quarta-feira, 3 de novembro de 2010

ED "BIG DADDY" ROTH e a Arte de Se Esquartejar os Signos



Como a Coluna do Max chega agora ao seu segundo ano na ativa, este resolveu que seria a hora de comentar um pouco sobre uma figura que exerceu uma influência MONSTRUOSA, não apenas sobre este colunista, mas na cultura pop dos últimos 50 anos e no rock'n'roll em si ...
Ed Roth (04/03/1932 - 04/04/2001) foi de fato uma figura iluminada. Filho de imigrantes alemães, aprendeu desde cedo que se quisesse conseguir algo, teria que pôr a mão na massa e meter as caras. Antes de completar 18 anos, já montava seus próprios carros Hot Rod a partir de sucata "garimpada" pelos ferros velhos e cemitérios de automóveis. Tido como um dos pais da cultura hot rod, juntamente com Von Dutch, Roth foi além e transformou sua arte num verdadeiro estilo de vida.
Seus carros conceito despertavam tanto a cobiça de quem os via que passaram a fazer parte de uma série de kits para montar da Revell. Aliás, graças a isso Roth tornou-se um híbrido de modelo e garoto propaganda ao encabeçar sua própria linha de produtos, passando então a ser conhecido com Ed "Big Dead" Roth.
Das suas criações, além dos super carros, a mais lembrada certamente é o Rat Fink (ou Ratazana Sacana, se preferir), que Roth bolou num instante de indignação com o culto ao Mickey Mouse, que tomava o mundo de assalto. Enquanto o camundongo de Disney simbolizava o belo, sem falhas, o rato de Roth era sua antítese pois além de ser grotesco e politicamente incorreto, Rat Fink era mais humano, e suas maiores virtudes, obviamente, eram seus defeitos, o que também o tornou um ícone da contracultura, sendo aclamado até mesmo por gente de peso como o escritor Tom Wolfe. Aliás, foi com o Rat Fink que Roth inaugurou a cultura das camisetas com mensagens, pois como o seu clube de hot rod precisava ter um uniforme, ele descobriu que poderia fazê-lo de modo mais simples possível, pintando com aerógrafo camisetas lisas brancas.
Não obstante, é bom lembrarmos de sua inconteste influência sobre a cultura roqueira a partir dos anos 60, desde o pessoal da cena surf californiana (Dick Dale, Beach Boys, Jan & Dean, Lively Ones, Frank Zappa etc), até as correntes "revivalistas" que brotaram sem dó nem piedade entre os anos 80 e 2000 (Stray Cats, Fuzztones, The Bomboras etc), passando pelo psychobilly (Cramps, Meteors, Batmobile), punk (Ramones, Dead Kennedys, Agent Orange e Misfits, que inclusive regravou o tema de Rat Fink), metal (Anthraxx, Metallica, White Zombie) e no gótico (a inglesa Alien Sex Fiend, cujo guitarrista e baterista carrega o nome artístico de Rat Fink Jr.).
Durante os anos 60 e 70, Roth teve um bom público por terras brasileiras, pois seus kits passaram a ser fabricados por aqui pela Revell e seus intrépidos carros e adoráveis monstrengos tornaram-se uma coqueluche entre os jovens de então (uma forte lembrança da minha infância é que meu pai tinha um boneco do Rat Fink, que eu adorava e chamava de "Monstrinho"! ). Em 2007, a Conrad Editora lançou um álbum de figurinhas. Aliás, nunca foi tão bom ter figurinhas repetidas já que cada uma era sempre um belo adesivo.
Roth partiu em 2001, mas deixou uma obra de valor inestimável, que ainda influenciará muitas e muitas gerações além por este mundo.
Por hoje é isso, meus caros. Um grande abraço a todos e até a próxima!
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Max Merege, que a exatos dois anos mantém a Coluna do Max, é um bandido que some mas não morre e que por muito tempo mais vai continuar escrevendo sobre rock.