segunda-feira, 11 de maio de 2009

MAX MEREGE APRESENTA: Rogério Sganzerla – o abismo da marginalia cinematográfica - por Cleiner Micceno


No final dos anos 40 e durante os anos 50 bem no período pós guerra a Itália se reconstruía social e culturalmente com o neorrealismo de Rossellini e Vittorio de Sica, com filmes que usavam como cenário a própria realidade, assim como atores amadores e pessoas do povo. E com inspiração nessa estética e nesses preceitos alguns cineastas como Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Rui Guerra, Carlos Diegues, entre outros, na década de 60, começam a tomar essas idéias e colocá-las em pratica com o velho bordão do Glauber Rocha “uma idéia na cabeça e uma câmera na mão” começa ai saga do cinema novo no Brasil, com obras como “Os Fuzis”, marco inicial de Rui Guerra, e "Deus e o Diabo na Terra do Sol" de Glauber Rocha, um cinema de esquerda, contestatório, adaptado a realidade brasileira, mas mesmo assim ainda cheio de ranços e de cineastas que com o passar dos anos virariam a casaca, os ideais e suas raízes.

No final dos anos 60 alguns diretores que até então tinham simpatia (ou saíram direto do berço do cinema novo), começaram a contestar a lei estética vigente, tendo como pais espirituais Ozualdo Candeias com seu grande filme “ a margem” de 1967 e o agressivo José Mojica Marins com o genial “a meia noite levarei sua alma”.diferentes do cinema novo com uma estética seminal e agressiva, beirando o surreal, um cinema cru, filosoficamente muito distante do ufanismo intelectual engajado dos cinemanovistas, nascia ai a base do cinema marginal.

A boca do lixo, no centro velho de são Paulo o quadrilátero delimitado pela Duque de Caxias, Timbiras, São João e Protestantes (região da sta Ifigênia e praça da republica) foi o berço do cinema marginal que foi pejorativamente chamado de Udigrudi por Glauber Rocha uma corruptela abrasileirada de UNDERGROUND, a boca que contava com a maior concentração por metro quadrado de prostitutas e bandidos e escroques de todos os tipos, devido a estação de trem ali próxima e onde vieram parar um sem numero de produtoras de filmes, que viabilizou vários diretores iniciantes a começarem suas obras nesse espaço maldito, regado a sexo e malandragem.

E dessa mesma boca saem vários diretores que viriam a formar a nova estética, rompendo com o cinema novo, trazendo um cinema irônico, urbano, e libertário sintonizado com a contracultura e as vezes pagando caro por isso, com obras com dificuldade de serem exibidas, de prejuízos e até mesmo impossibilidade de apresentação de trabalhos prontos por muitos anos, seja pela censura ou não fazer parte de um establishment imposto pelos distribuidores e por puro boicote da censura oficial assim como de certas pessoas descontentes.

É dessa realidade que vem uma leva de novos cineastas como Carlos Reichenbach, Andrea Tonacci e logicamente Rogério Sganzerla.

Sganzerla é um cineasta sui generis, dono de uma estética forte com influencias de vários cineastas como Samuel fuller , Godard e Orson Welles, em sua obra inicial “ O bandido Da Luz Vermelha” de 1968, ele tem uma relação de amor e ódio ao cinema novo, a quebra da estética formal de narrativa para fazer um filme urbano, mas imerso na cultura nacional, outsider por definição, a primeira frase que se ouve do bandido no filme “quem sou eu” complementada depois por “...quando a gente não pode fazer nada a a gente avacalha, avacalha e se esculhamba”reflete essa idéia de estar fora de uma posição definida dentro de um conceito pré concebido, uma pergunta existencialista que permeia toda obra desse cineasta que sempre esteve contra a maré mas se mantendo sempre fiel a seus ideais estéticos e filosóficos.

“Eu acho que o cinema é uma atividade produtiva: manter a língua, a imagem do nosso país” diria sganzerla pouco antes de falecer em 2004, e ele fez isso com maestria no bandido. Usando a linguagem coloquial espontânea dos personagens que surgem desse submundo das entranhas de são Paulo dos anos 60

as frases que marcam o filme são afirmações metafóricas sobre a realidade social e política brasileira a beira do recrudescimento da censura “... o terceiro mundo vai explodir e quem tiver de sapato não sobra” é repetido a exaustão, o mosaico que o bandido forma com, políticos coronelistas , pela força repressiva policial, pela fauna que circula pela metrópole suja, fazem parte desse microcosmo social brasileiro sem muita perspectiva, que é agravada pela imprensa sensacionalista marcada pela narração renitente, que se desenvolve durante o filme, uma relação anárquica com os valores instituídos, dando destaque a marginalia e a vida no fio da navalha.

Sganzerla continua a saga dos desvalidos e amorais em “ a mulher de todos” filme, que ele depois de inteiro editado teve de recorrer a restos de cenas pra conseguir que o filme atingisse o tempo necessário de um longa metragem. O filme tem sua mulher Helena Ignez no papel principal de Ângela carne e osso a inimiga numero um dos homens, sganzerla vai fundo na sátira aos valores burgueses e vazios da sociedade em plena decadência, com suas relações efêmeras e o vazio atrás das mascaras sociais.

Já em 1970 ele vai para o rio onde com Julio Bressane formam a bel-air filmes , dessa época datam “sem essa aranha” , “betty bomba, a exibicionista” e o “Copacabana mon amour” que tem a desglamourização da imagem carioca de cartão postal como seu principal tema, o que Sganzerla faz com uma ironia certeira

o cineasta passa por uma fase complicada ficando sem lançar nenhum longa de 1971 até 1977 quando termina o “abismu” filme enigmático feito com recursos próprios, com Norma Bengell, José Mojica Marins, wilson grey e Jorge loredo, o filme passa por uma maratona para poder ser lançado, norma bengell vendeu um apartamento para que fosse concretizada a produção do filme de sganzerla que sofre uma espécie de repressão velada por parte dos exibidores, ele fala sobre isso em 1981 quando o filme já teria conseguido aval da censura mas não conseguia salas de exibição:

“ o que fazer diante do arbítrio de incompetência treinada? Eu, que não sou burro, sempre soube que existe um boicote contra meus filmes. Falei demais? Saibam que por idealismo nunca calei-me diante do fato de intuir precocemente as coisas. Serei tão importante e ameaçador assim? Se fui considerado dos mais criativos realizadores do País, por que cuidadosamente não deixam ir às telas... ou seja tenho filmes arquivados há dez anos... que tal ? Não seria um boicote armado pelos intelectuais de araque?”

Esse não seria o ultimo embate de sganzerla com dificuldades de lançar um trabalho.

A obsessão pessoal de sganzerla pela vinda de Orson Welles ao Brasil em 1942 para gravar “it´s all true (é tudo verdade)” rendeu uma série de trabalhos sobre o tema , a garimpagem sobre isso começa ainda em 1980 e tem como resultado: “nem tudo é verdade” de 1986, “A linguagem de Orson Welles” curta de 1989 e “É Tudo Brasil” de 1997 e o ultimo trabalho de sganzerla, já fragilizado com um tumor no cérebro, “o signo do caos” de 2003 um anti-filme, com questionamentos profundos sobre o fazer cinema no Brasil, com mistura de drama e thriller policial e ainda as ultimas partes sobre welles, foi mais uma maratona árdua para conseguir apoio e lançar o filme depois de pronto. Concretizado o tão esperado lançamento e conseguiu o premio candango de ouro por seu filme no 36° festival de cinema de Brasília mas por estar debilitado não conseguiu ir até a premiação.

Morreu no dia 9 de Janeiro de 2004, vítima de um tumor no cerébro e deixando na cultura nacional um vácuo difícil de ser preenchido.


Quem tiver de sapato não sobra






Filmografia de rogério sganzerla


domingo, 10 de maio de 2009

BACHARACH




Se a população ocidental cresceu a olhos vistos entre as décadas de 60 e 70, muito disso se deve a Burt Bacharach... E não é nenhum exagero afirmar isso, pois muita gente foi gerada ao som de muitos de seus incendiários hits românticos como: "Raindrops Keep Fallin' On My Head" (BJ Thomas), "The Look Of Love" (Dusty springfield), "Close to You" (The Carpenters), "Walk On By" (Isaac Hayes), "What's New, Pussycat" (Tom Jones), "What the World Needs Now is Love" (Jackie DeShannon), "I Say A Little Prayer" (Aretha Franklin), "My Little Red Book" (Manfred Mann), Casino Royale (Herb Alpert & Tijuana Brass), "Baby, It's You" (The Beatles), "Any Day Now" (Elvis Presley) e "Wives and Lovers" (Frank Sinatra) e inúmeros tantos mais...
Filho de pais judeus, Burt Bacharach nasceu no sul dos EUA em 1928. Estudou música em grandes conservatórios e universidades, serviu nas forças armadas e também tocou piano em muitos e muitos bares dessa vida.
Mestre nas ambientações, assim como Phil Spector, Frank Zappa e Brian Wilson, Bacharach ganhou notoriedade como um maestro da easy listening music (música de fácil audição), mesmo com toda complexidade envolvida em suas composições. Compôs músicais para a broadway e fez inúmeras trilhas sonoras para filmes hollywoodianos, mas foi mesmo na (re)criação do pop que seu nome de fato se fixou.
Fã confesso da mpb, não poupa elogios (e também algumas críticas) a astros como Ivan Lins, Milton Nascimento e Djavan, isso sem falar na forte ligação com Sérgio Mendes, possibilitada pelo amigo comum Herb Albert.
Entre o final dos anos 50 e começo dos 60, ele foi o maestro da diva Marlene Dietrich e com ela emplacou inesquecíveis hits, principalmente versões germânicas para muitos sucessos da lingua inglesa. Aliás, de encontro ao que dizem as más línguas, Burt Bacharah nunca namorou a estrela alemã, mas sim, fora um grande amigo e discípulo seu.
Como um bom superstar, em sua vida casamentos não faltaram. Afinal, o cara se casou umas 4 vezes em 50 anos. De suas ex-esposas, figuram musas dos cinema nas décadas de 50 e 60 como Paula Stewart e Angie Dickinson.
Dentre seu maiores parceiros e interpretes, nomes como o do letrista Hal David e da cantora Dionne Warwick são presenças costantes em tudo o que lhe diz respeito, haja vista que, segundo o próprio, se suas música tem palavras, são as de Hal David; e, se têm uma voz, é a voz de Dionne Warwick. Precisa dizer mais?
Agora, por que escrever sobre Burt Bacharah? Porque ele simplesmente é um dos maiores mitos do pop ainda vivos ( 80 anos! ) que está em tour pelo Brasil. Tem aparecido em inúmeros programas de entrevistas e jornais pelo país. Várias das publicaçõe musicais também têm prestado sua reverência a esse semi-deus da cultura ocidental contemporânea, e para nós, da Folha do Estado, não poderia ser diferente.

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Max Merege, além de entusiasta da boa música, não nega a possibilidade de também ter sido concebido ao som de "Raindrops Keep Fallin' On My Head".



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19 de Abril de 2009
Coluna ENROLANDO O ROCK / Caderno FOLHA 3
Jornal FOLHA DO ESTADO
Cuiaba - Mato Grosso

PSYCHOBILLY + CRAMPS

Paternidade de um estilo bastardo

Até hoje sua origem provoca discussões acaloradas, pois enquanto para alguns, surgiu nos EUA, em 1975, com a banda The Cramps; para outros, a coisa nasceu mesmo na Inglaterra, em 1980, com a banda The Meteors. Fato é que um bom psychobilly pode se resumir a um aguçado senso de humor-negro, combinado com frases musicais pra lá de manjadas de country e blues, mas com uma dose cavalar de malandragem que estilo nenhum poderia propiciar. Enfim, trata-se do estilo que melhor funde rock'n'roll e demência!
A configuração dos instrumentos é a mais básica possível: uma guitarra semi-acústica, um contrabaixo acústico do tipo rabecão e uma bateria com meia-dúzia de peças para se tocar de pé. Simples, porém incrivelmente eficaz!
Dentre suas maiores influências, podemos citar muita música demente dos anos 50 e 60 (principalmente!), filmes de terror e quadrinhos também.

Lux Interior & Poison Ivy, THE CRAMPS - banda marco zero!


Segundo os Cramps, a banda "marco zero" do estilo, suas referências musicais se apresentam em três pincipais eixos: rockabilly, surf music e 60's garage.
Quanto aos filmes, quanto mais barato e medonho, melhor! Recomenda-se muita coisa de Roger Corman, Ed Wood, Russ Meyer, H.G. Lewis, Zé do Caixão, George Romero, Tobe Hopper e o Psicose de Hitchcock também. Daí em diante as coisas evoluem para melhor como faroeste italiano, kung-fu chinês, exploitation, superman turco, batman indiano etc. Enfim, tudo em nome de uma boa diversão.




O Epicentro Europeu



"THE METEORS - Reis do psychobilly europeu"

Apesar da influência nitidamente norte-americana, o psychobilly aconteceu mesmo na Europa, a começar pelo lendário Klub Foot de Londres, que além de receber nomes locais como os Meteors, Guana Batz, Sharks, Coffin Nails, King Kurt, Restles e Frantic Flintstones, recebia também muitas bandas vindas de outros cantos da Europa, como era o caso da holandesa Batmobile ou das alemãs P.O.X. e Sunny Domestoez.

Hoje, no lugar do Klub Foot existe uma estação de trem, mas isso não significou o fim dos shows, pois de um jeito ou de outro a coisa continuou bombando pela Europa. Na Dinamarca os Nekromantix já apavoravam com sua combinação insana de psychobilly e speed metal; na Alemanha, o Mad Sin já quebrava tudo e ilhas britânicas, Demented Are Go! (Gales) e Klingonz (Irlanda) literalmente bagunçavam o coreto!



Brasil

Hulkabilly (centro) e seus KÃES VADIUS, formação 2009

Quanto ao Brasil, no ABC paulista a banda Kães Vadius abria o caminho para outros conterrâneos como o S.A.R. e os K-Billy's, e para os cariocas d'A Grande Trepada (a.k.a. Big Trep). Em '89 foi lançada a coletânea Devil Party, a primeira compilação do gênero por aqui. No mesmo período, o finado selo Stiletto lançava os discos "Sewertime Blues" dos Meteors, e "Live Over London" dos Guana Batz, que também vieram tocar no Brasil, bem como as memoráveis apresentações dos Stray Cats.

Paraná


De colunas do max


Nos anos 90, enquanto a Europa era sacudida por uma enxurrada de bandas psycho, Curitiba se tornava o principal centro do gênero no continente americano. Começou com os Missionários, seguiu com os Cervejas, Os Krápulas e Ovos Presley, e teve seu ápice com os Catalépticos, entre '97 e '06.

A cena curitibana ganhou renome internacional não só com o sucesso d'Os Catalépticos em terras européias, mas também por meio de dois grandes festivais: o Psycho Carnival, que abrange os dias do carnaval; e o Psycho Fest, que rola geralmente entre julho e setembro. Ambos contam, todos os anos, com a presença de algumas bandas gringas de renome, e tudo isso, contando com um público oriundo de todas as partes do Brasil e do mundo.




Cartaz PSYCHO CARNIVAL 2009



De lá pra cá, uma fortíssima cena desenvolveu-se em Londrina e as únicas bandas curitibanas do primeiro "boom" que sobreviveram foram Krápulas e Ovos Presley. Muitas outras grandes bandas surgiram depois, mas isso já é um assunto para a gente comentar outro dia.


Oportunidade em Cuiabá

Peter G.Vögeli, fundador dos CENOBITES (Rotterdan - NL)


Aliás, como Curitiba terá um Psycho Carnival nos dias 19 e 20, os holandeses do Cenobites, aproveitando a passagem pelo Brasil, tocarão em Cuiabá também, na sexta-feira, dia 20 de Fevereiro. De fato é uma pena que as bandas de abertura sejam muito aquém ao que sua estrada e talento de fato exigem. Enfim, para curtir um bom show de power-psychobilly, vale qualquer esforço... até mesmo aguentar um porre de bandas indigestas. Por hoje é isso. Semana que vem tem mais!

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Max Merege é um sujeito de Cuiabá que conhece e curte psychobilly há mais de 20 anos!

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THE CRAMPS

Bem que esta matéria poderia ser sobre a guitarrista Poison Ivy Rorschach (que no dia 20 completa 56 anos) ou também um belo review sobre o centenário de Carmen Miranda, mas a coluna de hoje vai para um sujeito incrivelmente fora desta dimensão e que, além de ser uma influência pessoal deste colunista ao longo de duas décadas, também passou a exercer influência pungente no mundo roqueiro desde 1973. Ele se chamava Erik Lee Purhiser, mas que também era conhecido por Lux Interior, o cantor dos CRAMPS, que na quarta-feira, dia 06 de Fevereiro, morreu aos 62, de problemas cardiácos.


Lux Interior e Poison Ivy Rorschach (Kristy Marlana Wallace) se conheceram em 1972, na lissérgica Califórnia. Ele, um ex-aspirante a monge budista, fã de Elvis e curtidor de filmes-B; ela, uma menina interiorana com ares hippies, que estava aprendendo a tocar guitarra, sob influência de Link Wray, Duane Eddy e Dick Dale. Apaixonaram-se e passaram a morar juntos. Seguiram para Ohio, conheceram o guitarrista Brian Gregory e formaram a banda THE CRAMPS, que em seguida se mudaria para New York, para tocar direto no famigerado CBGB's. Lançaram uma série de singles que mais tarde sairiam reunidos nos lps "Off The Bone" e "Bad Music For Bad People" (83/84), sob a tutela de Alex Chilton.



Por 12 anos, não usaram baixo em suas músicas, apenas "paredões" formados por duas ou mais guitarras.
Apesar de serem norte-americanos, tornaram-se cult na Europa e suas tournées pelo velho continente também viraram uma constante.
Fiéis aos seus princípios, mantiveram exatamente a mesma atitude e sonoridade ao longo de 35 anos de estrada, comparável apenas aos Ramones (in memorian) e ao Motörhead.
Criaram de fato o Psychobilly (vide Enrolando O Rock, 08/02/09) e o Garage Punk. Dentro da cultura pop, foram os primeiros a transformar o trash em cult, em dimensões jamais alcançadas. Lançaram uma média de 15 discos oficiais e também puderam contar com milhares de bootlegs ao redor do mundo. Isso tudo sem falar nos vários tributos que também foram feitos em sua homenagem.


Apesar de terem colecionado clássicos atrás de clássicos (mesmo sendo estes "resgates" de tesouros obscuros do rock), os Cramps só ganharam mesmo notoriedade a partir do disco "Stay Sick" (90), o que alçou sua carreira para outro patamar, sem que precisassem deixar de ser os Cramps que sempre foram.
De sua formação original, só restara mesmo o casal, sendo que pela banda já haviam passado uns 30 músicos diferentes ao longo dos anos.
Energia, paixão e entrega! assim eram os shows dos Cramps, que mesmo nunca tendo vindo tocar no Brasil, deixaram um belo legado sonoro e visual de shows, que podem ser muito bem achados no youtube.

Para Lux Interior, que faça muita fuzzarca, onde quer que esteja! E para Poison Ivy, nossas sinceras condolências. Afinal, vai demorar muito para aparecer outro Lux na face da Terra.

Discografia Básica: Gravest Hits (1979); Songs The Lord Taught Us (1980); Psychedellic Jungle (1981); Off The Bone (1983); Smell Of Female (1983); A Date With Elvis (1986); Rockin n Reelin in Auckland New Zealand (1987); Stay Sick (1990); Look Mom No Head (1991); Flamejob (1994); Big Beat From Badsville (1997); Fiends In Dope Island (2003);

Coletâneas: Bad Music For Bad People (1984); How To Make A Monster (2004); The Secret Life Of The Cramps (2006)

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Max Merege aprendeu realmente a apreciar um bom rock com Cramps e Ramones, também.

Publicado no caderno Folha 3, Jornal Folha do Estado, Cuiabá-MT - 08 e 15 de Fevereiro de 2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

FILHA DO SOL, IRMÃ DA LUA

Sim, ela adotou a soul music dos negros norte americanos, e adotou também o nome artístico para homenagear esse estilo que tanto lhe influenciara.
Sharon Finkelstein nasceu no seio de uma família judaica, na área de Johanesbourgo, Africa do Sul. Começou cantando por lá mesmo, mas como o seu tipo de música não era encarado com bons olhos (aliás, ouvidos) em uma sociedade então regida pelo apartheid, sentia que era hora de as coisas mudarem.

Em 1965, graças ao apoio do seu então namorado, o produtor Frank Fenter (o mesmo "mandachuva" da Atlantic, que teve papel crucial na carreira de bandas como The Animals e Led Zeppelin), mudou-se para a Inglaterra e assim consquistou notoriedade, tornando-se idolo absoluto na efervecente cena mod.
Gravou várias músicas com o Les Fleur de Lys (banda freakbeat que contava com préstimos de ninguem menos que Peter Sears, Gordon Haskel, e claro, o lendário Jimmy Page) e também entrou em um excelente esquema para gravar nos estúdios da STAX, nos EUA. Detalhe: foi a primeira mulher branca a ter o privilégio de gravar com artístas do quilate de Isaac Hayes e de Booker T. & The MGs.
Mas como nem tudo é eterno, seu casamento com Frank Fenter acabou em '71. Nisso, resolveu que já era hora de voltar para a Africa do Sul, correr a estrada com a Jubal's Band, e posteriormente, adotar uma "reclusão" e viver uma vida oposta à de uma rockstar. Gravou singles em sua terra natal, dois em dueto com seu colega Billy Forest (aka Bill Kimber/Quentin Klopjaeger) os quais tiveram boa vendagem.
De seus anos na Inglaterra e das gravações na STAX, foi feita a bela coletânea "You Got To Belive It's Sharon Tandy" na qual podemos ouvir, em impecáveis versões remasterizadas, clássicos como: "Hold On", "Daughter Of The Sun, Sister Of The Moon", "I've Found Love", "Stay With Me", "Our Day Will Come" etc.
Hoje, vivendo de royalties, Sharon encontra-se absolutamente longe dos holofotes. Muitas lendas sobre sua vida correm soltas... Uma delas - talvez a mais interessante de todas - reza que há um pacto de silencio entre os moradores da cidade sulafricana de Randburg, afim de que ninguém a importune para que ela também possa em paz lecionar canto para jovens carentes.
Enfim, são apenas verdades que somente o tempo cuidará de atestar.

ATUALIZAÇÃO: Em 2010 (ano seguinte a esta matéria), Sharon reuniu-se com um Fleur de Lys capitaneado pelo baterista Keith Guster, no 100 Club de Londres. Em 2015, por uma enfermidade não divulgada, deixou este plano no dia 21 de março. Seu legado continua, principalmente por Riot Girls que a descobriram.

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MAX MEREGE, fã confesso de Sharon Tandy, regou suas férias com muito rock sulafricano.

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05 de Abril de 2009
Caderno
FOLHA 3Jornal FOLHA DO ESTADO
Cuiaba - Mato Grosso
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Aqui tem um video com música dela!

HOLD ON


FOOL ON THE HILL

sábado, 14 de março de 2009

ROARING JACK


Com vocês, ROARING JACK!

Roaring Jack é uma banda de celtic-punk que nasceu em Sidney (NSW, Australia), em 1985, sob a liderança de Alistar Hulett, um cidadão de origem escocesa que desde muito cedo frequentava os círculos de música folk.
Na metade dos anos '70, Alistair fez uma viagem de 2 anos para a Índia, e ao voltar para a Austrália em 1979, deparou-se com uma cena punk em plena ebulição.
Ao mesmo tempo em que detonava com a banda "The Furious Chrome Dolls", também cantava folk e bluegrass pelos pubs com Hunter Owens. Este, um imigrante norte-americano que tocava muito bem bandolim e que também desenvolvia um bom trabalho de fusão da música celta com vários outros rítimos, dando assim início ao projeto Roaring Jack.
Sonoridade bem dosada entre o peso e a velocidade da música celta com uma certa malandragem típica do rock australiano, suas letras abordam principalmente assuntos como vida proletária, sectarismo escocês/irlandês e direitos dos povos aborígenes.
Apesar de sua curta existência de 6 anos, o Roaring Jack conseguiu marcar muito bem o seu nome na história. Excursionaram com os Pogues pela Austrália, foram indicados algumas vezes na categoria independente ao Grammy australiano e ajudaram a pavimentar o caminho para bandas como Dropkick Murphys, Real McKenzies, Flogging Molly, The Tossers, The Mahones d'entre outras tantas mais.

Pela Mighty Boy Records, um selo independente de Sydney, gravaram os LPs: "Street Celtabillity" (1987), "The Cat Among The Pigeons" (1988) e "Through The Smoke Of Innocence" (1990); e os singles: "The Swaggies Have All Waltzed Matilda Away"/"Song of a Drinking Man's Wife" (7", 1989) e "Framed"/"Criminal Justice" (12", 1991).

Em 2002, a Jump Up Records, um selo independente alemão, teve o cuidado de recompilar e relançar (quase) todo esse material sob a forma de um CD duplo, contendo ainda alguns bonus, mesmo que as versões do single de 1989 tenham ficado de fora.


Tudo bem! De qualquer forma, esse CD ainda é o melhor caminho para se conhecer o som do ROARING JACK, e o mais legal é que vem com um livreto bem interessante, contendo todas as letras da banda e recheado de outras informações úteis escritas pelo próprio Alistair.


ROARING JACK foi: Alistair Hulett (violão e vocais), Dave Williams (baixo), Bob "Rab" Mannell (guitarra e bouzouki), Hunter Owens / Stephen Miller (acordeão / bandolim e vocais), Steve Thompson / Rod Gilchrist (bateria).

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Conheça mais sobre o ROARING JACK:

The ROARING JACK Archives
Blog oficial da banda
Site do vocalista Alistair Hulett


Alistair Hulett nos dias de hoje


Obs: está tudo em inglês!

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Max Merege, apesar de não tocar violino nem bandolim, é ainda assim, um fã devotado do VERDADEIRO folk-rock.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

SURF CITY, HERE WE GO...

SURFANDO NA ARQUEOLOGIA FONOGRÁFICA


Anúncio da Fender


Uma das coisas mais interessantes que aconteceram na era do Cd, foi a quantidade de coletâneas a que tivemos acesso. Algumas boas, outras ótimas (raras, na maior parte das vezes) e outras tantas mais, pura picaretagem caça-níqueis.

Nesse ensejo, a cultura do box-set gfanhou certa notoriedade, pois tratam-se de caixas - geralmente temáticas - com vários cds e que vieram muito bem a calhar para aqueles que estavam afim de conhecer determinadas sonoridades, estilos ou artístas por fases, sem que para isso fosse preciso juntar obras completas, o que aliás, podia muito bem esperar.

Como estamos em pleno verão, vale darmos um destaque especial para uma dessas coletâneas em forma de box-set: a "Cowabunga! The Surf Box" (Rhino, 1996 ); a melhor compilação do que se produziu em matéria de surf music nos EUA entre os anos de 1961 e 1967, nos 3 primeiros discos, e um 4° disco com o estilo “turbinado” pelo punk/pós-punk entre 1976 e 1996.


Cowabunga Surf Box



UM BRINDE AO VERÃO


Aos desavisados, surf-music não quer dizer necessariamente "música de surfistas, tocada por surfistas e que só pode ser curtida onde houver praia", mas sim, uma sonoridade feita sob medida para qualquer verão (e olha que em Cuiabá, o que não falta é verão!).

Seguramente, a surf-music pode ser considerada como o primeiro grande "boom" do rock instrumental, haja vista que o rock instrumental, propriamente, já existia desde quando rock era rock, mas com a diferença de o instrumento principal ser o sax, sendo que com o surgimento da surf-music, o sax acabou cedendo o seu lugar à guitarra elétrica e ao tímbre “aquático” do reverb.


Dick Dale



Deflagrada por Dick Dale em 1961, com sua gravação de "Let's go Trippin'", a nova sonoridade serviu de influência para muita gente de peso, como por exemplo, toda uma geração de bandas instrumentais surgidas pela California e pelo mundo, bem como o lenderário Jimmy Hendrix. Aliás, Dick Dale foi o primeiro grande "endorser" (algo entre “garoto propaganda” e “piloto de testes”) da Fender, tanto que nas décadas de 60 e 70 ajudou a desenvolver guitarras e amplificadores para, a princípio, suportarem sua pegada cavalar.



SENTIDO UNIVERSAL


os ingleses The Shadows:

influência de 9 entre 10 bandas de surf music


De encontro ao que reza a grande mídia de massa, desde seu início, o estilo mostrou que veio para ficar, já que o seu legado tem se perpetuado através dos anos, não por meio de músicos revivalistas, mas por artistas das mais diversas correntes, sendo que a surf music também pode ser considerada uma das primeiras grandes manifestações daquilo que um dia haveríamos de chamar de "world music" ou de "fusion" em sua forma mais pura, milênios luz às desnecessárias prolixidades técnicas que hoje infestam e deturpam a música instrumental moderna.

Anos antes d'os hippies adotarem a cítara indiana, o pessoal da surf-music já fazia suas experimentações com elementos de música árabe, judaica, flamenca, eslava, oriental etc. Isso, sem falar na inconteste influência do jazz e da música erudita, nítida em muitos discos "temáticos" dos Ventures e do japones Takeshi Terauchi, com inúmeras releituras para clássicos de sempre.

Graças à surf-music, um novo universo de influências se abriu no rock'n'roll. Por exemplo: os Beach Boys que, graças à mente visionária de Brian Wilson (um costumaz frequntador desta coluna), transcenderam as fronteiras de uma sonoridade que até então tinha seus limites. Gravaram inúmeros clássicos que conjugavam harmonias vocais de "doowop" à pureza das guitarras Fender enxarcadas no reverb de amplificadores valvulados. Dentre os Beach Boys, apenas o baterista Dennis Wilson pegava onda. Eram ótimos músicos, sim. Mas apenas ao vivo! No estúdio, se encarregavam somente de fazer os vocais, pois os intrumentais eram (quase sempre) brilhantemente executados pelos melhores músicos de estúdio da época, como Glenn Campbel (guitarra), Carol Kaye (baixo) e Hal Blaine (bateria). Aliás, tais músicos se fazem presentes em quase todas as faixas dos 3 primeiros cedês do supracitado box-set “Cowabunga”!


Beach Boys



Embora a caixa tenha sido idealizada e compilada ao longo de muitos anos, pelo pesquisador Phil Dirt, o projeto só veio mesmo à tona graças ao sucesso do filme Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, em 1994, cuja trilha sonora consistia, em sua maior parte, de petardos da surf-music e do rock intrumental (Dick Dale, Lively Ones, Link Wray, The Revels, The Tornados etc).



Além de Dick Dale, a caixa também conta com muita coisa de Ventures (o primeiro grande nome de Seattle!), Bell-Airs, Beach Boys, Lively Ones, Trashmen, e de mais uma leva de pesos pesados do estilo.


The Ventures: ... e assim

começou o rock de Seattle...



BRASIL


Jordans, pioneiros da surf music no Brasil


O estilo apareceu no Brasil de maneira discreta, ainda no tempos da jovem-guarda.

Era comum em toda cidade haver algum “conjunto” que tocasse músicas dos Ventures, dos Shadows ou até mesmo “O Milionário” para animar bailinhos e matinés.

Apesar de jamais terem adotado o “rótulo” surf-music, inúmeras bandas gravaram LPs e compactos no estilo. Exemplos não faltam: The Jordans, The Jet Blacks, Os Incríveis, The Angels, The Pops, Renato & Seus Blue Caps, The Fevers etc. Inclusive os cuiabanos do Jacildo & Seus Rapazes gravaram “Tarzan, Rei dos Macacos” nos idos de 1966.


The Jet Blacks


Reza uma lenda que até mesmo o próprio rei Roberto Carlos tinha por exigência básica aos músicos que fossem acompanhá-lo, que estes ao menos conhecessem The Ventures e The Shadows. O resultado pode ser ouvido nos discos "É Proibido Fumar" (1964), "RC Canta Para A Juventude" (1965) e "Eu Te Darei o Céu" (1966).


O Rei Roberto Carlos foi o cara que mais apostou

em músicos do estilo para acompanhá-lo



BELO HORIZONTE

Muito tempo se passou e o Brasil se tornou um polo importante na produção de surf-music, pois desde a metade dos anos 90, inúmeras bandas têm surgido por toda parte e resgatado em seus repertórios muitas dessas pérolas que amargaram anos de solidão em meio aos sebos das grandes cidades.

Belo Horizonte, apesar de não ter mar, com orgulho vem carregando nos últimos 12 anos o status de ser a capital brasileira da surf music, título carinhosamente dado por Dick Dale quando de suas apresentações por lá, em meados de 1997. Tanto é que, em seu disco de ’98, Dale corroborou sua homenagem ao intitular uma de suas faixas com o nome de “Belo Horizonte”.

Tão forte é seu status que anualmente a cidade cedia o “Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe”, que em 2009 vai para sua 9ª edição, reunindo bandas de toda a América Latina e do mundo também.


Gui, Claudão & Lino: Estrume'N'Tal é a banda que encabeça o

PRIMEIRO CAMPEONATO MINEIRO DE SURFE


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Max Merege é o maior surfista sonoro de Cuiabá.

Efeito STOOGES

Outro ano sem nada pra fazer...
é 1969, beibe!


Em 2009 comemora-se os 40 anos de um disco que literalmente mudou os rumos da história do rock!
Trata-se do feito da banda The Stooges e de seu autointitulado álbum de estréia.
Por entre as cidades de Detroit e Ann Arbor, nos EUA, em 1967, nascia uma banda de de um bando de malucos, que a princípio se propunham a tocar rock psicodélico na linha do "flower power", mas como não levavam o mínimo jeito com essa história de se tornar bicho-grilo, viver em comunidades e comer arroz integral, acabaram, por sua vez, se tornando uma das forças mais descomunais do rock até então.
O nome The Stooges era uma homenagem ao velho seriado The Three Stooges (os Três Patetas, algo muito semelhante aos famigerados Trapalhões). Segundo Ray Manzarek, tecladista da banda The Doors: "se os Três Patetas têm uma versão roqueira, essa versão só pode ser os Stooges!"
O que não seria nenhum exagero comparar, já que tanto o grupo humorístico quanto a banda de rock tinham pressa em passar seu recado, e não interessava o resto. Os Stooges não surgiram para serem "engraçadinhos", mas a exemplo do trio, exploravam situações de suas vidas e tabús sociais de modo grotesco e despudorado, já que principalmente os EUA viviam então momentos extremos, como a ida do homem à lua, a Guerra do Vietnã, a ascensão de movimentos sociais (Panteras Negras foi um deles), hippies etc.
A banda era formada por James "Iggy Pop" Osterberg (vocais), os irmãos Ron e Scott Asheton (guitarra e bateria, respectivamente) e o colega de escola Dave Alexander (baixo). Com essa formação gravaram 2 álbuns históricos: o já supracitado The Stooges (1969) e Funhouse (1970).
Tão logo fizeram seu segundo disco, o baixista Dave Alexander deixou a banda, que se dissolveu pela primeira vez.
Em 1972, um grande fã deles, o inglês David Bowie, conseguiu um esquema para Iggy Pop ir gravar um disco na inglaterra. Como os músicos de lá não davam conta do recado, os Stooges se reuniram para gravar o clássico "Raw Power".

com David Bowie nos teclados


Na sua época, seus discos figuraram entre os maiores fiascos em termos de vendas, já que a iconoclastia daqueles meninos não podia dividir espaço com uma cultura que - tanto de um lado quanto de outro - buscava impingir goela abaixo em uma sociade incauta e alienada, ideais de uma esperança artificialmente forjada. Afinal, nada do que fizessem seria o bastante para aquele tedioso mundo.

Poder crú tem um filho chamado rock'n'roll!

O preço pago por seu não-reconhecimento foi alto. Afogaram-se numa vida desregrada, pautada em extremos, e pela primeira vez sentiram a foice da morte passar rente às suas cabeças...

Fato é que algum tempo depois de lançarem último disco e de dissolverem a banda, um novo estilo de rock contestatório nascia, sob fortíssima inspiração de seus discos, e desta vez, algo "comercialmente viável": o Punk.
Fãs dos Stooges não paravam de aparecer mundo afora! Em Nova Iorque surgiam os Ramones (que os copiavam até no visual); na Inglaterra, The Damned e Sex Pistols gravavam suas músicas; e na longínqua Austrália, eram sagradamente "coverizados" por The Saints e Radio Birdman.
Contudo, não havia mais o mínimo clima para voltarem. Assim, cada um seguiu seu caminho ...


O RETORNO

Scott Asheton, Iggy Pop, Ron Asheton,
Steve Mackay e Mike Watt (sentado)

No ano de 2003, passados 30 anos da gravação de seu último disco, eis que os Stooges voltam a tocar.
Sua primeira reaparição fonográfica se dá no cd "Skull Ring", de Iggy Pop. A idéia dá tão certo que de pronto eles passam a fazer tounées. A formação era o mais próximo possível da original, exceto pela ausência do baixista Dave Alexander, morto pelo diabetes em 1975, sendo que para a função foi recrutado o experiente Mike Watt. Tocaram em inúmeros países e festivais, tendo vindo, inclusive tocar no Brasil, em 2005!
Talvez sua maior surpresa tenha sido o fato de lotarem estádios e se depararem com platéias formadas, em 90%, por gente que sequer sonhava em nascer nos tempos em que eles bagunçavam o coreto.

o velho Iggy com seu fã James Hetfield

Certamente conseguiram um público mais forte e numeroso que o das inúmeras reuniões do Black Sabbath, afinal, fãs não faltam, já que isso podemos sentir desde a clássica regravação de Joey Ramone para "1969" até a versão pândega do Capital Inicial para "The Passenger" (O Passageiro), da carreirassolo de Iggy, passando pelos Red Hot Chilli Pepers com "Search & Destroy" e pelos Guns'n'Roses com "Raw Power", só para citar alguns de seus ilustres fãs.
Para ainda este ano, cogita-se o lançamento de um filme biográfico sobre os Stooges, no qual Elijah Wood (o Frodo, do Senhor dos Anéis) está cotado para fazer o papel de Iggy Pop. É esperar para ver....


INFORTÚNIO

Ron Asheton (*17.07.48 - 06.01.09+)

Escrever sobre os Stooges já era algo há muito pensado (desde o nascimento desta coluna). Entretanto, um triste acontecimento acelerou as coisas.
No dia 6 de Janeiro de 2009, o guitarrista Ron Asheton foi encontrado morto em sua casa, aos 60 anos, por causas naturais.
Seu secretário pessoal estranhou o desaparecimento, e por conta disso acionou a polícia. Os policiais foram até seu apartamento, arrombaram a porta e o encontraram morto. seu corpo jazia sentado em uma poltrona. Sofrera um enfarto fulminante havia alguns dias.

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Max Merege dedica a coluna de hoje a Ron Asheton, um ícone do rock'n'roll cuja obra jamais envelhecerá.
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11 de Janeiro de 2009
Coluna ENROLANDO O ROCK / Caderno FOLHA 3
Jornal FOLHA DO ESTADO
Cuiaba - Mato Grosso