físico, tipo uma corrida na beira do mar? Ou quando está tão apaixonado que tem vontade de gritar de amor? Morricone é isso e muito, muito mais!!!!
Já vimos aqui por esta coluna muitas figurinhas interessantes que, na maioria das vezes, são desconhecidas de nosso grande e amado público; e outras, bastante conhecidas, mas que até então haviam tido pouco espaço em nossos estimados veículos. Uma dessas é o maestro italiano Ennio Morricone.
A propósito quem nunca assoviou "The Good, The Bad and the Ugly", tema de "Três Homens em Conflito"? Sim, esta é sem dúvida o maior clássico das trilhas de faroeste! Mas não foi apenas com trilhas de faroeste que Morricone se destacou, mas por sua incrível versatilidade de transitar por todos os terrenos sem jamais deixar de ser Morricone.
Como o seu trabalho com cinema já lhe rendera um bom nome desde o final do 50's, em meados da década seguinte iniciou uma forte parceria com o diretor Sergio Leone, um velho amigo seu dos tempos de escola ainda.
Influenciado pelo experimentalismo de John Cage e diante de limitações orçamentárias que inviabilizavam a manutenção de uma orquestra inteira, Morricone preparou as trilhas para a "Trilogia do Dollar" ("Por um Punhado de Dólares", "Por Uns Dólares A Mais" e "Três Homens Em conflito") com inúmeros outros recursos como barulhos de tiros, quebradeiras, chapas de aço e, é claro, guitarras elétricas.
Nascia uma nova era no cinema, formou-se assim o trinômio Sergio Leone, Clint Eastwood e Ennio Morricone, e o cinema de faroeste jamais seria o mesmo. Chega das histórinhas clichê, chega das mesmas fanfarrices nas trilhas-sonoras, adeus aos maniqueísmos e ao politicamente correto! Morricone ainda ganharia notoriedade por pelas trilhas de outra trilogia de Leone, formada por "Era Uma Vez No Oeste", "Quando Explode A Vingança" e "Era Uma Vez Na América".
Bastante requisitado, Morricone trabalhou ainda com diretores do porte de Pier Paolo Pasollini, Giuseppe Tornatore, Sergio Corbucci, Tonino Valerii, Mario Bava, Giuliano Montaldo, Dario Argento, John Carpenter, Brian De Palma etc.
Por duas vezes veio ao Brasil. Uma em 2007, regendo a Orquestra Petrobras, e outra em 2008, para uma única apresentação em São Paulo.
Enfim, sei que aqui eu levaria inúmeras páginas para comentar sua vasta discografia e filmografia; afinal, quando o assunto é Morricone, pode-se ter certeza de que isso ainda dá muito pano pra manga. Por outro lado, talvez seja mais prudente debruçarmo-nos na idéia maeterlinkiana d'o "indizível", e apenas sentirmos o que de fato é para ser sentido: sua música; bálsamo para o coração, depurativo para a alma.
“We All Love Ennio Morricone” (2007)
Um belo cedê-tributo lançado logo após o Oscar de 2007. Músicas do Maestro interpretadas por diversos grandes nomes da música pop. Abre com Celine Dion, cantando "I Knew I Loved You" (*pessoalmente, nunca gostei dela, mas aqui ela mostrou um bom serviço!)e segue-se com releituras feitas por Quincy Jones & Herbie Hancock, Bruce Springsteen, Andrea Bocceli, Metallica, Yo-Yo Ma, Daniela Mercury & Emir Deodato (*vale aqui a mesma opinião de cima!), a portuguesa Dulce Pontes, Roger Waters e, é claro, o próprio Ennio Morricone.
“Per Un Pugno di Samba” (1970/2002)
Disco que Chico Buarque fez em seu breve exílio pela Itália. Inteiramente arranjado por Ennio Morricone e com letras reescritas por Sergio Bardotti, saíra apenas na Itália, no ano de sua gravação, 1970. Por questões burocráticas, envolvendo contratos de gravadora, o disco precisou amargar mais de trinta anos de espera para ser lançado no Brasil. O próprio Maestro o considera um disco muito à frene de seu tempo.
“Morricone por Morricone” (Morricone Conducts Morricone) (2005)
Dirigido por seu filho, Giovanni Morricone, trata-se de uma emocionante apresentação do Maestro em Munich, Alemanha, no dia 20 de outubro de 2004. Mesmo com um repertório aparentemente "previsível", formado por temas consagrados como "Os Intocáveis", "Cinema Paradiso", "A Missão" e aqueles que permeiam os filmes de Sergio Leone, não tem como conter as lágrimas com tão belo espetáculo, ainda mais nas canções apresentadas pela soprano Edda dell'Orso.
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publicado no caderno Folha 3, jornal Folha do Estado, Cuiabá-MT - 31 de janeiro de 2010







