sábado, 14 de março de 2009

ROARING JACK


Com vocês, ROARING JACK!

Roaring Jack é uma banda de celtic-punk que nasceu em Sidney (NSW, Australia), em 1985, sob a liderança de Alistar Hulett, um cidadão de origem escocesa que desde muito cedo frequentava os círculos de música folk.
Na metade dos anos '70, Alistair fez uma viagem de 2 anos para a Índia, e ao voltar para a Austrália em 1979, deparou-se com uma cena punk em plena ebulição.
Ao mesmo tempo em que detonava com a banda "The Furious Chrome Dolls", também cantava folk e bluegrass pelos pubs com Hunter Owens. Este, um imigrante norte-americano que tocava muito bem bandolim e que também desenvolvia um bom trabalho de fusão da música celta com vários outros rítimos, dando assim início ao projeto Roaring Jack.
Sonoridade bem dosada entre o peso e a velocidade da música celta com uma certa malandragem típica do rock australiano, suas letras abordam principalmente assuntos como vida proletária, sectarismo escocês/irlandês e direitos dos povos aborígenes.
Apesar de sua curta existência de 6 anos, o Roaring Jack conseguiu marcar muito bem o seu nome na história. Excursionaram com os Pogues pela Austrália, foram indicados algumas vezes na categoria independente ao Grammy australiano e ajudaram a pavimentar o caminho para bandas como Dropkick Murphys, Real McKenzies, Flogging Molly, The Tossers, The Mahones d'entre outras tantas mais.

Pela Mighty Boy Records, um selo independente de Sydney, gravaram os LPs: "Street Celtabillity" (1987), "The Cat Among The Pigeons" (1988) e "Through The Smoke Of Innocence" (1990); e os singles: "The Swaggies Have All Waltzed Matilda Away"/"Song of a Drinking Man's Wife" (7", 1989) e "Framed"/"Criminal Justice" (12", 1991).

Em 2002, a Jump Up Records, um selo independente alemão, teve o cuidado de recompilar e relançar (quase) todo esse material sob a forma de um CD duplo, contendo ainda alguns bonus, mesmo que as versões do single de 1989 tenham ficado de fora.


Tudo bem! De qualquer forma, esse CD ainda é o melhor caminho para se conhecer o som do ROARING JACK, e o mais legal é que vem com um livreto bem interessante, contendo todas as letras da banda e recheado de outras informações úteis escritas pelo próprio Alistair.


ROARING JACK foi: Alistair Hulett (violão e vocais), Dave Williams (baixo), Bob "Rab" Mannell (guitarra e bouzouki), Hunter Owens / Stephen Miller (acordeão / bandolim e vocais), Steve Thompson / Rod Gilchrist (bateria).

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Conheça mais sobre o ROARING JACK:

The ROARING JACK Archives
Blog oficial da banda
Site do vocalista Alistair Hulett


Alistair Hulett nos dias de hoje


Obs: está tudo em inglês!

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Max Merege, apesar de não tocar violino nem bandolim, é ainda assim, um fã devotado do VERDADEIRO folk-rock.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

SURF CITY, HERE WE GO...

SURFANDO NA ARQUEOLOGIA FONOGRÁFICA


Anúncio da Fender


Uma das coisas mais interessantes que aconteceram na era do Cd, foi a quantidade de coletâneas a que tivemos acesso. Algumas boas, outras ótimas (raras, na maior parte das vezes) e outras tantas mais, pura picaretagem caça-níqueis.

Nesse ensejo, a cultura do box-set gfanhou certa notoriedade, pois tratam-se de caixas - geralmente temáticas - com vários cds e que vieram muito bem a calhar para aqueles que estavam afim de conhecer determinadas sonoridades, estilos ou artístas por fases, sem que para isso fosse preciso juntar obras completas, o que aliás, podia muito bem esperar.

Como estamos em pleno verão, vale darmos um destaque especial para uma dessas coletâneas em forma de box-set: a "Cowabunga! The Surf Box" (Rhino, 1996 ); a melhor compilação do que se produziu em matéria de surf music nos EUA entre os anos de 1961 e 1967, nos 3 primeiros discos, e um 4° disco com o estilo “turbinado” pelo punk/pós-punk entre 1976 e 1996.


Cowabunga Surf Box



UM BRINDE AO VERÃO


Aos desavisados, surf-music não quer dizer necessariamente "música de surfistas, tocada por surfistas e que só pode ser curtida onde houver praia", mas sim, uma sonoridade feita sob medida para qualquer verão (e olha que em Cuiabá, o que não falta é verão!).

Seguramente, a surf-music pode ser considerada como o primeiro grande "boom" do rock instrumental, haja vista que o rock instrumental, propriamente, já existia desde quando rock era rock, mas com a diferença de o instrumento principal ser o sax, sendo que com o surgimento da surf-music, o sax acabou cedendo o seu lugar à guitarra elétrica e ao tímbre “aquático” do reverb.


Dick Dale



Deflagrada por Dick Dale em 1961, com sua gravação de "Let's go Trippin'", a nova sonoridade serviu de influência para muita gente de peso, como por exemplo, toda uma geração de bandas instrumentais surgidas pela California e pelo mundo, bem como o lenderário Jimmy Hendrix. Aliás, Dick Dale foi o primeiro grande "endorser" (algo entre “garoto propaganda” e “piloto de testes”) da Fender, tanto que nas décadas de 60 e 70 ajudou a desenvolver guitarras e amplificadores para, a princípio, suportarem sua pegada cavalar.



SENTIDO UNIVERSAL


os ingleses The Shadows:

influência de 9 entre 10 bandas de surf music


De encontro ao que reza a grande mídia de massa, desde seu início, o estilo mostrou que veio para ficar, já que o seu legado tem se perpetuado através dos anos, não por meio de músicos revivalistas, mas por artistas das mais diversas correntes, sendo que a surf music também pode ser considerada uma das primeiras grandes manifestações daquilo que um dia haveríamos de chamar de "world music" ou de "fusion" em sua forma mais pura, milênios luz às desnecessárias prolixidades técnicas que hoje infestam e deturpam a música instrumental moderna.

Anos antes d'os hippies adotarem a cítara indiana, o pessoal da surf-music já fazia suas experimentações com elementos de música árabe, judaica, flamenca, eslava, oriental etc. Isso, sem falar na inconteste influência do jazz e da música erudita, nítida em muitos discos "temáticos" dos Ventures e do japones Takeshi Terauchi, com inúmeras releituras para clássicos de sempre.

Graças à surf-music, um novo universo de influências se abriu no rock'n'roll. Por exemplo: os Beach Boys que, graças à mente visionária de Brian Wilson (um costumaz frequntador desta coluna), transcenderam as fronteiras de uma sonoridade que até então tinha seus limites. Gravaram inúmeros clássicos que conjugavam harmonias vocais de "doowop" à pureza das guitarras Fender enxarcadas no reverb de amplificadores valvulados. Dentre os Beach Boys, apenas o baterista Dennis Wilson pegava onda. Eram ótimos músicos, sim. Mas apenas ao vivo! No estúdio, se encarregavam somente de fazer os vocais, pois os intrumentais eram (quase sempre) brilhantemente executados pelos melhores músicos de estúdio da época, como Glenn Campbel (guitarra), Carol Kaye (baixo) e Hal Blaine (bateria). Aliás, tais músicos se fazem presentes em quase todas as faixas dos 3 primeiros cedês do supracitado box-set “Cowabunga”!


Beach Boys



Embora a caixa tenha sido idealizada e compilada ao longo de muitos anos, pelo pesquisador Phil Dirt, o projeto só veio mesmo à tona graças ao sucesso do filme Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, em 1994, cuja trilha sonora consistia, em sua maior parte, de petardos da surf-music e do rock intrumental (Dick Dale, Lively Ones, Link Wray, The Revels, The Tornados etc).



Além de Dick Dale, a caixa também conta com muita coisa de Ventures (o primeiro grande nome de Seattle!), Bell-Airs, Beach Boys, Lively Ones, Trashmen, e de mais uma leva de pesos pesados do estilo.


The Ventures: ... e assim

começou o rock de Seattle...



BRASIL


Jordans, pioneiros da surf music no Brasil


O estilo apareceu no Brasil de maneira discreta, ainda no tempos da jovem-guarda.

Era comum em toda cidade haver algum “conjunto” que tocasse músicas dos Ventures, dos Shadows ou até mesmo “O Milionário” para animar bailinhos e matinés.

Apesar de jamais terem adotado o “rótulo” surf-music, inúmeras bandas gravaram LPs e compactos no estilo. Exemplos não faltam: The Jordans, The Jet Blacks, Os Incríveis, The Angels, The Pops, Renato & Seus Blue Caps, The Fevers etc. Inclusive os cuiabanos do Jacildo & Seus Rapazes gravaram “Tarzan, Rei dos Macacos” nos idos de 1966.


The Jet Blacks


Reza uma lenda que até mesmo o próprio rei Roberto Carlos tinha por exigência básica aos músicos que fossem acompanhá-lo, que estes ao menos conhecessem The Ventures e The Shadows. O resultado pode ser ouvido nos discos "É Proibido Fumar" (1964), "RC Canta Para A Juventude" (1965) e "Eu Te Darei o Céu" (1966).


O Rei Roberto Carlos foi o cara que mais apostou

em músicos do estilo para acompanhá-lo



BELO HORIZONTE

Muito tempo se passou e o Brasil se tornou um polo importante na produção de surf-music, pois desde a metade dos anos 90, inúmeras bandas têm surgido por toda parte e resgatado em seus repertórios muitas dessas pérolas que amargaram anos de solidão em meio aos sebos das grandes cidades.

Belo Horizonte, apesar de não ter mar, com orgulho vem carregando nos últimos 12 anos o status de ser a capital brasileira da surf music, título carinhosamente dado por Dick Dale quando de suas apresentações por lá, em meados de 1997. Tanto é que, em seu disco de ’98, Dale corroborou sua homenagem ao intitular uma de suas faixas com o nome de “Belo Horizonte”.

Tão forte é seu status que anualmente a cidade cedia o “Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe”, que em 2009 vai para sua 9ª edição, reunindo bandas de toda a América Latina e do mundo também.


Gui, Claudão & Lino: Estrume'N'Tal é a banda que encabeça o

PRIMEIRO CAMPEONATO MINEIRO DE SURFE


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Max Merege é o maior surfista sonoro de Cuiabá.

Efeito STOOGES

Outro ano sem nada pra fazer...
é 1969, beibe!


Em 2009 comemora-se os 40 anos de um disco que literalmente mudou os rumos da história do rock!
Trata-se do feito da banda The Stooges e de seu autointitulado álbum de estréia.
Por entre as cidades de Detroit e Ann Arbor, nos EUA, em 1967, nascia uma banda de de um bando de malucos, que a princípio se propunham a tocar rock psicodélico na linha do "flower power", mas como não levavam o mínimo jeito com essa história de se tornar bicho-grilo, viver em comunidades e comer arroz integral, acabaram, por sua vez, se tornando uma das forças mais descomunais do rock até então.
O nome The Stooges era uma homenagem ao velho seriado The Three Stooges (os Três Patetas, algo muito semelhante aos famigerados Trapalhões). Segundo Ray Manzarek, tecladista da banda The Doors: "se os Três Patetas têm uma versão roqueira, essa versão só pode ser os Stooges!"
O que não seria nenhum exagero comparar, já que tanto o grupo humorístico quanto a banda de rock tinham pressa em passar seu recado, e não interessava o resto. Os Stooges não surgiram para serem "engraçadinhos", mas a exemplo do trio, exploravam situações de suas vidas e tabús sociais de modo grotesco e despudorado, já que principalmente os EUA viviam então momentos extremos, como a ida do homem à lua, a Guerra do Vietnã, a ascensão de movimentos sociais (Panteras Negras foi um deles), hippies etc.
A banda era formada por James "Iggy Pop" Osterberg (vocais), os irmãos Ron e Scott Asheton (guitarra e bateria, respectivamente) e o colega de escola Dave Alexander (baixo). Com essa formação gravaram 2 álbuns históricos: o já supracitado The Stooges (1969) e Funhouse (1970).
Tão logo fizeram seu segundo disco, o baixista Dave Alexander deixou a banda, que se dissolveu pela primeira vez.
Em 1972, um grande fã deles, o inglês David Bowie, conseguiu um esquema para Iggy Pop ir gravar um disco na inglaterra. Como os músicos de lá não davam conta do recado, os Stooges se reuniram para gravar o clássico "Raw Power".

com David Bowie nos teclados


Na sua época, seus discos figuraram entre os maiores fiascos em termos de vendas, já que a iconoclastia daqueles meninos não podia dividir espaço com uma cultura que - tanto de um lado quanto de outro - buscava impingir goela abaixo em uma sociade incauta e alienada, ideais de uma esperança artificialmente forjada. Afinal, nada do que fizessem seria o bastante para aquele tedioso mundo.

Poder crú tem um filho chamado rock'n'roll!

O preço pago por seu não-reconhecimento foi alto. Afogaram-se numa vida desregrada, pautada em extremos, e pela primeira vez sentiram a foice da morte passar rente às suas cabeças...

Fato é que algum tempo depois de lançarem último disco e de dissolverem a banda, um novo estilo de rock contestatório nascia, sob fortíssima inspiração de seus discos, e desta vez, algo "comercialmente viável": o Punk.
Fãs dos Stooges não paravam de aparecer mundo afora! Em Nova Iorque surgiam os Ramones (que os copiavam até no visual); na Inglaterra, The Damned e Sex Pistols gravavam suas músicas; e na longínqua Austrália, eram sagradamente "coverizados" por The Saints e Radio Birdman.
Contudo, não havia mais o mínimo clima para voltarem. Assim, cada um seguiu seu caminho ...


O RETORNO

Scott Asheton, Iggy Pop, Ron Asheton,
Steve Mackay e Mike Watt (sentado)

No ano de 2003, passados 30 anos da gravação de seu último disco, eis que os Stooges voltam a tocar.
Sua primeira reaparição fonográfica se dá no cd "Skull Ring", de Iggy Pop. A idéia dá tão certo que de pronto eles passam a fazer tounées. A formação era o mais próximo possível da original, exceto pela ausência do baixista Dave Alexander, morto pelo diabetes em 1975, sendo que para a função foi recrutado o experiente Mike Watt. Tocaram em inúmeros países e festivais, tendo vindo, inclusive tocar no Brasil, em 2005!
Talvez sua maior surpresa tenha sido o fato de lotarem estádios e se depararem com platéias formadas, em 90%, por gente que sequer sonhava em nascer nos tempos em que eles bagunçavam o coreto.

o velho Iggy com seu fã James Hetfield

Certamente conseguiram um público mais forte e numeroso que o das inúmeras reuniões do Black Sabbath, afinal, fãs não faltam, já que isso podemos sentir desde a clássica regravação de Joey Ramone para "1969" até a versão pândega do Capital Inicial para "The Passenger" (O Passageiro), da carreirassolo de Iggy, passando pelos Red Hot Chilli Pepers com "Search & Destroy" e pelos Guns'n'Roses com "Raw Power", só para citar alguns de seus ilustres fãs.
Para ainda este ano, cogita-se o lançamento de um filme biográfico sobre os Stooges, no qual Elijah Wood (o Frodo, do Senhor dos Anéis) está cotado para fazer o papel de Iggy Pop. É esperar para ver....


INFORTÚNIO

Ron Asheton (*17.07.48 - 06.01.09+)

Escrever sobre os Stooges já era algo há muito pensado (desde o nascimento desta coluna). Entretanto, um triste acontecimento acelerou as coisas.
No dia 6 de Janeiro de 2009, o guitarrista Ron Asheton foi encontrado morto em sua casa, aos 60 anos, por causas naturais.
Seu secretário pessoal estranhou o desaparecimento, e por conta disso acionou a polícia. Os policiais foram até seu apartamento, arrombaram a porta e o encontraram morto. seu corpo jazia sentado em uma poltrona. Sofrera um enfarto fulminante havia alguns dias.

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Max Merege dedica a coluna de hoje a Ron Asheton, um ícone do rock'n'roll cuja obra jamais envelhecerá.
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11 de Janeiro de 2009
Coluna ENROLANDO O ROCK / Caderno FOLHA 3
Jornal FOLHA DO ESTADO
Cuiaba - Mato Grosso

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

ESSE TAL DE ROQUENROU


Para enterdermos melhor esse fenômeno que mudou a cara da música pop universal nas últimas 5 décadas, é preciso que esqueçamos um pouco daquela coisa romantizada de novela das 6h e do saudoso Bill Halley cantando Rock Around The Clock, com um monte de gente bonita dançando, para por na roda uma visão mais louca ainda, que o tempo fez questão de pasteurizar e, por que não, "moralizar" também.

Essa é uma história que começa a ser contada na década de 30 quando a Grande Depressão se abateu sobre os EUA, levando o país à falência e virando do avesso a vida de todo mundo. Em outras palavras, foi algo muito parecido com a presente crise econômical mundial, mas cujo estrago foi muito maior...

Em meio a essa onda de pessimismo e pobreza, como em qualquer lugar pobre do mundo, e graças ap instinto humano de preservar a espécie, houve um verdadeiro estouro nas taxas de natalidade! Das crianças nascidas a partir de então, uma metade se constituia de brancos pobres e caipiras, e outra de negros que, desde o berço, se viam frente a um país nítidamente racista. O tempo passa e essa criançada toda cresce...

Naquela época, os EUA precisavam crescer e se firmar como potência econômica e "polícia do mundo", também. Assim, muitos desses garotos acabavam indo para o quartel, fosse para lutarem na Coréia ou para trabalharem nas bases militares de uma Alemanha em reconstrução. Havia, sim, um contexto deveras propício para o nascimento de uma nova forma de expressão artística, tendo na música o seu principal meio.

Chuck B. Good...

Por volta de 1954, garotos brancos que cresceram ouvindo o blues dos negros e garotos negros que cresceram ouvindo o country dos brancos passam a comungar dos mesmos espaços e de idéias, pois tinham muito mais coisas em comum do que se supunha a vã filosofia reacionária que detinha o poder e caçava comunistas em nome de Deus.

Little Richard, Chuck Berry, Carl Perkins e Johnny Cash são apenas alguns dos nomes dos pioneiros desse tipo de comportamento que, a partir dos estados sulistas, começa a tomar de assalto a vida de jovens que antes se viam a leis morais e punitivas.

The Million Dollar Quartet:
Jerry Lee Lewis, Carl Perkins,
Elvis Presley & Johnny Cash


Nascia assim o rock'n'roll, um estilo rebelde de música e de expressão que encontrou sua identificação por entre uma juventude revoltada com o stablishment e que, sob todo tipo de acusação, teve nas rádios o seu principal meio propagador graças a muitos DJs transgressores, sobre tudo o DJ Alan Freed.

Alan Freed, um DJ de verdade!


Não existia cedê para comportar 20 músicas ou mais. A cultura do long-play recém aparecia. Logo, boa parte da produção saía mesmo em singles ou EPs - com 2, 3 ou 4 músicas - o que tornava bem mais fácil a absorção das idéias ali contidas.

Hasil Adkins,
o primeiro homem-banda do rock



Em pouco tempo, o estilo contagiante ganhava o mundo. Primeiro o Reino Unido, por intermédio da cultura Teddy Boy e de artístas como Vince Taylor, Johnny Kidd, Billy Fury, Cliff Richard e muitos outros. Em seguida foi a vez da Alemanha que, em meio à sua reconstrução, rendeu-se à estética "rebelde sem causa", propagada por caras como Ted Herold, Peter Kraus, Gus Backus, Conny Froboes, Freddy Quin e tantos outros que ajudaram expandir suas fronteiras por todoas as partes possíveis da Europa Ocidental.

Gene Vincent & His Blue Caps



ROCK TUPINIQUIM

O rock'n'roll avança e a gente entra na dança ...

No Brasil, o estilo chegou com tudo em 1956 pelas mãos de Betinho, um músico de Carmen Miranda que gravou o clássico "Enrolando O Rock" (que dá nome a esta coluna) e pavimentou a estrada para pioneiros como Cauby Peixoto, Tony & Celly Campello, Ronnie Cord, Demetrius, George Friedman e tantos mais... mas isso já é assunto para uma próxima oportunidade.


"DISCOTECA BÁSICA"


Por ora, fica a dica de um box chamado ROCKIN' BONES, que apesar de ser impossível de se encontrar nas "melhores casa do ramo", pode ser importado por meio de sites especializados.
Trata-se de uma caixa de uma caixa de 4 cedês com os nomes mais loucos dos primeiros tempos do rock: Billy Lee Rilley, Dwight Pullen, Link Wray, Hasil Adkins, Charlie Feathers, Johnny Burnette, Ronnie Dawson, Carl Perkins, o jovem Elvis, Jerry Lee Lewis, Gene Vincent, Buddy Holly e por aí vai...

Link Wray, o pai da guitara distorcida


Por hoje é isso, meus caros. Semana que vem tem mais!


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Max Merege é um pesquisador musical de Cuiabá. Talvez seja o sujeito que mais ame o rock'n'roll neste Cuyabazão (mas isso pode gerar polêmica). Envie e-mail para maxmerege@gmail.com
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04 de Janeiro de 2009
Coluna ENROLANDO O ROCK / Caderno FOLHA 3
Jornal FOLHA DO ESTADO
Cuiaba - Mato Grosso


terça-feira, 23 de dezembro de 2008

THE POGUES

É comum quando se fala em THE POGUES, associar de cara à figura bizarra do vocalista Shane McGowan, cuja imagem parece se sobrepôr ao talento, principalmente em um mundo forjado sobre as aparências.

Sim, nos anos 80 e 90, muito tempo antes da Amy Winehouse aparecer, o cara já bagunçava o coreto pelas ruas de Londres, e infelizmente, além de ser lembrado como o sujeito mais feio da face da Terra (se cara tiver 6 dentes na boca, ainda é muito!), ele também se notabilizou como o pior junkie e bebum do mundo pop.

Fora esses defeitos irrefutáveis, McGowan carrega consigo a pecha de mestre do chamado etno-punk, fusão do punk-rock com a música folk, já que o próprio Shane McGowan, além de ter cantado em uma banda chamada The Nips (77-80), também crescera como um entusiasta da cultura céltica; afinal, apesar de ter nascido nos suburbios de Londres, McGowan é irlandês de pai e mãe e também foi criado na bucólica Irlanda.

Em 81, logo após o fim dos Nips, Shane se uniu a Peter "Spider" Stacy (flauta) e Jem Finer (banjo), para começar algo realmente diferente...



Feio é apelido, e um apelido bonzinho!




DEBUT



Até então, a inserção de elementos tradicionais ao punk-rock era algo muito tímido e justamente os Pogues "chutaram o pau da barraca" ao mesclarem pra valer o punk de sua formação juvenil com melodias tradicionais irlandesas, com as quais foram criados.

Em 82, a banda que a princípio se chamava Pogue Mahone, já fazia suas primeiras apresentações pelos pubs londrinos. Outros 3 membros somavam-se então ao conjunto: James Fearnley (acordeão), Cait O'Riordan (baixo) e Andrew Ranken (bateria).

Gravaram um single por conta própria, em 83, e em seguida abriram shows do The Clash. No ano seguinte, ganharam atenção especial, apareceram na BBC e em outubro lançaram o disco "Red Roses for Me" pela Stiff Records, uma gravadora que, aliás, estava com os dois pés na bancarrota.

Mudando um pouco de ares, a banda pode contar ainda com a entrada do guitarrista Philip Chevron e com a força do músico Elvis Costello para produção do disco "Rum, Sodomy & Lash", cujo título se referia a um suposto e polêmico comentário de Winston Churchill acerca da marinha britânica na Segunda Guerra. Destaque para "The Old Main Drag" e "The Sick Bed of Cúchulainn", que revelaram o lado mais poético de Shane, e releituras condignas para "And the Band Played Waltzing Matilda" (Eric Bogle) e a clássica "Dirty Old Town" (Ewan MacColl).

Em 86, lançam apenas um EP de 4 faixas chamado "Poguetry in Motion". A baixista Cait O'Riordan deixa a banda para se casar com Elvis Costello, entrando para seu lugar Darryl Hunt e o multi-instrumentista Terry Woods.




FAIRYTALE OF NEW YORK



Já com tudo em cima, a banda grava dois discos que figurariam por um bom tempo no top 5 das paradas britânicas: "If I Should Fall from Grace with God" (88) e "Peace and Love" (89).

Do disco de 88 vem o single "Fairytale of New York", clássico natalino com a participação da cantora Kirsty MacColl, que por conta de alguns versos tidos por "desbocados" pela conservadora sociedade britânica, deu muito o que falar nos últimos 20 anos.


Kirsty MacColl & The Pogues



Em 91, após gravarem "Hell's Ditch" e às tampas com o comportamento de Shane, a banda deu um jeito de tirá-lo da jogada. Quem acabou segurando as pontas nos vocais foi o eterno Clash e também produtor da trupe, Joe Strummer.

Tão logo Strummer saiu, os Pogues remanescentes gravaram e lançaram "Waiting for Herb", que continha o bem sucedido single "Tuesday Morning".

Em meio às constantes entradas e saídas de integrantes, a banda já não via a hora de acabar. Assim, em 96, entoa o seu "canto do cisne" com o disco “Pogue Mahone”, que apesar de ser um bom disco, demonstra-se um fracasso nas vendas quando do seu lançamento, o que foi um tiro de misericódia para a banda.

Um detalhe curioso é que há pouco tempo, a música “Love You 'Till The End", do mesmo disco “Pogue Mahone”, foi o tema de amor no filme baba “P.S. I Love You”, cantada em dueto por Hillary Swank e Gerard Butler, em uma trilha também contou com "Fairytale of New York".


"Love you 'till the end ..."



PELAS ADJASCÊNCIAS DO OFÍCIO


Mal acabaram os Pogues, seus remanescentes continuaram tocando sob os nomes de The Wisemen e The Vendettas. Shane criou uma banda chamada Shane McGowan & The Popes e que teve até participações de Johnny Dep na guitarra.



A VOLTA


Brixton, Dezembro de 2004



O "intervalo" só durou 5 anos, até a volta da banda - com sua formação clássica - em 2001 para um especial de Natal. A coisa deu tão certo que tours e shows ao redor do mundo passaram a ser agendados.

Para cada apresentação, têm conseguido esgotar a lotação de onde quer que toquem. Isso tem sido uma constante na vida da banda por esses últimos 7 anos. Ainda não vieram tocar no Brasil.

Por hoje é isso, meus caros. Desejo a todos um FELIZ NATAL, ao som de “Fairytale of New York”.




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Max Merege, além de ser um inveterado curtidor de rock e dedicado pesquisador musical de Cuiabá, também é publicitário e, certamente, um sujeito bem mais bonito que o Shane McGowan.



21 de Dezembro de 2008
Caderno FOLHA 3
Jornal FOLHA DO ESTADO
Cuiaba - Mato Grosso

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

DENGUE FEVER, não tem como escapar!


Como o próprio nome diz, DENGUE FEVER é a "Febre da Dengue". Diga-se de passagem que isso também vai direto na saúde da alma, afinal trata-se de um tipo exótico de música pop que a cada dia tem se proliferado pelos cantos do mundo real e virtual. É o que podemos chamar de banda "multi-cultural" ou grosseiramente falando, um "bom fruto da globalização".


Formada em 2001, na cidade de Los Angeles, Califórnia, o Dengue Fever tem em seu line-up dois irmãos de origem judaica e uma cantora cambojana, mais um trio formado por experientes musicos da área.

Achou estranho? E olha que isso dá samba, e dos bons!


HOLLIDAY IN CAMBODIA...

Só para se situar um pouco no tempo-espaço, no Camboja produzia-se música pop de excelente qualidade, já que na época da ocupação americana no vizinho Vietnã, de 1967 a 1975, as rádios do exército costumavam tocar os grandes sucessos do ocidente, como Beatles, Rolling Stones, Beach Boys, The Who, Animals, The Doors etc. Assim, jovens cambojanos resolveram reinterpretar aquelas músicas à sua maneira e criaram algo completamente diferente de tudo o que se conhecia.

Pena que a cena que então surgia, morreu prematuramente em 1975, quando o khmer vermelho - a ditadura de lá - cuidou de matar quase todos os artistas. Desses, alguns conseguiram fugir para países vizinhos como a Tailândia e o Vietnã. Como se isso não fosse o bastante, os “agentes culturais” do governo tiveram o cuidado de aniquilar os acervos das gravadoras e também fizeram o favor de queimar tudo quanto era disco de vinil, sob o pretexto de erradicar qualquer tipo de influência "burguesa" advinda do ocidente capitalista.

O que restou foram alguns discos, cuidadosamente escondidos nas casas e que tempos mais tarde circulariam sob a forma de fitas k7, vendidas nas barraquinhas de camelôs, pelas ruas de Phnom Pehn.

Passados alguns anos, as tais fitas k7 tornaram-se um valioso souvenir entre mochileiros europeus e norte-americanos, que passaram a carregá-las em suas bagagens. Não demorou muito e o pop cambojano ganhou o mundo por meio das facilidades da internet e do advento do mp3, tanto é que pelos softwares de compartilhamento, as coletâneas “Cambodia Rocks” são campeãs de downloads.


ENFIM, UMA BANDA

Em 1999, inspirados por uma viagem ao Camboja, os irmãos Ethan e Zac Holtzman, fãs de carteirinha dos Mutantes e de Sérgio Mendes, tomaram conhecimento da tal sonoridade exótica e fascinante e a incorporaram às influências de uma banda que então nascia. À trupe somaram-se ainda os amigos Senon Williams, Paul Smith e David Ralicke. Todavia, só faltava uma voz para entoar tais melodias no misterioso idioma...

Passados poucos mêses, circulando pelos karaokes de um bairro cambojano de Los Angeles, depararam-se com uma jovem cantora chamada Chhom Nimol. Pronto! Finalmente encontraram a peça que faltava em seu quebra-cabeças.

Chhom Nimol já era uma estrela de karaoke no Camboja. Viajara aos EUA apenas para visitar sua irmã. Gostou tanto de lá que acabou se fixando, pois mesmo acompanhada de play-backs ela podia sempre contar com um dinheirinho dos cachês pagos pelos diversos clubes e restaurantes da comunidade. Demorou algum tempo para ela digerir a idéia de cantar com uma banda e após insistentes convites, aceito enfim ensaiar com os irmãos Holtzman e seus amigos. A química deu tão certo que ela se tornou de fato a voz da banda.

Chhom Nimol



A ESTRADA...

Em 2003 debutaram com seu auto-intiulado primeiro disco, cujas letras eram todas cantadas no idioma khmer e cujo repertório consistia em grande parte de regravações para canções de Ros Sereysothea e Sinn Sisamouth, os maiores ídolos da música cambojana.

Com uma boa vendagem nas comunidades de imigrantes, a princípio, Dengue Fever atingiu também o público de múscia independente local e, por acréscimo, fãs da world music.

Excursionaram pelo Camboja e tocaram por tudo quanto foi buraco de lá, tornando-se verdadeiros ídolos nacionais. No mesmo ano de 2005, apareceram na trilha sonora do filme “Broken Flowers”, de Jim Jarmush, e também lançaram “Escape From Dragon House”, que além de ter sido um enorme sucesso de vendas no site amazon.com, também mereceu (em agosto de 2008) uma reedição em vinil colorido.

Em junho deste ano, após ganharem a simpatia do músico Peter Gabriel, lançaram o disco “Venus On Earth”, por seu selo Real World Records. Curiosamente, o disco foi lançado primeiro para fora dos EUA e Canadá, e para variar, fizeram o maior sucesso pelo mundo...

Por hoje é isso, meus caros, semana que vem tem mais. Um grande abraço a todos!

DENGUE FEVER é: Chhom Nimol (vocais), Zac Holtzman (guitarra e voz), Ethan Holtzman (órgão Farfisa), Senon Williams (baixo), David Ralicke (metais) e Paul Smith (bateria).

Discografia:

Dengue Fever (2003)


Escape from Dragon House (2005)


Venus On Earth (2008)

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14 de Dezembro de 2008
Caderno FOLHA 3
Jornal FOLHA DO ESTADO
Cuiaba - Mato Grosso

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Simplesmente MUTANTES


A história começa nos idos de 1965, no bairro da Pompéia, em São Paulo, quando os irmãos Dias Baptista - Cláudio e Arnaldo - e os amigos Raphael Vilardi e Roberto Loyola se juntaram com as amigas Rita Lee Jones e Suely Chagas para um barulho, pois ao mesmo tempo em que os meninos tocavam freakbeat tupiniquim, sob o nome de The Wooden Faces, as meninas tinham um grupo vocal chamado The Teenage Singers.
Somaram-se então à trupe, o guitarrista Sérgio Dias - irmão caçula dos Dias Baptista - que veio para o lugar de Cláudio, e o baterista Pastura. Nascia assim a banda O'Seis.
Em 1966, lançaram um compacto que deu o que falar, pois além de explorarem sonoridades avançadas, suas letras também vinham recheadas de humor negro, coisa nada comum no mundo da jovem guarda. Vendeu pouco, mas por outro lado conquistou a simpatia do cantor e apresentador Ronnie Von, que os convidara para tocar em seu programa na TV Record. Como viviam uma fase de muitas mudanças, por sugestão do então novo grande amigo, mudaram o seu nome para Mutantes.
Em seguida, acompanharam Ronnie Von em um disco arranjado pelo Maestro Rogério Duprat. Este disco contém o clássico tropicalista “Pra Chatear" e que conseguiu renir os Mutantes, Ronnie Von, Caetano Velloso e o Maestro Duprat em uma mesma faixa.
Ainda em 1967, acompanharam Gilberto Gil em “Domingo No Parque”. Nesse embalo, sob os cuidados do maestro, gravaram também cinco músicas com a "Banda Tropicalista de Rogério Duprat" e acompanharam Caetano Velloso em “É Proibido Proibir”.


Um ano que não acabou...


Finalmente em 1968 lançararam seu primeiro lp: "Os Mutantes"; e também participaram do antológico álbum "Tropicália", com o Maestro Duprat, Caetano Velloso, Gilberto Gil, Nara Leão e Tom Zé.
Nesses tempos, as vaias eram constantes, já que até então a mpb não tolerava o uso de guitarras elétricas e nem extravagâncias que extrapolassem o seu rígido padrão “banquinho e violão”. Os Mutantes - bem como o Chacrinha - viraram a coisa do avesso e fundiram o Brasil com o Mundo, quebrando todas as fronteiras artísticas e estéticas possíveis. Seus álbuns ganharam lugar de destaque entre os discos mais importantes dos últimos cinquenta anos, e até hoje figuram entre os nomes mais influentes da cultura pop universal.
Posteriormente, entre 1969 e 1972, sob sua já consolidada formação clássica - Arnaldo, Sérgio, Rita, Liminha e Dinho - apresentaram oficialmente outros quatro discos como “Os Mutantes” e mais dois creditados a “Rita Lee & Os Mutantes”.




Do Brasil para o mundo



Em 1970, os Mutantes viajaram à Europa para tocar em um importante evento na França. Conseguiram um ótimo esquema para gravação e lançamento de material por aqueles lados, mas graças à burocracia da gravadora, o tal disco que por lá gravaram ficou engavetado por trinta anos e só saiu em 2000 sob o nome de "Technicolor", cuja arte de capa fora assinada por Sean Lennon, filho de John Lennon e discipulo de Arnaldo Baptista.


O primeiro final


Em 1972, o casamento de Rita e Arnaldo estava com seus dias contados. A banda enfrentava problemas com a gravadora: restrições contratuais, gravações "sem apelo comercial" etc. Rita Lee já nem estava mais com eles. Um dos casos foi a "geladeira" de vinte anos para o disco "o A e o Z".
Em meio a esse estresse, Arnaldo troca a banda pela carreira-solo e em 74 lança o disco “Lóki” que, bem ou mal, teve a participação dos Mutantes e arranjos do maestro Duprat, mas revelou também a face melancólica de um artísta que até há pouco era lembrado por sua irreverência. Fora isso, formou o Patrulha do Espaço, passou um tempo no hospício, rachou a cuca, virou pintor e escritor, e voltou a tocar.
Quanto aos demais Mutantes, só restara Sérgio Dias que tocou o nome da banda até 1978 e gravou três discos de rock progressivo. Rita Lee fundou o Tutti Frutti e teve uma bem sucedida carreira-solo. Liminha se tornou um dos maiores produtores do Brasil. Dinho Leme largou a música para virar empresário. E o Maestro Duprat, vítima do mal de alzheimer, faleceu em 2006.



A volta...

Arnaldo Baptista, dinho Leme (fundo) e Sérgio Dias

Em 2006, após 3 décadas longe dos Mutantes, Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Dinho Leme voltam a tocar juntos! Todavia, por conflitos de agenda, tanto Rita Lee quanto Liminha tiveram que declinar do convite. A cantora Zelia Duncan foi a escolhida para os vocais e a um sexteto de apoio coube a missão de preencher a lacuna de Liminha, possibilitando ao vivo coisas que só existiam em estúdio.

Esgotaram a lotação de um grande teatro de Londres e de lá paratiram para uma tour pelos EUA. Não demorou e excursionaram pelas principais capitais do Brasil (pena que não vieram a Cuiabá!).
Missão cumprida, tanto Arnaldo Baptista quanto Zélia Duncan deixaram a banda para se dedicarem a projetos pessoais. Desde então, Sérgio Dias e Dinho Leme têm dirigido a trupe, sem necessariamente usarem o nome Mutantes, mas sempre buscando preservar os arranjos e a magia originais.




O filme


Em abril deste ano foi lancado Lóki, documentário do cineasta Paulo Henrique Fontenelle sobre a vida de Arnaldo Baptista e a trajetória dos Mutantes, com direito a imagens raras, depoimentos de vivos e finados e tudo o que é de se esperar de algo que levou anos para ser feito.
O filme tem sido muito bem falado, mas infelizmente está fora do circuito comercial e sem previsão para sair em dvd. Assim, só resta a nós - meio desligados - esperar a chegada do filme e curtir o que ainda temos à mão...



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Max Merege é um pesquisador musical de Cuiabá que AMA música brasileira, muito mais que muita gente por aí!


Artigo originalmente publicado
dia 07 de Dezembro de 2008
Caderno FOLHA 3
Jornal FOLHA DO ESTADO
Cuiabá - Mato Grosso